Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
Anticoncepcional hormonal é o método que usa hormônios para evitar a gravidez: estrogênio e progestagênio juntos (os combinados) ou só progestagênio. Para a maioria das mulheres sem contraindicação, usar por muitos anos é seguro e não causa infertilidade. Ao parar, a fertilidade costuma voltar logo, com exceção do injetável trimestral, que pode atrasá-la por alguns meses.
É seguro usar anticoncepcional hormonal por muitos anos?
Sim, para quem não tem contraindicação. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que os benefícios dos anticoncepcionais na prevenção da gravidez continuam a superar os riscos. Ela orienta avaliação médica antes de começar e uma vez por ano.
Não existe prazo máximo fixo. Segundo o Manual MSD, mulheres saudáveis que não fumam podem usar a pílula combinada de baixa dose até a menopausa. Com o tempo, porém, fumo, pressão alta ou enxaqueca com aura podem tornar o método combinado inadequado. Nesses casos, os métodos sem estrogênio costumam ser a alternativa, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Quem não deve usar o anticoncepcional combinado?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica cada situação em quatro categorias: nas 1 e 2, em geral pode usar; nas 3 e 4, em geral não. A tabela resume o guia de 2025 da OMS (em inglês) e não substitui a consulta.
| Situação | Pílula, adesivo ou anel combinados | Só progestagênio (minipílula, injetável trimestral, implante) |
|---|---|---|
| Fumante com 35 anos ou mais, menos de 15 cigarros por dia | Categoria 3: em geral não usar | Categoria 1: pode usar |
| Fumante com 35 anos ou mais, 15 cigarros ou mais por dia | Categoria 4: não usar | Categoria 1: pode usar |
| Enxaqueca com aura, em qualquer idade | Categoria 4: não usar | Categoria 2 para começar; 3 se a aura surgir durante o uso |
| Trombose venosa profunda ou embolia pulmonar no passado | Categoria 4: não usar | Categoria 2: em geral pode usar |
| Pressão arterial de 160/100 mmHg ou mais | Categoria 4: não usar | Categoria 2 (minipílula e implante); 3 (injetável trimestral) |
| Câncer de mama atual | Categoria 4: não usar | Categoria 4: não usar |
Segundo a OMS, vários fatores juntos, como idade, fumo, diabetes e pressão alta, também podem tornar o risco do método combinado inaceitável.
Quanto tempo a fertilidade leva para voltar depois de parar?
Na maioria dos métodos, a fertilidade volta logo, e o tempo de uso não muda isso. A exceção é o injetável trimestral: a ovulação volta em média em 14 semanas, mas pode demorar até 18 meses, segundo o Manual de Anticoncepção da Febrasgo.
| Método | Volta da fertilidade depois de parar |
|---|---|
| Pílula combinada | Rápida; em algumas mulheres, a ovulação leva alguns meses |
| Minipílula | Imediata |
| Implante | Os ovários voltam a funcionar normalmente logo após a retirada |
| Injetável mensal | Rápida |
| Injetável trimestral | Atraso de cerca de 9 meses para engravidar após a suspensão |
Fontes da tabela: Manual MSD e Manual de Anticoncepção da Febrasgo.
Mesmo no injetável trimestral, o atraso é temporário e não aumenta com o tempo de uso: 18 meses após parar, 90% das ex-usuárias engravidam na mesma proporção que usuárias de outros métodos, segundo o Manual de Anticoncepção da Febrasgo.
O que muda no corpo quando você para o anticoncepcional?
Em geral, o corpo volta ao padrão de antes do método. Nos primeiros meses, o ciclo pode ficar irregular, porque a ovulação pode levar alguns meses para voltar, segundo o Manual MSD.
- Cólica, TPM e sangramento: a pílula reduz cólicas, sangramento uterino anormal e a forma grave da TPM, segundo o Manual MSD. Ao parar, esses sintomas podem voltar. Veja o guia sobre cólica menstrual.
- Problemas que o método tratava: métodos hormonais também tratam endometriose e sangramento aumentado, segundo a Febrasgo. Esses sintomas podem reaparecer.
- Acne: pode ser efeito colateral do método, ou voltar em quem já tinha antes dele. Saiba mais sobre acne hormonal.
Mitos e verdades sobre o uso prolongado
“É preciso dar uma pausa de tempos em tempos”
Mito. O Manual de Anticoncepção da Febrasgo afirma que o injetável mensal pode ser usado até os 50 anos sem pausa para “descanso”. Periódica deve ser a reavaliação médica, não a pausa. Parar “para descansar” só aumenta o risco de gravidez não planejada.
“Anticoncepcional causa infertilidade”
Mito. Segundo a OMS, fora a laqueadura e a vasectomia, nenhum método causa infertilidade permanente. O injetável trimestral pode atrasar a volta da fertilidade, mas não suprime de forma permanente a função dos ovários, segundo a Febrasgo.
“O hormônio fica acumulado no corpo”
Mito. Não há acúmulo prejudicial de hormônios: o efeito da pílula passa em cerca de 36 horas, e o fígado processa esses hormônios sem precisar de “detox”, segundo a Cleveland Clinic (em inglês), hospital dos Estados Unidos. A exceção é o injetável trimestral, cujo efeito dura de seis a oito meses após a última dose, segundo a Febrasgo.
“Todo anticoncepcional causa trombose”
Mito. O risco depende do tipo de anticoncepcional, do hormônio e da forma de uso, segundo a Febrasgo. Os métodos só de progestagênio aumentam esse risco bem menos que os combinados, segundo a OMS.
Quais são os riscos e os benefícios conhecidos?
Os riscos principais são trombose e alguns cânceres. Entre os benefícios, está a proteção contra outros cânceres.
Trombose
Trombose é a formação de um coágulo que bloqueia a circulação, em geral nas veias das pernas. O Ministério da Saúde inclui os anticoncepcionais orais entre os fatores de risco, com fumo e cirurgias. A pílula combinada pode triplicar o risco de coágulo nas veias, mas o risco geral continua baixo, segundo o Manual MSD. A Anvisa alerta que o risco varia conforme o progestagênio da fórmula e chega a ser 4 a 6 vezes maior em algumas combinações.
Câncer
- Mama: o Instituto Nacional de Câncer (INCA) inclui o uso prolongado de contraceptivos orais com estrogênio e progesterona entre os fatores de risco. O Manual MSD descreve o aumento como pequeno ou nulo.
- Colo do útero: o risco fica levemente maior após cinco anos de uso e se normaliza dez anos após parar, segundo o Manual MSD. Mantenha o preventivo em dia.
- Ovário: o risco cai 22% com um a quatro anos de uso e 56% com 15 anos ou mais, e a proteção persiste por décadas após parar, segundo o INCA. Leia sobre câncer de ovário.
- Endométrio (útero): a pílula reduz o risco em 60% após pelo menos dez anos de uso, segundo o Manual MSD.
A pílula combinada também pode elevar a pressão. O Manual MSD recomenda medi-la três meses após o início e, depois, uma vez por ano.
O injetável trimestral afeta os ossos?
Afeta, mas de forma em geral temporária. Adultas e adolescentes perderam de 5% a 7% da massa óssea na coluna e no quadril após dois anos de uso, segundo o Manual de Anticoncepção da Febrasgo. Depois da suspensão, a densidade óssea se recupera; em adultas, em dois a três anos.
O Manual MSD acrescenta que o risco de fraturas não aumenta. Como há dúvidas sobre adolescentes e mulheres perto da menopausa, a OMS (em inglês) classifica o método como categoria 2 antes dos 18 anos e depois dos 45.
Como parar o anticoncepcional com segurança?
A decisão de parar ou trocar de método deve ser tomada com o médico ou na Unidade Básica de Saúde (UBS). O SUS oferece gratuitamente pílulas, injetáveis, implante, DIU de cobre e preservativos, segundo o Ministério da Saúde.
- Se não quer engravidar, comece o novo método sem intervalo ou use preservativo.
- Se usa o injetável trimestral e pensa em engravidar, planeje com antecedência.
- Mantenha o preservativo: métodos hormonais não protegem contra infecções sexualmente transmissíveis.
Quando procurar atendimento?
Sinais de trombose pedem atendimento rápido. Como ela pode evoluir para embolia, o Ministério da Saúde orienta buscar atendimento assim que os sintomas surgirem.
| Sinal | O que fazer |
|---|---|
| Falta de ar repentina, dor no peito ou nas costas, tosse com sangue | Emergência: ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro |
| Dor, inchaço, calor ou vermelhidão em uma perna | Procure atendimento imediato em uma UPA ou pronto-socorro |
| Dor de cabeça nova ou muito diferente do habitual | Procure avaliação médica: o método pode precisar ser revisto |
| Menstruação que não volta meses depois de parar | Faça um teste de gravidez e marque consulta na UBS |
Perguntas frequentes
Posso usar anticoncepcional até a menopausa?
Depende da saúde de cada mulher. Mulheres saudáveis que não fumam podem usar a pílula combinada de baixa dose até a menopausa, segundo o Manual MSD. A partir dos 40 anos, a OMS (em inglês) coloca o método combinado na categoria 2: em geral pode ser usado, com mais atenção.
Quanto tempo depois de parar a pílula dá para engravidar?
Pode ser logo. A pílula não tem efeito de longo prazo sobre a fertilidade, embora algumas mulheres levem alguns meses para voltar a ovular, segundo o Manual MSD. Por isso, quem não quer engravidar deve começar outro método assim que parar.
Preciso fazer “detox” depois de parar?
Não. Os hormônios não se acumulam, e o fígado os processa normalmente. Também não há evidência de que vitaminas ou suplementos acelerem a volta da fertilidade, segundo a Cleveland Clinic. Exames, quando necessários, devem ser pedidos pelo médico, conforme o histórico de cada mulher.
Preciso parar a pílula antes de uma cirurgia?
Depende da cirurgia, porque cirurgias aumentam o risco de coágulos. O Manual MSD orienta perguntar ao médico quando parar e quando retomar a pílula. Em geral, a combinada é suspensa um mês antes de cirurgias com repouso prolongado. Nesse período, use outro método.
Fontes
- Ministério da Saúde. Contracepção. gov.br/saude: Contracepção. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Trombose. gov.br/saude: Trombose. Acesso em 24/09/2026.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Anticoncepcional: só com prescrição médica. gov.br/anvisa. Acesso em 24/09/2026.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de mama: fatores de risco. gov.br/inca. Acesso em 24/09/2026.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de ovário: versão para profissionais de saúde. gov.br/inca. Acesso em 24/09/2026.
- Febrasgo. Método contraceptivo: escolha deve considerar segurança, perfil clínico e estilo de vida da mulher (2026). febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Febrasgo. Dia Mundial de Conscientização e Combate à Trombose: mitos e verdades sobre a doença (2024). febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Febrasgo. Manual de Anticoncepção (2015), no Portal de Boas Práticas do IFF/Fiocruz. portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Métodos hormonais de contracepção (dezembro de 2025). msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Medical eligibility criteria for contraceptive use, sixth edition (2025). who.int (em inglês). Acesso em 24/09/2026.
- Cleveland Clinic (Estados Unidos). Should You Try a Birth Control Cleanse? health.clevelandclinic.org (em inglês). Acesso em 24/09/2026.



















