Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
Dismenorreia é o nome médico da cólica menstrual: a dor no pé da barriga que aparece pouco antes, durante ou logo depois da menstruação. É muito comum. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), ela atinge de 45% a 93% das mulheres em idade reprodutiva. Tem tratamento, e a dor que atrapalha a rotina merece avaliação médica.
O que é dismenorreia?
Dismenorreia é a dor ligada à menstruação. Na maioria das vezes, ela acontece por causa das prostaglandinas, substâncias que fazem o útero se contrair e deixam os nervos da região mais sensíveis à dor. A dor tende a ser mais forte cerca de 24 horas depois do início da menstruação e começa a diminuir após dois a três dias, segundo o Manual MSD Versão Saúde para a Família. Em 30% ou mais das mulheres, ela atrapalha as atividades do dia a dia e causa faltas na escola ou no trabalho.
Qual é a diferença entre dismenorreia primária e secundária?
A dismenorreia primária é a cólica sem nenhuma doença por trás. A secundária é causada por um problema nos órgãos reprodutivos, como endometriose ou miomas.
| Característica | Primária | Secundária |
|---|---|---|
| Quando começa | Em geral de 6 a 12 meses depois da primeira menstruação, segundo a FEBRASGO | Costuma começar na vida adulta, segundo o Manual MSD |
| Como é a dor | Começa com o fluxo ou 1 a 2 dias antes e dura, em geral, de 8 a 72 horas, segundo a FEBRASGO | Pode vir com dor fora da menstruação, dor na relação sexual e sangramento irregular |
| Evolução | Pode ficar menos intensa com a idade e depois da gravidez | Depende do tratamento da causa |
Quais doenças causam a dismenorreia secundária?
A endometriose é a causa mais comum, segundo a FEBRASGO e o Manual MSD. As principais são:
- Endometriose: tecido parecido com o que reveste o útero cresce fora dele, em ovários, trompas, bexiga ou intestino. Atinge de 5% a 15% das mulheres em idade reprodutiva, segundo o Ministério da Saúde.
- Adenomiose: esse tecido cresce dentro da parede do útero.
- Miomas: nódulos não cancerosos no útero.
- Estreitamento do colo do útero (estenose cervical).
- Doença inflamatória pélvica (DIP): infecção de útero, trompas e ovários, em geral por gonorreia ou clamídia não tratadas, explica o Ministério da Saúde.
- DIU de cobre: costuma estar associado a menstruações mais dolorosas. O DIU hormonal, em geral, não causa esse efeito, segundo o Manual MSD.
- Menos comuns: cistos de ovário, cicatrizes no útero e alterações congênitas.
Quais são os sintomas da cólica menstrual?
O sintoma principal é uma dor em cólica ou uma dor surda e constante no pé da barriga. Às vezes, ela vem em pontadas e se espalha para a lombar ou para as pernas. Segundo o Manual MSD, podem aparecer junto:
- dor de cabeça;
- náuseas, às vezes com vômitos;
- intestino preso ou diarreia;
- vontade frequente de urinar;
- sintomas de tensão pré-menstrual, como irritação e cansaço.
Quem tem mais risco de ter dismenorreia?
A FEBRASGO e o Manual MSD citam estes fatores de risco para cólica forte:
- primeira menstruação antes dos 12 anos, segundo a FEBRASGO;
- menstruações longas ou com fluxo intenso;
- nunca ter engravidado;
- tabagismo, excesso de álcool, ansiedade ou estresse;
- casos de dismenorreia na família.
Quando a cólica não é normal?
A cólica merece atenção quando é mais forte ou mais longa que o habitual, atrapalha a rotina ou vem com sinais de outra doença. Segundo a FEBRASGO, estes sinais sugerem dismenorreia secundária:
- dor forte ou que piora com o passar do tempo;
- fluxo intenso ou menstruações muito frequentes;
- dor fora do período menstrual ou na relação sexual;
- dor que não melhora com o tratamento da cólica comum;
- casos de endometriose na família.
Cólica forte, porém, nem sempre é endometriose. Só a avaliação médica esclarece, segundo o Ministério da Saúde.
Como é feito o diagnóstico?
Na maioria dos casos, a conversa com o médico e o exame físico bastam para diferenciar a dismenorreia primária da secundária, segundo a FEBRASGO.
Se houver suspeita de outra doença, podem ser pedidos exames de urina, gravidez e sangue e ultrassonografia pélvica. A laparoscopia, cirurgia com câmera por pequenos cortes na barriga, é o último recurso.
Na endometriose, o tratamento pode começar com base nos sintomas, antes da confirmação por exames. O diagnóstico leva em média sete anos desde o início dos sintomas, segundo o Ministério da Saúde.
Qual é o tratamento da dismenorreia?
A primeira linha de tratamento são os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e os contraceptivos hormonais, segundo a FEBRASGO. A escolha depende da causa e do desejo de engravidar, sempre com orientação médica.
Anti-inflamatórios não esteroides
Os AINEs agem contra as prostaglandinas e são a primeira escolha na dismenorreia primária. A FEBRASGO orienta começar no início do fluxo, ou 1 a 2 dias antes para quem sente dor antes da menstruação, e tomar com as refeições para proteger o estômago. Mesmo os vendidos sem receita podem causar irritação no estômago, úlcera, sangramento e problemas nos rins, alerta o Manual MSD. Por isso, o uso deve ter orientação médica.
Contraceptivos hormonais
Os métodos hormonais também aliviam a cólica, sozinhos ou junto com os AINEs. A FEBRASGO cita pílula, injeção, adesivo, anel vaginal, implante e DIU hormonal, escolhidos com o médico conforme os critérios de segurança da Organização Mundial da Saúde. Veja também o guia sobre saúde da mulher após o uso prolongado de anticoncepcionais.
Se a dor não melhora com anti-inflamatório e método hormonal, a FEBRASGO orienta investigar a dismenorreia secundária, principalmente a endometriose.
Calor, exercício e outras medidas funcionam?
Algumas medidas sem remédio podem ajudar, mas a evidência é mais fraca que a dos medicamentos. A FEBRASGO considera “promissores, embora limitados” os dados sobre exercício e calor.
| Medida | O que dizem as fontes |
|---|---|
| Calor local (bolsa de água quente, banho morno) | Evidência promissora, mas limitada, segundo a FEBRASGO. O Manual MSD diz que calor úmido na barriga pode ajudar. |
| Atividade física regular | Evidência promissora, mas limitada, segundo a FEBRASGO. Para o Manual MSD, exercícios regulares talvez ajudem. |
| Massagem na barriga, sono e descanso | Podem ajudar, segundo o Manual MSD. |
| Estimulação elétrica (TENS), acupuntura, ioga e fitoterápicos | Melhora em alguns estudos, mas sem evidência para serem tratamento de primeira linha, segundo a FEBRASGO. |
| Suplementos (magnésio, vitaminas, ômega 3) | Pouca evidência de benefício. Converse com o médico antes de usar, orienta o Manual MSD. |
E quando a dor vem de outra doença?
Na dismenorreia secundária, trata-se a causa, às vezes com cirurgia, segundo o Manual MSD. A DIP é tratada com antibiótico, e casos graves podem exigir internação, informa o Ministério da Saúde. A endometriose tem tratamento clínico e cirúrgico gratuito no SUS, segundo o Ministério da Saúde.
O que é mito e o que é verdade sobre a cólica menstrual?
- “Cólica forte é normal, é só aguentar.” Mito. Cólica mais forte ou mais longa que o habitual pede consulta em poucos dias, orienta o Manual MSD.
- “Menstruada não pode fazer exercício.” Mito. Atividade física regular pode aliviar a cólica, segundo a FEBRASGO.
- “A cólica sempre acaba depois do primeiro filho.” Nem sempre. Ela pode ficar menos intensa depois da gravidez, mas isso não é regra.
- “Anticoncepcional serve só para evitar gravidez.” Mito. Os métodos hormonais também são primeira linha no tratamento da dismenorreia, segundo a FEBRASGO.
Quando procurar atendimento?
Procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) se a cólica atrapalha a rotina ou mudou de padrão. Dor súbita e muito forte é urgência.
| Sinal | O que fazer |
|---|---|
| Cólica que impede a rotina, ou mais forte ou mais longa que o habitual | Consulta na UBS em poucos dias, segundo o Manual MSD |
| Dor que piora com o tempo, dor fora da menstruação ou na relação sexual, fluxo muito intenso (veja o guia sobre hipermenorreia) | Consulta para investigar a causa, segundo a FEBRASGO |
| Febre, corrimento com pus, dor contínua ou dor intensa e nova | Atendimento no mesmo dia (UBS, UPA ou pronto-socorro), segundo o Manual MSD |
| Dor súbita, intensa e constante, com chance de gravidez, tontura ou desmaio | Urgência: pronto-socorro ou SAMU 192 |
Esse tipo de dor pode indicar o rompimento de uma gravidez ectópica, a gestação fora do útero, cujo sangramento pode ser confundido com menstruação. Com tontura ou desmaio, pode haver perda grave de sangue, com risco de vida, alerta o Manual MSD. O SAMU 192 é gratuito e funciona 24 horas.
Perguntas frequentes
Dismenorreia tem cura?
Depende do tipo. A primária não tem doença por trás e pode ficar menos intensa com a idade e depois da gravidez, segundo o Manual MSD. Enquanto isso, anti-inflamatórios e métodos hormonais, com orientação médica, são a primeira linha de tratamento. Na secundária, depende da causa. A endometriose não tem cura definitiva, mas o tratamento controla os sintomas, segundo o Ministério da Saúde.
Cólica forte pode ser endometriose?
Pode, mas nem sempre é. A cólica intensa é um dos principais sintomas da endometriose, segundo o Ministério da Saúde. Outros sinais são dor pélvica crônica, dor na relação sexual e alterações intestinais ou urinárias no período menstrual. A doença também atinge adolescentes. Se a cólica piora com o tempo ou não melhora com o tratamento habitual, vale investigar.
Posso tomar anti-inflamatório por conta própria?
O ideal é não. Mesmo os vendidos sem receita podem causar irritação no estômago, úlcera, sangramento e problemas nos rins, e o risco é maior em alguns grupos, segundo o Manual MSD. Além disso, se a dor não melhora com o tratamento, a FEBRASGO orienta investigar outras causas. Converse com um médico sobre o tipo de remédio, a dose e o momento certo de começar.
Cólica menstrual atrapalha engravidar?
A dismenorreia primária não tem doença por trás. Algumas causas da secundária, porém, podem afetar a fertilidade. A endometriose, por exemplo, pode dificultar, mas não impede necessariamente a gravidez, segundo o Ministério da Saúde. Quem planeja engravidar deve contar isso ao médico, porque esse desejo influencia a escolha do tratamento.
Fontes
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Dismenorreia e endometriose na adolescência. Protocolo FEBRASGO, Femina 2025;53(12):1398-402. femina.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Endometriose (Saúde de A a Z). gov.br/saude. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Endometriose: perguntas frequentes. gov.br/saude. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Doença inflamatória pélvica (DIP). gov.br/aids. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192). gov.br/saude. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Cólicas menstruais. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Gravidez ectópica. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Tratamento da dor. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.




















