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Câncer de ovário: sinais, opções modernas de tratamento e quando agir urgente

Câncer de ovário: sinais, fatores de risco e tratamento

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.

Câncer de ovário é um tumor maligno que começa nos ovários ou nas trompas e pode se espalhar pelo abdome. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer, o INCA, estima 8.020 novos casos por ano entre 2026 e 2028. Na fase inicial, ele costuma não dar sintomas. Tem tratamento, e as chances são bem maiores quando é descoberto no início, segundo o Manual MSD.

O que é câncer de ovário?

O câncer de ovário é o crescimento descontrolado de células malignas no ovário, que podem invadir órgãos da pelve e do abdome. Segundo o INCA, ele é o terceiro câncer ginecológico mais comum, atrás do câncer do colo do útero e do endométrio.

Mais de 90% dos casos nascem das células que revestem o ovário (tumores epiteliais), segundo o Manual MSD Versão Saúde para a Família. Os outros surgem das células que formam os óvulos, mais comuns antes dos 30 anos, ou das células que produzem hormônios.

O câncer de ovário é comum no Brasil?

É menos frequente que o câncer do colo do útero, mas merece atenção. Além dos 8.020 casos novos estimados por ano, o INCA registrou 4.567 mortes pela doença em 2024. Ele aparece mais entre os 50 e os 70 anos, segundo o Manual MSD.

O maior desafio é o diagnóstico tardio. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO, mais de dois terços dos casos são descobertos em fase avançada, porque os sinais se parecem com os de problemas digestivos comuns.

Quais são os sinais que merecem atenção?

No começo, o câncer de ovário pode não causar sintomas. Quando aparecem, os sinais que devem ser investigados são, segundo o INCA e o Manual MSD:

  • inchaço ou sensação de pressão no abdome e na pelve;
  • dor abdominal ou pélvica;
  • perda de apetite ou sensação de estar cheia logo depois de começar a comer (saciedade precoce);
  • mudança no intestino (prisão de ventre, diarreia, gases) ou vontade de urinar com mais frequência;
  • cansaço persistente e perda de peso sem motivo.

Na maior parte das vezes, esses sintomas não são câncer. O que chama atenção é a persistência: sintomas que não melhoram em poucos dias, segundo o INCA, ou que se repetem ao longo das semanas merecem consulta, mesmo que pareçam um problema de estômago.

Quais são os fatores de risco e de proteção?

O principal fator de risco é a idade. Ter um fator de risco não significa ter a doença, apenas que vale ficar mais atenta. Segundo o INCA e o Manual MSD, também aumentam o risco:

  • Histórico familiar: câncer de ovário, de mama ou colorretal na família, principalmente em mãe, irmã ou filha.
  • Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2: estão ligadas a cerca de 15% dos casos. Com mutação no BRCA1, o risco de ter câncer de ovário ao longo da vida é de 20% a 40%; no BRCA2, é menor, segundo o Manual MSD.
  • Síndrome de Lynch: condição hereditária conhecida por aumentar o risco de câncer de intestino. Ela também eleva o risco de câncer de ovário para cerca de 9% até os 70 anos, segundo a versão para profissionais do Manual MSD.
  • Fatores reprodutivos: nunca ter tido filhos, infertilidade, primeira menstruação antes dos 12 anos e menopausa depois dos 52.
  • Outros: excesso de gordura corporal, endometriose e exposição prolongada ao amianto ou à radiação no trabalho.

A pílula anticoncepcional é o fator de proteção mais estudado. Segundo a página do INCA para profissionais, de um a quatro anos de uso reduzem o risco em 22%, e 15 anos ou mais reduzem em 56%. Ter tido filhos, amamentar e a laqueadura também se associam a menor risco, segundo a FEBRASGO e o INCA.

A escolha do anticoncepcional considera outros benefícios e riscos e deve ser feita com orientação médica. Veja o que se sabe sobre a saúde da mulher após o uso prolongado de anticoncepcionais.

Por que não existe rastreamento para câncer de ovário?

Rastreamento é fazer exames periódicos em pessoas sem sintomas para achar a doença mais cedo. Para o câncer de ovário, o INCA afirma que não há evidência de que o rastreamento traga mais benefícios do que riscos. Por isso, ele não é recomendado.

O problema está nos exames. O CA-125, exame de sangue, deixa passar cerca de 1 em cada 5 cânceres e dá alarme falso em cerca de 1 em cada 5 mulheres sem a doença (sensibilidade de 79% e especificidade de 78%), segundo o Manual MSD. Em um grande estudo com mais de 16 anos de acompanhamento, o rastreamento anual com CA-125 e ultrassom não reduziu as mortes pela doença. Os alarmes falsos levaram a cirurgias desnecessárias, com complicações em 15% delas, segundo a FEBRASGO.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela conversa sobre os sintomas e pelo exame ginecológico. Depois, segundo o INCA, podem ser pedidos:

  • ultrassom transvaginal: avalia o tamanho e a aparência dos ovários;
  • CA-125: marcador no sangue que ajuda na avaliação;
  • tomografia ou ressonância: mostram massas e a extensão da doença;
  • raio X ou tomografia do tórax: procuram sinais nos pulmões;
  • cirurgia com biópsia: retirada de tecido para análise.

O CA-125 tem limites. Ele está elevado em 80% dos cânceres epiteliais avançados, mas pode ser normal na fase inicial, segundo o Manual MSD. Também pode subir na endometriose, na doença inflamatória pélvica, na gravidez e com miomas. Sozinho, ele não confirma nem descarta câncer.

A confirmação vem da análise do tecido ao microscópio, em geral durante a cirurgia, por laparoscopia (câmera introduzida por pequenos cortes) ou cirurgia aberta. Nela, o médico também define o estágio, de I (restrito aos ovários ou trompas) a IV (espalhado para órgãos distantes), explica o Manual MSD.

Qual é o tratamento?

O tratamento depende do tipo de tumor, do estágio e da saúde geral da mulher. Segundo o INCA, ele combina cirurgia e quimioterapia. Em alguns casos, entram as terapias-alvo.

TratamentoO que éQuando costuma ser usado
CirurgiaRetirada dos ovários, das trompas e, em geral, do útero e de todo tecido visivelmente afetadoSempre que possível, para remover todo o tumor
Quimioterapia depois da cirurgiaRemédios que destroem células cancerosas que possam ter ficadoMuitas vezes, para reduzir o risco de a doença voltar
Quimioterapia antes da cirurgiaRemédios que reduzem o tumor para facilitar a retiradaQuando a cirurgia inicial não é possível
Terapias-alvoInibidores de PARP e antiangiogênicos (bloqueiam a formação de vasos no tumor)Em geral como manutenção após a quimioterapia, em casos avançados

Os inibidores de PARP dificultam o conserto do DNA nas células do tumor. Nos estudos, eles prolongaram o tempo sem a doença avançar, com benefício maior em tumores com falha no reparo do DNA, como os com mutação BRCA, segundo o Manual MSD. Em 2024, o SUS incorporou um inibidor de PARP para mulheres com câncer avançado de alto grau e mutação BRCA que responderam à primeira quimioterapia, conforme portaria divulgada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec. Esses medicamentos só são usados com indicação da equipe de oncologia.

Em mulheres com câncer em estágio I, restrito a um ovário, que desejam engravidar, às vezes é possível retirar só o ovário e a trompa afetados, segundo o Manual MSD. Depois do tratamento, o INCA recomenda consultas a cada 3 a 6 meses nos 2 primeiros anos e, depois, a cada 6 a 12 meses.

Quem deve fazer aconselhamento genético?

Aconselhamento genético é a consulta com especialista em genética que avalia o histórico familiar e indica, ou não, um teste genético. Segundo o Manual MSD, os médicos recomendam teste genético para toda mulher diagnosticada com câncer de ovário. Vale conversar sobre isso também quando há, na família:

  • parentes de primeiro ou segundo grau, como mãe, irmã, avó ou tia, com câncer de ovário ou de mama;
  • vários casos de câncer de intestino ou de endométrio, que podem indicar síndrome de Lynch;
  • mutação BRCA ou síndrome de Lynch já identificada em algum parente.

O resultado pode mudar condutas. Para portadoras de mutação BRCA, retirar preventivamente os ovários e as trompas reduz muito o risco de câncer de ovário, segundo o Manual MSD. A FEBRASGO cita essa cirurgia a partir dos 35 a 40 anos, depois de a mulher ter os filhos que deseja, para mulheres de alto risco, incluindo as com síndrome de Lynch. A decisão é individual e tomada com a equipe de ginecologia oncológica.

Quando procurar atendimento?

Sintomas persistentes são investigados na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou com a ginecologista. Dor abdominal forte pede atendimento imediato.

SituaçãoO que fazer
Inchaço, dor pélvica, perda de apetite ou mudança no intestino ou na urina que não passam em poucos diasConsulta na UBS ou com a ginecologista, como orienta o INCA
Câncer de ovário, de mama ou de intestino na família, ou mutação BRCA ou síndrome de Lynch conhecidaConsulta de rotina para avaliar o aconselhamento genético
Dor abdominal nova, sem sinais de alertaAtendimento médico no mesmo dia, segundo o Manual MSD
Dor abdominal intensa, barriga inchada e dolorida ao toque, suor frio, confusão ou coração aceleradoHospital imediatamente ou SAMU 192, gratuito e disponível 24 horas
Vômitos constantes ou falta de ar intensaUPA 24h ou pronto-socorro

Perguntas frequentes

O Papanicolau detecta câncer de ovário?

Não. O Papanicolau, o exame preventivo, serve para encontrar lesões e câncer do colo do útero. Segundo o INCA, ele não detecta câncer de ovário. Mesmo assim, continua importante. Para entender as alterações que ele encontra, leia sobre a displasia cervical.

Todo cisto no ovário é perigoso?

Não. Em mulheres jovens, o aumento de um ovário costuma ser causado por um cisto cheio de líquido, que não é câncer, explica o Manual MSD. Depois da menopausa, um ovário aumentado merece mais investigação. Cistos com aparência benigna no ultrassom costumam ser acompanhados com exames repetidos, conforme orientação médica.

Câncer de ovário tem cura?

Pode ter, principalmente quando é descoberto no início. Segundo o Manual MSD, de 85% a 95% das mulheres com câncer em estágio I estão vivas cinco anos após o tratamento. Nos estágios avançados, os números são menores, mas o tratamento pode controlar a doença e prolongar a vida.

Quem tem mutação no gene BRCA vai ter câncer de ovário?

Não obrigatoriamente. A mutação aumenta o risco, mas muitas portadoras nunca terão a doença. No BRCA1, o risco ao longo da vida fica entre 20% e 40%, segundo o Manual MSD. Quem tem a mutação deve ser acompanhada por especialista, que discute opções como a cirurgia preventiva e o melhor momento para fazê-la.

Fontes

  • Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de ovário: versão para população. gov.br/inca. Acesso em 24/09/2026.
  • Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de ovário: versão para profissionais de saúde. gov.br/inca. Acesso em 24/09/2026.
  • Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de ovário: introdução. gov.br/inca. Acesso em 24/09/2026.
  • FEBRASGO. Câncer de ovário: sintomas da doença podem ser confundidos com outras patologias e resultar em um diagnóstico tardio (2024). febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • FEBRASGO. Prevenção da neoplasia de ovário: realidade? (2017). febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde / Conitec. Portaria SECTICS/MS nº 45, de 4 de outubro de 2024. gov.br/conitec. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Câncer de ovário, câncer das trompas de Falópio e câncer de peritônio. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manuais MSD, edição para profissionais. Câncer de ovário, tuba uterina e peritônio. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manuais MSD, edição para profissionais. Síndrome de Lynch. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Dor abdominal aguda. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. SAMU 192. gov.br/saude. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. UPA 24h. gov.br/saude. Acesso em 24/09/2026.
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