Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
Displasia cervical é a presença de células alteradas na superfície do colo do útero, causada na maioria das vezes pelo HPV. Ela não é câncer, mas pode evoluir para câncer se não for tratada, segundo o Manual MSD. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, o INCA, a progressão para o câncer pode ser impedida quando as lesões precursoras são encontradas e tratadas a tempo.
O que é displasia cervical e quais são os graus?
A displasia cervical tem três graus: leve, moderada e grave. Quanto maior o grau, maior a chance de as células evoluírem. Na biópsia, são NIC 1, 2 e 3 (neoplasia intraepitelial cervical). No Papanicolau, aparecem como LSIL (baixo grau) ou HSIL (alto grau), segundo as diretrizes do INCA de 2016.
| Grau | Na biópsia | No Papanicolau | O que significa | Conduta usual (25 anos ou mais) |
|---|---|---|---|---|
| Leve | NIC 1 | LSIL | Sinal de infecção pelo HPV, com alta chance de regredir. Não é considerada lesão precursora. | Acompanhamento com exames repetidos. Tratar só se persistir por 24 meses, com decisão individual. |
| Moderada | NIC 2 | HSIL | Lesão precursora do câncer. Parte regride, sobretudo em jovens. | Em geral, retirada da área alterada. Abaixo de 25 anos, prefere-se acompanhar. |
| Grave ou carcinoma in situ | NIC 3 | HSIL | Lesão precursora com maior risco de evoluir para câncer. | Retirada da área alterada. |
As condutas por grau seguem a edição de 2016 do INCA. A Parte II das diretrizes de 2025, sobre condutas após a colposcopia, não foi localizada nas fontes oficiais até esta atualização.
Qual é a relação entre displasia cervical e HPV?
O HPV (papilomavírus humano) é a principal causa da displasia cervical. Segundo o INCA, a infecção persistente pelo HPV responde por 99% dos casos de câncer do colo do útero, e os tipos 16 e 18 causam cerca de 70% deles.
A infecção é muito comum: o INCA estima que cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas vão adquiri-la. Na maioria das vezes, ela regride sozinha entre seis meses e dois anos. Entenda mais em infecções por HPV persistentes.
O INCA cita como fatores de risco o tabagismo, o início precoce da vida sexual, muitos parceiros, muitos partos e o anticoncepcional oral. Segundo as diretrizes de rastreamento de 2025, do Ministério da Saúde, HIV e uso de imunossupressores também aumentam o risco.
Displasia cervical tem sintomas?
Na maioria das vezes, não. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO, a lesão precursora costuma ser silenciosa e só aparece nos exames de rastreamento. Não espere sintomas para fazer o exame.
Segundo o INCA, sangramento fora da menstruação, sangramento após a relação e corrimento anormal são sinais associados ao câncer do colo do útero. As diretrizes de 2025 orientam avaliação médica nesses casos, mesmo com o preventivo em dia.
Como a displasia é descoberta com o novo teste de DNA-HPV?
Rastreamento é o exame periódico feito em quem não tem sintomas. Com a Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13/2025, o teste molecular de DNA-HPV passou a ser o exame principal de rastreamento no Brasil. Ele detecta HPV de alto risco. Segundo o INCA, é mais sensível que o Papanicolau para achar lesões precursoras.
- Quem faz: pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual.
- Intervalo: cinco anos após resultado negativo. Depois dos 60 anos, com teste negativo, não é preciso repetir.
- Onde o teste ainda não chegou: Papanicolau a cada três anos, após dois exames anuais normais.
- Antes dos 25 anos: rastreamento não indicado, porque infecções e lesões leves costumam regredir.
A implantação no SUS é gradual, com meta de chegar a todo o país até dezembro de 2026, segundo o Ministério da Saúde. Confirme na unidade básica qual exame é oferecido.
O que acontece depois do resultado do teste de DNA-HPV?
O próximo passo depende do resultado, segundo as diretrizes de 2025:
| Resultado | Próximo passo |
|---|---|
| Negativo | Novo teste em cinco anos. |
| HPV 16 e/ou 18 | Colposcopia. |
| Outros tipos de alto risco | Papanicolau na mesma amostra (citologia reflexa). Se alterado, colposcopia. Se normal, novo teste em 12 meses. |
| Outros tipos ainda presentes após 24 meses | Colposcopia, mesmo com Papanicolau normal. |
| Inválido | Nova coleta por profissional de saúde. |
Com HIV ou imunidade baixa, o teste começa após o início da vida sexual, repete a cada três anos, e qualquer HPV positivo leva à colposcopia.
Como o diagnóstico é confirmado?
O diagnóstico é confirmado pela colposcopia e, se preciso, pela biópsia. A colposcopia examina o colo com um aparelho de aumento, usando um líquido que realça as áreas alteradas. Dura de 10 a 15 minutos e pode causar algum desconforto, segundo o Manual MSD.
Se houver área suspeita, retira-se um fragmento pequeno. É a biópsia que define o grau. Segundo as diretrizes do INCA de 2016, com HSIL no Papanicolau o caminho é a colposcopia. Repetir o Papanicolau não é aceitável como primeira conduta.
Displasia cervical leve (NIC 1) precisa de tratamento?
Na maioria dos casos, não. Segundo as diretrizes do INCA de 2016, a NIC 1 expressa uma infecção pelo HPV com alta chance de regredir e não é considerada lesão precursora.
A conduta é acompanhar com exames repetidos. Se a NIC 1 persistir por 24 meses, seguir acompanhando ou tratar são opções aceitáveis. Abaixo de 25 anos, o tratamento deve ser evitado. Numa metanálise citada pelo INCA, 47,4% das lesões de baixo grau regrediram em 24 meses, e só 0,2% evoluíram para câncer invasor.
Qual é o tratamento da displasia moderada e grave (NIC 2 e NIC 3)?
Segundo as diretrizes do INCA de 2016, o tratamento padrão, a partir dos 25 anos, é retirar a área alterada do colo. O procedimento mais usado é a exérese da zona de transformação (EZT), também chamada de LEEP ou LLETZ. Uma alça fina aquecida por corrente elétrica remove o tecido, no ambulatório e com anestesia local.
- “Ver e tratar”: com HSIL no Papanicolau e alterações importantes na colposcopia, sem suspeita de invasão, a retirada pode ser feita na primeira consulta, segundo o INCA.
- Conização: segundo o Manual MSD, é a retirada de um fragmento maior, em forma de cone, às vezes com anestesia geral.
- Métodos destrutivos (cauterização, crioterapia, laser): destroem o tecido sem enviá-lo para análise. O INCA os reserva para casos selecionados.
Abaixo de 25 anos, a NIC 2 costuma ser acompanhada por até 24 meses, com Papanicolau e colposcopia a cada seis meses. O motivo, segundo o INCA, é que cerca de 60% dessas lesões regridem em 12 meses. O objetivo é evitar tratamentos desnecessários. As diretrizes de 2025 lembram que eles aumentam o risco de parto prematuro.
E se a displasia for descoberta na gravidez?
De acordo com as diretrizes do INCA de 2016, a colposcopia pode ser feita em qualquer fase da gestação, e a biópsia só é indicada se houver suspeita de invasão. Com NIC 2 ou NIC 3, a reavaliação é feita 90 dias após o parto. O parto normal não é contraindicado.
Como é a recuperação e o acompanhamento depois do tratamento?
Nos primeiros dias, pode haver cólica, sangramento leve e corrimento. Após a EZT, um corrimento escuro pode durar de alguns dias a duas semanas, segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde.
- Enquanto houver sangramento, evite relações com penetração, absorvente interno e coletor menstrual.
- Após a EZT, a orientação costuma ser evitar relações por um mês.
- Para a dor, use analgésico somente com orientação médica.
O acompanhamento é indispensável. Numa revisão citada pelo INCA, a lesão persistiu ou voltou em 4% a 18% das mulheres em até dois anos, com média de 8%. O risco é maior acima dos 50 anos e em quem mantém o HPV, fuma ou tem imunidade baixa. As diretrizes de 2025 orientam que, após os 60 anos, quem tratou NIC 2 ou NIC 3 mantenha o rastreamento por até 25 anos após o tratamento.
Quando procurar atendimento?
As orientações da tabela vêm das diretrizes de 2025, da FEBRASGO e da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer.
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| HPV positivo ou Papanicolau alterado | Fazer o próximo exame indicado no prazo. |
| Sangramento após a relação ou fora da menstruação | Consulta médica, mesmo com o preventivo em dia. |
| Qualquer sangramento vaginal após a menopausa | Consulta médica para investigar. |
| Após EZT ou conização: sangramento maior que uma menstruação forte, corrimento com mau cheiro ou por mais de duas semanas, ou dor que não melhora com analgésico | Atendimento no mesmo dia, sem esperar o retorno. |
Dá para prevenir a displasia cervical?
A vacina contra o HPV é a forma mais eficaz de prevenir a infecção, segundo o Ministério da Saúde. No SUS, ela é aplicada em dose única dos 9 aos 14 anos, com esquemas para grupos específicos, como pessoas imunodeprimidas. Protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18.
- Rastreamento em dia: mesmo vacinadas, as mulheres seguem o rastreamento, conforme as diretrizes de 2025.
- Preservativo: segundo o Ministério da Saúde, reduz o risco de transmissão, mas não elimina.
- Não fumar: o INCA inclui o tabagismo entre os fatores de risco.
Para quem já tratou uma lesão, a vacina pode reduzir a chance de a doença voltar, segundo a FEBRASGO. Vale conversar com o médico.
Perguntas frequentes
Displasia cervical é câncer?
Não. É uma alteração nas células do colo que ainda não é câncer. Os graus moderado e grave (NIC 2 e NIC 3) são lesões precursoras e, sem tratamento, podem evoluir para câncer. Segundo o INCA, elas são curáveis na quase totalidade dos casos quando tratadas adequadamente.
Displasia cervical leve some sozinha?
Muitas vezes, sim. A displasia leve (NIC 1) reflete uma infecção pelo HPV com alta chance de regredir, e a conduta costuma ser acompanhar com exames repetidos. Se persistir por 24 meses, o médico pode manter o acompanhamento ou tratar, conforme idade, planos de ter filhos e preferência da paciente.
Tive HPV positivo. Isso quer dizer que tenho displasia?
Não necessariamente. Segundo as diretrizes de 2025, o teste mostra a infecção por um tipo de alto risco, não a lesão, e muitas infecções são passageiras. HPV 16 ou 18 leva à colposcopia; outros tipos, a um Papanicolau na mesma amostra. Só a biópsia confirma a displasia e o grau.
O tratamento afeta uma gravidez futura?
Pode afetar. As diretrizes brasileiras reconhecem que tratamentos no colo do útero podem aumentar o risco de parto prematuro, sobretudo quando feitos sem necessidade. Por isso, a conduta é mais conservadora em mulheres jovens. Se você já fez EZT ou conização, informe isso no pré-natal.
Fontes
- Ministério da Saúde. Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero: Parte I (2025). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- INCA. Detecção precoce. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- INCA. Fatores de risco. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- INCA. Conceito e magnitude. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- INCA. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero (2016). inca.gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. HPV. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- FEBRASGO. Brasil entra na nova era do rastreio do câncer de colo uterino. febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- FEBRASGO. Mitos e verdades sobre o câncer de colo do útero e o HPV. febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD. Câncer do colo do útero. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD. Exames e procedimentos ginecológicos. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, ligada à OMS. Manual de colposcopia para principiantes, capítulo 13: cirurgia de alta frequência. screening.iarc.fr. Acesso em 24/09/2026.




















