Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
Exames preventivos são testes feitos em quem não tem sintomas, para achar doenças cedo. Para a mulher adulta, os principais são o rastreamento do câncer do colo do útero, a mamografia, os testes de infecções sexualmente transmissíveis (IST), a medida da pressão e, após a menopausa, a avaliação dos ossos, cada um com idade e intervalo definidos.
Quais exames preventivos fazer em cada idade?
| Exame | Para quem | De quanto em quanto tempo |
|---|---|---|
| Medida da pressão | A partir dos 20 anos | Uma vez por ano; duas, com casos na família |
| Teste de DNA-HPV | 25 a 64 anos, com vida sexual iniciada | A cada cinco anos, se negativo |
| Papanicolau (onde não há DNA-HPV) | 25 a 64 anos, com vida sexual iniciada | A cada três anos, após dois exames anuais normais |
| Mamografia | 50 a 74 anos | A cada dois anos |
| Mamografia | 40 a 49 anos | Por decisão conjunta com o profissional |
| HIV, sífilis, clamídia e gonorreia | Até 30 anos, com vida sexual ativa | Uma vez por ano |
| HIV, sífilis e hepatites B e C | Gestantes | Em datas definidas do pré-natal |
| Glicemia e colesterol | Adultas | Conforme idade e fatores de risco |
| Densitometria óssea | A partir dos 65 anos, ou antes com fatores de risco | O médico define |
O que a consulta de rotina avalia?
A consulta de rotina revisa a saúde como um todo. Segundo o Manual MSD, ela pode incluir a checagem de pressão, colesterol, diabetes, depressão, tabagismo, álcool e violência doméstica, além de contracepção e menopausa. O exame pélvico é decidido em conjunto com o médico e não é exigido para começar um anticoncepcional, exceto o DIU. No SUS, ela é feita na Unidade Básica de Saúde (UBS).
Como é o rastreamento do câncer do colo do útero hoje?
O rastreamento é indicado para mulheres e pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual, segundo o INCA. O Brasil está trocando o Papanicolau pelo teste de DNA-HPV, que detecta os tipos de HPV de alto risco.
As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero, aprovadas pelo Ministério da Saúde em julho de 2025, definem:
- Início: aos 25 anos; antes disso, traz mais riscos que benefícios.
- Intervalo: com teste negativo, o próximo é em cinco anos.
- Fim: quando o último teste, feito depois dos 60 anos, der negativo.
- Coleta: por profissional de saúde ou pela própria mulher (autocoleta).
- Imunidade baixa: quem vive com HIV ou usa imunossupressores começa após o início da vida sexual e repete a cada três anos.
Onde o novo teste ainda não chegou, vale o Papanicolau: o segundo exame é feito um ano após o primeiro e, se os dois forem normais, os seguintes são a cada três anos, segundo o INCA. Sobre resultados alterados, veja displasia cervical.
Com que idade fazer mamografia?
A mamografia de rotina é indicada de 50 a 74 anos, a cada dois anos, segundo o INCA. A regra vale desde setembro de 2025; antes, a faixa ia até os 69 anos.
Entre 40 e 49 anos, e acima dos 74, o SUS não restringe o exame para quem não tem sintomas e deseja fazê-lo, após orientação sobre riscos e benefícios, segundo nota do INCA de setembro de 2025. Em dezembro de 2025, a Lei 15.284 garantiu a mamografia pelo SUS a partir dos 40 anos, com a frequência definida pelo Ministério da Saúde.
As entidades divergem. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda, desde 2008, mamografia todo ano a partir dos 40 anos. Já o INCA avalia que, fora dos 50 a 74 anos, pesam mais os riscos: falsos positivos, sobrediagnóstico (tratar tumores que não ameaçariam a vida) e radiação. Entre 40 e 49 anos, converse com o médico sobre seu risco.
Mulheres com alto risco, como mutação nos genes BRCA, precisam de acompanhamento individualizado, segundo o INCA. Autoexame com data fixa não é exigido: basta observar e apalpar as mamas quando se sentir à vontade.
Quais testes de IST fazer?
O SUS oferece testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C, com resultado em até 30 minutos, segundo o Ministério da Saúde. O protocolo de IST do Ministério da Saúde define quem deve se testar sem sintomas:
- Até 30 anos, com vida sexual ativa: HIV, sífilis, clamídia e gonorreia uma vez por ano.
- Gestantes: HIV e sífilis na primeira consulta do pré-natal, na 28ª semana e no parto; hepatites B e C na primeira consulta.
- Demais mulheres: conforme o risco, como relações sem preservativo.
Quais vacinas a mulher adulta precisa?
Pelo Calendário Nacional de Vacinação, a mulher de 25 a 59 anos deve ter, conforme o histórico:
- Hepatite B: três doses.
- dT (difteria e tétano): três doses e reforço a cada 10 anos.
- Tríplice viral: duas doses até os 29 anos; uma dose dos 30 aos 59.
- Febre amarela: uma dose.
- Gripe: anual a partir dos 60 anos e na gestação; outros grupos, conforme a campanha do ano.
HPV. No SUS, a vacina é de dose única dos 9 aos 14 anos, segundo o Ministério da Saúde. Adultas são vacinadas em grupos específicos, como imunidade baixa, vítimas de violência sexual e usuárias de PrEP (remédio que previne o HIV). A Nota Técnica nº 32/2026 incluiu mulheres tratadas de lesão de alto grau no colo do útero, em qualquer idade. Veja mais em infecções por HPV persistentes.
Na gravidez. A gestante recebe hepatite B e dT conforme o histórico, gripe, covid-19, dTpa (inclui coqueluche) a partir da 20ª semana e a vacina contra o vírus sincicial respiratório a partir da 28ª, segundo o Ministério da Saúde.
Pressão, glicemia e colesterol: quando medir?
Medir a pressão é a única forma de diagnosticar a hipertensão. Segundo o Ministério da Saúde, quem tem mais de 20 anos deve medir ao menos uma vez por ano, e duas vezes se houver pressão alta na família. Glicemia e colesterol fazem parte dos exames preventivos da consulta, segundo o Manual MSD, com frequência definida pela equipe conforme idade e fatores de risco.
Quando fazer densitometria óssea?
A densitometria mede a densidade dos ossos. Pelo protocolo de osteoporose do Ministério da Saúde, ela é indicada para todas as mulheres a partir dos 65 anos e, antes disso, para quem tem fatores de risco, como baixo peso ou fratura anterior. Para entender o laudo, veja o texto sobre osteopenia e prevenção precoce.
Quais exames não precisam ser feitos todo ano?
Exame sem indicação não aumenta a proteção. Para quem está sem queixas, os Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres e as diretrizes acima indicam que não são rotina:
- Papanicolau todo ano: siga os intervalos acima.
- Preventivo antes dos 25 anos.
- Ultrassom transvaginal de rotina: não existe indicação de ultrassom para rastreamento.
- Dosagens hormonais para confirmar a menopausa: o diagnóstico é clínico.
- Bateria de exames no climatério: são pedidos de forma individual.
- Densitometria para todas: o rastreamento universal da osteoporose não é indicado.
Quando procurar atendimento fora da rotina?
Estes sinais pedem consulta sem esperar o próximo exame:
- Sangramento depois da menopausa: qualquer quantidade, mesmo manchas rosadas ou marrons, deve ser avaliada logo, segundo o Manual MSD.
- Sangramento após a relação sexual: costuma ser o primeiro sintoma do câncer do colo do útero, segundo o Manual MSD.
- Alterações na mama: nódulo endurecido ou que cresce, secreção com sangue pelo mamilo, pele em casca de laranja ou repuxada e íngua na axila pedem avaliação urgente, em qualquer idade, segundo o INCA.
Nesses casos, procure a UBS ou seu médico o quanto antes. Sangramento muito intenso, com tontura, fraqueza ou desmaio, é urgência: vá a uma UPA ou ligue para o SAMU, no 192.
Perguntas frequentes
Quem tomou a vacina de HPV precisa fazer o preventivo?
Sim. A vacina do SUS protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18, os mais frequentes, mas não contra todos, segundo o Ministério da Saúde. Por isso, as diretrizes de 2025 recomendam o rastreamento independentemente de a mulher ser vacinada. Vacina e preventivo se completam.
Posso fazer mamografia pelo SUS antes dos 50 anos?
Sim. O SUS não restringe a mamografia para mulheres de 40 a 49 anos sem sintomas que desejem o exame, após orientação sobre riscos e benefícios, segundo o INCA. A Lei 15.284, de dezembro de 2025, garantiu esse direito a partir dos 40 anos.
Grávida pode fazer o preventivo?
Sim. Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde, a gestante com rastreamento atrasado pode fazer o teste de DNA-HPV durante o pré-natal. A coleta é segura em qualquer fase da gestação. O pré-natal também inclui testes de HIV, sífilis e hepatites.
O ultrassom transvaginal substitui o preventivo?
Não. São exames diferentes. O preventivo e o teste de DNA-HPV analisam células ou o vírus no colo do útero. O ultrassom transvaginal não tem indicação como exame de rastreamento, segundo os Protocolos da Atenção Básica. Ele é pedido quando há queixas, como sangramento uterino anormal.
Fontes
- Ministério da Saúde. Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero: Parte I. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Detecção precoce do câncer do colo do útero. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Detecção precoce do câncer de mama. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Ministério da Saúde padroniza informações para acesso ao exame de mamografia no SUS (2025). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Agência Senado. Lei garante mamografia pelo SUS a mulheres a partir de 40 anos (2025). senado.leg.br. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Mastologia. Ministério da Saúde amplia acesso à mamografia a partir dos 40 anos. sbmastologia.com.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Testes rápidos. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Calendário de vacinação. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. HPV. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 32/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Hipertensão. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde e Instituto Sírio-Libanês. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres (2016). es.gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Consultas de saúde da mulher. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Câncer do colo do útero. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Câncer do útero. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.




















