Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
A doença renal crônica (DRC) é a perda lenta e progressiva da capacidade dos rins de filtrar o sangue, por pelo menos três meses. Ela costuma ser silenciosa, e muita gente só descobre o problema em fase avançada. Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, a doença não tem cura, mas o diagnóstico precoce e o tratamento certo ajudam a desacelerá-la.
Segundo o Censo Brasileiro de Diálise 2025, da mesma sociedade, o Brasil passa de 173 mil pessoas em diálise.
O que é a doença renal crônica?
É uma alteração na estrutura ou na função dos rins que dura três meses ou mais. Pelo critério do Ministério da Saúde, tem DRC quem apresenta, por três meses seguidos, taxa de filtração glomerular abaixo de 60 mL/min/1,73 m². Também tem quem filtra normalmente, mas mostra sinais de lesão nos rins no exame de urina ou de imagem.
Por que ela é silenciosa?
Porque os rins seguem funcionando mesmo comprometidos, e a doença quase não dá sintomas no início. Segundo o Manual MSD, a perda leve pode causar só a vontade de urinar várias vezes à noite. Cansaço, falta de apetite, náusea, coceira, falta de ar e inchaço nas pernas surgem quando a doença avança.
Quem tem mais risco de ter doença renal crônica?
Diabetes e pressão alta são as causas mais comuns. A lista de fatores de risco do Ministério da Saúde inclui:
- diabetes, tipo 1 ou tipo 2;
- pressão acima de 14 por 9 (140 × 90 mmHg) em duas medidas;
- idade avançada;
- obesidade (índice de massa corporal acima de 30);
- doença do coração ou da circulação, como infarto e AVC;
- casos de doença renal crônica na família;
- tabagismo;
- uso de medicamentos que podem lesar os rins.
Os anti-inflamatórios merecem atenção. Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, o uso frequente, principalmente sem orientação médica, traz risco para os rins. Pessoas com diabetes, pressão alta ou idosas precisam de cuidado redobrado.
Quais exames detectam a doença renal crônica?
Dois exames simples detectam a DRC cedo: a creatinina no sangue e o exame de urina. A Sociedade Brasileira de Nefrologia recomenda fazer os dois uma vez por ano.
- Creatinina com cálculo da filtração. A creatinina é um resíduo que os rins eliminam. O valor dela entra numa fórmula, com dados como idade e sexo, que estima a taxa de filtração glomerular. Esse número define o estágio da doença.
- Urina com pesquisa de albumina. O exame simples mostra proteína ou sangue na urina. A albumina, uma proteína que não deveria passar para a urina, pode ser medida numa amostra comum, sem coleta de 24 horas.
Quem deve fazer esses exames?
Quem tem fator de risco. Além de diabetes e pressão alta, a Sociedade Brasileira de Nefrologia cita pessoas idosas, com doença cardiovascular ou com doença renal na família.
Para quem tem diabetes, a diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda albumina na urina e cálculo da filtração já no diagnóstico do tipo 2 e cinco anos após o do tipo 1. Depois, de uma a quatro vezes por ano. Um resultado alterado de albumina deve ser confirmado em duas de três amostras, em três a seis meses.
Os exames podem ser pedidos na Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o SUS acompanha diabetes e pressão alta.
Quais são os estágios da doença renal crônica?
O Ministério da Saúde divide a DRC em seis estágios pela taxa de filtração glomerular. Quanto menor o número, menor a função dos rins. O estágio orienta o cuidado e o encaminhamento ao nefrologista.
| Estágio | Filtração (mL/min/1,73 m²) | Em palavras simples | Cuidado |
|---|---|---|---|
| 1 | 90 ou mais | Filtra bem, mas há proteína ou sangue na urina ou alteração na imagem | Conservador |
| 2 | 60 a 89 | Filtração um pouco abaixo do normal | Conservador |
| 3a | 45 a 59 | Perda moderada | Conservador |
| 3b | 30 a 44 | Perda moderada a importante | Conservador |
| 4 | 15 a 29 | Perda grave | Pré-diálise |
| 5 | Abaixo de 15 | Os rins quase não filtram | Pré-diálise ou diálise/transplante |
No tratamento conservador, o foco é controlar os fatores de risco. Na pré-diálise, começa também o preparo para diálise ou transplante.
Como desacelerar a doença renal crônica?
O objetivo é retardar a perda da função dos rins e adiar a diálise, segundo o Manual MSD. As medidas principais:
- Controlar pressão e glicemia. Em quem tem diabetes, isso diminui bastante a piora dos rins. O médico pode indicar remédios que também protegem os rins.
- Não usar anti-inflamatório por conta própria.
- Parar de fumar. O tabagismo é fator de risco. Peça apoio na UBS.
- Comer com orientação profissional. Reduzir o sal costuma ajudar. Em fases avançadas, pode ser preciso limitar proteína, potássio, fósforo ou líquidos, com supervisão de nutricionista. Não corte alimentos por conta própria.
- Cuidar do peso e se movimentar.
- Repetir os exames no intervalo que a equipe indicar.
Por que a doença renal crônica merece atenção especial na mulher?
Gravidez, pré-eclâmpsia e infecção urinária de repetição ligam a saúde da mulher à dos rins.
Gravidez com doença renal
A gestação com DRC é de maior risco. Segundo o Manual MSD, gestantes com doença renal têm mais chance de pressão alta e pré-eclâmpsia, e o bebê pode crescer menos que o esperado. A doença renal grave geralmente impede a gestação de chegar ao fim. Quem tem DRC e deseja engravidar deve planejar a gravidez com a equipe.
Pré-eclâmpsia e os rins no futuro
A pré-eclâmpsia é a pressão alta da gravidez com sinais de lesão em órgãos. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO, o risco de insuficiência renal crônica fica pelo menos quatro vezes maior depois de pré-eclâmpsia na primeira gestação. Com pré-eclâmpsia em duas ou três gestações, chega a quinze vezes. Quem já teve deve contar isso nas consultas e manter o controle da pressão e dos rins após o parto.
Infecção urinária de repetição
As mulheres têm mais infecção urinária porque a uretra é mais curta. Quando a infecção sobe para os rins, surgem dor nas costas, febre e calafrios. Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, infecções que atingem os rins podem deixar cicatrizes e reduzir a filtração aos poucos. Episódios repetidos merecem avaliação. Veja também o texto sobre cistite depois da relação sexual.
Como funcionam a diálise e o transplante no SUS?
Quando os rins deixam de funcionar, a diálise ou o transplante substituem a função deles. O SUS oferece duas formas de diálise, segundo o Ministério da Saúde:
- Hemodiálise: uma máquina filtra o sangue, em clínica, três vezes por semana.
- Diálise peritoneal: feita em casa, todos os dias, geralmente à noite, por um cateter no abdome.
O transplante é indicado para a insuficiência renal que não tem volta. O rim pode vir de doador vivo ou falecido, porque uma pessoa vive bem com um rim só, segundo o Sistema Nacional de Transplantes. A inscrição na lista de espera é feita por um centro autorizado. Entram na lista pessoas em diálise e algumas com a função dos rins muito reduzida.
Quando procurar atendimento?
Procure a UBS se tiver fatores de risco ou sinais como inchaço, espuma na urina e cansaço excessivo, orienta a Sociedade Brasileira de Nefrologia. A espuma pode ter causas inofensivas, como jato forte ou pouca água. A espuma persistente e abundante pode indicar proteína na urina, segundo outra orientação da entidade.
| Sinal | O que fazer |
|---|---|
| Espuma persistente na urina, inchaço nas pernas, cansaço fora do comum | Consulta na UBS e exames de creatinina e urina |
| Infecção urinária com febre, calafrios ou dor nas costas | Atendimento no mesmo dia (UBS ou UPA) |
| Urina muito reduzida ou ausente | UPA ou pronto-socorro no mesmo dia |
| Falta de ar ou inchaço que piora rápido | UPA ou pronto-socorro no mesmo dia |
| Falta de ar intensa, dor no peito, confusão mental ou convulsão | Urgência: ligue para o SAMU 192 |
Perguntas frequentes
A doença renal crônica tem cura?
Na maioria dos casos, não. Mas o tratamento contínuo pode desacelerar a doença, preservar a função dos rins e manter a qualidade de vida, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia. Quando a causa pode ser corrigida, como uma obstrução urinária tratada a tempo, a função pode melhorar.
Creatinina normal quer dizer que os rins estão bem?
Nem sempre. Segundo o Manual MSD, a creatinina só fica alta quando a função dos rins já caiu muito. Por isso o médico calcula a taxa de filtração e pede o exame de urina. A albumina na urina pode aparecer antes da queda da filtração.
Posso tomar remédio para dor se tenho doença renal?
Só com orientação médica. Anti-inflamatórios podem piorar a função de rins já doentes, e vários outros remédios precisam de dose ajustada ou devem ser evitados. Peça ao médico que indique qual analgésico usar e avise sobre a DRC em toda consulta e na farmácia.
Beber muita água protege os rins?
Depende. Beber água ajuda a prevenir infecção urinária: a Sociedade Brasileira de Nefrologia orienta tomar o suficiente para urinar de seis a oito vezes ao dia. Na doença renal crônica avançada, porém, pode ser preciso limitar os líquidos, segundo o Manual MSD. Quem tem DRC deve seguir a quantidade indicada pela equipe.
Fontes
- Ministério da Saúde. Doenças Renais Crônicas (DRC). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde, Sistema Nacional de Transplantes. Rim. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Nefrologia. Como se prevenir. sbn.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Nefrologia. SBN Explica: Doença Renal Crônica tem cura? sbn.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Nefrologia. SBN Esclarece: Anti-inflamatórios podem prejudicar os rins? sbn.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Nefrologia. Você sabia que muitas doenças renais não apresentam sintomas logo no início? sbn.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Nefrologia. SBN Esclarece: Você já percebeu espuma na urina e ficou na dúvida se isso é normal? sbn.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Nefrologia. Incidência de infecção urinária aumenta com a chegada do verão. sbn.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Nefrologia. Censo de Diálise da SBN reforça papel estratégico dos registros nacionais na saúde renal brasileira. sbn.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Avaliação e tratamento da doença renal do diabetes. diabetes.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- FEBRASGO. Saúde futura da mulher com diagnóstico de pré-eclâmpsia. febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Doença renal crônica. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Provas de função renal. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Distúrbios renais durante a gravidez. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.




















