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Eclâmpsia: sinais, riscos e o que fazer agora para proteger mãe e bebê

Eclâmpsia e pré-eclâmpsia: sinais de alerta e tratamento

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.

A pré-eclâmpsia é a pressão alta que aparece depois da 20ª semana de gestação junto com sinais de que algum órgão está sendo afetado, como proteína na urina ou alterações no fígado, nos rins ou no sangue. A eclâmpsia é a sua forma mais grave: é quando a mulher com pré-eclâmpsia tem convulsões. As duas têm tratamento, e o pré-natal permite descobrir o problema cedo.

Segundo o Manual MSD, a pré-eclâmpsia ocorre em cerca de 5% dos partos no mundo, e a eclâmpsia, em menos de 2%. No Brasil, o Ministério da Saúde aponta a eclâmpsia como causa frequente de doença grave e de morte materna.

O que é pré-eclâmpsia?

Pré-eclâmpsia é a hipertensão (pressão alta) que surge a partir da 20ª semana de gestação em uma mulher que tinha pressão normal, acompanhada de proteína na urina ou de sinais de comprometimento de órgãos, segundo o Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde. Entre esses sinais estão queda das plaquetas, alteração do fígado ou dos rins e bebê crescendo menos que o esperado.

Na gestação, a pressão é considerada alta a partir de 14 por 9 (140 × 90 mmHg) em duas medidas. A partir de 16 por 11 (160 × 110 mmHg), ela é muito alta e já é situação de urgência, segundo a Caderneta Brasileira da Gestante. A causa da pré-eclâmpsia ainda não é conhecida.

A pré-eclâmpsia dá sintomas?

Muitas vezes, não no começo. A gestante pode estar com a pressão alta sem sentir nada, como alerta a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO. Quando aparecem, os sintomas mais citados são dor de cabeça forte, visão com pontos brilhantes (“estrelinhas”) e dor na região do estômago.

O que é eclâmpsia?

Eclâmpsia é a ocorrência de convulsões, de coma ou de ambos em uma mulher com pré-eclâmpsia, durante a gravidez ou depois do parto, sem outra doença do sistema nervoso que explique o quadro. É uma emergência obstétrica e exige atendimento imediato.

Dor de cabeça forte, alterações na visão e dor no alto da barriga em uma gestante com pressão alta são chamadas de sinais de iminência de eclâmpsia. Pedem atendimento na hora.

A síndrome HELLP é uma forma grave da pré-eclâmpsia em que há destruição de glóbulos vermelhos, aumento das enzimas do fígado e queda das plaquetas, e ela exige internação e, em geral, a antecipação do parto.

Quando procurar atendimento?

Procure a maternidade, uma UPA ou um pronto-socorro imediatamente, ou ligue para o SAMU 192, se estiver grávida ou tiver dado à luz nas últimas semanas e notar algum dos sinais da tabela. A orientação é da Caderneta Brasileira da Gestante, do Ministério da Saúde, e vale também para o pós-parto.

Sinal de alertaO que fazer
Convulsão ou desmaioLigar para o SAMU 192 na hora
Dor de cabeça forte, diferente do habitual ou que não melhoraIr à maternidade ou ao pronto-socorro imediatamente
Visão turva ou embaçada, pontos luminosos, flashes ou escurecimentoIr à maternidade ou ao pronto-socorro imediatamente
Dor forte no alto da barriga, na região do estômago ou abaixo das costelasIr à maternidade ou ao pronto-socorro imediatamente
Inchaço repentino no rosto, nas mãos ou nas pernasBuscar atendimento imediato
Falta de ar ou dor no peitoBuscar atendimento imediato
Pressão a partir de 16 por 11 (160 × 110 mmHg)Urgência: maternidade ou pronto-socorro
Pressão a partir de 14 por 9 (140 × 90 mmHg), mesmo sem sintomasBuscar atendimento imediato na UBS, na maternidade ou na urgência
Bebê mais de 4 horas sem se mexer, depois de 20 semanasBuscar atendimento imediato

Em caso de convulsão, ligue para o 192 e siga as orientações do atendente.

Quem tem mais risco de ter pré-eclâmpsia?

Qualquer gestante pode ter pré-eclâmpsia, inclusive quem nunca teve pressão alta. O Manual de Gestação de Alto Risco separa os fatores de risco em dois grupos.

  • Alto risco: pré-eclâmpsia em gravidez anterior, gestação de gêmeos, obesidade (índice de massa corporal acima de 30), pressão alta que já existia antes da gravidez, diabetes tipo 1 ou tipo 2, doença renal e doenças autoimunes, como lúpus e síndrome antifosfolípide.
  • Risco moderado: primeira gestação, mãe ou irmã que teve pré-eclâmpsia, idade a partir de 35 anos, ser negra, baixa condição socioeconômica, ter nascido com baixo peso, gravidez anterior com complicação e intervalo de mais de 10 anos desde a última gestação.

Ter um fator de risco não significa que a pré-eclâmpsia vai acontecer, mas pede um pré-natal mais atento.

Dá para prevenir a pré-eclâmpsia?

Não há como evitar todos os casos, mas dá para reduzir o risco e descobrir o problema cedo. A base é o pré-natal: começar logo e medir a pressão em todas as consultas, mesmo quando a gestante se sente bem.

Ácido acetilsalicílico em baixa dose

Para gestantes com risco aumentado, o médico pode indicar ácido acetilsalicílico em baixa dose. O Ministério da Saúde recomenda essa prevenção quando há um fator de alto risco ou dois fatores de risco moderado, com início antes da 16ª semana. O uso é só com prescrição médica, nunca por conta própria.

E o cálcio?

A recomendação sobre o cálcio mudou recentemente. O Manual de Gestação de Alto Risco, de 2022, indica suplementação de cálcio junto com o ácido acetilsalicílico para gestantes de risco. Em abril de 2026, porém, a FEBRASGO e a Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez deixaram de recomendar o cálcio especificamente para prevenir a pré-eclâmpsia. Uma revisão de estudos publicada em 2025 não confirmou o efeito protetor. O cálcio ainda pode ser prescrito por outros motivos, a critério da equipe do pré-natal.

Outros cuidados

  • fazer atividade física liberada pela equipe; para gestantes com fatores de risco, a FEBRASGO cita caminhadas de 30 minutos, cinco vezes por semana;
  • tratar a pressão alta e o diabetes que já existiam; mulheres com hipertensão devem ser avaliadas antes de engravidar, recomenda o Ministério da Saúde;
  • conhecer os sinais de alerta e saber qual é a sua maternidade de referência.

Qual é o tratamento da pré-eclâmpsia e da eclâmpsia?

O tratamento combina acompanhamento no hospital, remédios para a pressão e, quando há risco de convulsão, sulfato de magnésio. O tratamento definitivo é o parto, com a saída do bebê e da placenta, segundo o Manual de Gestação de Alto Risco.

  • Internação e exames: no diagnóstico, a gestante costuma ser internada para exames e avaliação do bebê. Nos casos sem sinais de gravidade e bem controlados, o acompanhamento pode seguir fora do hospital, com consultas semanais.
  • Anti-hipertensivos: remédios para baixar a pressão, escolhidos pelo médico entre os indicados na gestação.
  • Sulfato de magnésio: é o anticonvulsivante de escolha, aplicado no hospital para prevenir e tratar as convulsões.
  • Corticoide: pode ser usado quando o parto deve ser antecipado, para ajudar os pulmões do bebê a amadurecer.
  • Parto: o momento depende da gravidade e da idade da gestação. Nos casos sem sinais de gravidade e bem controlados, o Manual indica o parto com 37 semanas. Na eclâmpsia e na síndrome HELLP, a gravidez é interrompida em qualquer idade gestacional, depois que a mãe é estabilizada.

A pré-eclâmpsia pode aparecer depois do parto?

Sim. Segundo o Manual MSD, alguns casos surgem depois do parto, com mais frequência nos primeiros quatro dias, mas às vezes até seis semanas depois. No caso da eclâmpsia, o Ministério da Saúde aponta que o risco no pós-parto é maior na primeira semana.

Por isso, os sinais de alerta da tabela continuam valendo depois do parto. O Manual MSD orienta medir a pressão com um profissional de saúde a cada uma ou duas semanas, até ela voltar ao normal.

Tristeza intensa e ansiedade excessiva no pós-parto também são motivo para procurar a equipe de saúde, segundo a Caderneta da Gestante. Veja o guia sobre ansiedade pós-parto.

Quais são os riscos para a saúde da mulher no futuro?

Quem teve pré-eclâmpsia tem mais risco de problemas no coração, na circulação e nos rins ao longo da vida. O Manual de Gestação de Alto Risco cita também o AVC e a trombose, principalmente depois das formas graves. A FEBRASGO recomenda acompanhamento médico ao longo da vida.

  • conte a qualquer médico, em consultas futuras, que teve pré-eclâmpsia;
  • meça a pressão com regularidade: se ela seguir alta seis semanas após o parto, pode ser hipertensão crônica;
  • cuide da alimentação, da atividade física e do peso;
  • planeje a próxima gravidez com o médico.

Perguntas frequentes

Toda pré-eclâmpsia vira eclâmpsia?

Não. A maioria das mulheres com pré-eclâmpsia não tem convulsões, principalmente com acompanhamento e tratamento. Segundo o Manual de Gestação de Alto Risco, a eclâmpsia acontece em 2% a 3% das gestantes com pré-eclâmpsia grave que não recebem sulfato de magnésio. Por isso o tratamento no hospital é tão importante.

Quem já teve pré-eclâmpsia vai ter de novo?

Não necessariamente, mas o risco é maior. O Ministério da Saúde considera a pré-eclâmpsia anterior um fator de alto risco, principalmente quando houve complicações. A nova gestação pede pré-natal desde o início, e o médico pode indicar ácido acetilsalicílico em baixa dose como prevenção.

A pré-eclâmpsia faz mal ao bebê?

Pode fazer. O bebê pode crescer menos por causa do mau funcionamento da placenta ou nascer antes do tempo. Em casos raros, a placenta se descola antes do parto. Exames e ultrassom ajudam a equipe a escolher o momento mais seguro para o parto, explica o Manual MSD.

Inchaço na gravidez é sinal de pré-eclâmpsia?

Pode ser. O sinal de alerta é o inchaço repentino, principalmente no rosto e nas mãos. Às vezes, os anéis deixam de servir. Se o inchaço aparecer de uma hora para outra, ou vier junto com dor de cabeça, alteração na visão ou pressão alta, procure atendimento imediato.

Repouso absoluto e cortar o sal ajudam?

Para a gestante com pré-eclâmpsia, o Manual de Gestação de Alto Risco orienta dieta habitual, com restrição de sal só em situações específicas, e diz que não é preciso repouso absoluto no leito. Reduzir atividades cansativas ou estressantes ajuda a manter a pressão mais baixa. Siga a orientação da equipe que acompanha a gestação.

Fontes

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