Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
Osteopenia é a densidade dos ossos abaixo do esperado, mas ainda não tão baixa quanto na osteoporose, explica o Manual MSD. Ela não dá sintomas e costuma ser descoberta na densitometria óssea. O cuidado depende do risco de fratura, e não só do número do exame, segundo o protocolo de osteoporose do Ministério da Saúde.
O que é osteopenia e qual a diferença para a osteoporose?
Osteopenia e osteoporose são dois graus da perda de massa óssea. Na osteopenia, o osso está menos denso que o normal. Na osteoporose, a perda é maior e a estrutura interna do osso se deteriora, o que deixa o osso frágil, segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Osteoporose, do Ministério da Saúde.
A osteoporose não dá sinais até a primeira fratura, em geral no punho, na coluna ou no quadril. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO, uma em cada três mulheres com mais de 50 anos terá uma fratura por fragilidade óssea.
O que é o T-escore da densitometria?
O T-escore é o número do laudo da densitometria que compara a densidade dos seus ossos com a de um adulto jovem saudável, na idade do pico de massa óssea, por volta dos 30 anos, explica o Manual MSD. Quanto mais negativo, menos massa óssea. Para mulheres depois da menopausa, o PCDT classifica assim:
| Resultado | O que significa | O que costuma ser feito |
|---|---|---|
| Acima de -1,0 | Densidade dentro do esperado | Manter os hábitos que protegem os ossos |
| Entre -1,0 e -2,5 | Baixa massa óssea (osteopenia) | Calcular o risco de fratura; remédio só se o risco for alto |
| -2,5 ou menos | Osteoporose | Remédio, além das medidas de prevenção |
| Fratura após trauma mínimo, como queda da própria altura | Osteoporose, qualquer que seja o T-escore | Tratamento, mesmo sem densitometria |
Um ponto importante: a maior parte das fraturas acontece em pessoas com osteopenia, porque há muito mais gente nessa faixa, segundo o PCDT. Por isso o laudo sozinho não decide o tratamento.
Como os ossos mudam antes e depois dos 40?
O osso é construído principalmente na infância e na adolescência. Cerca de 95% da massa óssea adulta está formada no fim da adolescência, e de 60% a 80% dela é definida pela genética, segundo o PCDT. Um pico de massa óssea maior pode evitar ou atrasar a osteoporose, diz o protocolo.
A menopausa acelera a perda. No Brasil, ela acontece em média entre 48 e 52 anos, segundo a nota técnica do Ministério da Saúde sobre menopausa. Sem estrogênio, aumentam as células que desmancham o osso, explica a FEBRASGO. A densidade óssea cai rapidamente nos primeiros cinco anos após a menopausa e, depois, num ritmo parecido com o dos homens, descreve o Manual MSD.
Quais são os fatores de risco?
Os principais fatores de risco, segundo o Manual MSD e o PCDT, são:
- Menopausa, principalmente a menopausa precoce, antes dos 40 anos.
- Baixo peso e corpo pequeno.
- Tabagismo, atual ou passado, e excesso de álcool.
- Uso prolongado de corticoide e de remédios hormonais contra o câncer de mama, como os inibidores de aromatase.
- Histórico familiar: pai ou mãe com fratura de quadril, ou parentes com osteoporose.
- Vida sedentária.
- Fratura anterior depois de um trauma leve.
- Doenças como artrite reumatoide e diabetes tipo 1.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a SBEM, acrescenta pouco consumo de laticínios e alguns anticonvulsivantes. Se você passou por cirurgia ginecológica, veja também o guia sobre saúde da mulher após a histerectomia.
Quando fazer a densitometria óssea?
A densitometria é indicada para todas as mulheres a partir dos 65 anos e, antes disso, para quem tem fatores de risco, segundo o PCDT. O protocolo não recomenda o exame para toda a população, sem critério. A FEBRASGO lista as principais indicações:
- mulheres com 65 anos ou mais;
- mulheres na pós-menopausa com menos de 65 anos e fatores de risco;
- adultos com fratura por fragilidade;
- quem tem doenças ou usa remédios que causam perda óssea.
No SUS, o caminho começa na Unidade Básica de Saúde (UBS).
Cálcio e vitamina D: comida primeiro, suplemento com orientação
Cálcio e vitamina D são os nutrientes mais importantes para o osso, segundo o PCDT. O protocolo recomenda de 1.000 a 1.200 mg de cálcio por dia. O suplemento entra quando a alimentação não alcança essa quantidade.
Leite, iogurte e queijo são boas fontes de cálcio. A SBEM cita também brócolis, espinafre e peixes. Quem não consome laticínios precisa planejar outras fontes, como mostra o guia sobre saúde da mulher vegetariana e vegana.
Para a vitamina D, a SBEM orienta sol em horário saudável, até as 10h e depois das 15h. Suplemento, só com avaliação médica. Veja mais em deficiências nutricionais comuns em mulheres.
Quais exercícios protegem os ossos?
Os que mais ajudam são os de impacto, em que o corpo sustenta o próprio peso, e os de força, que aumentam a densidade dos ossos, explica o PCDT.
- Impacto: caminhar e subir escadas aumentam a densidade óssea, segundo o Manual MSD.
- Força: musculação e pilates. A Sociedade Brasileira de Reumatologia cita também corrida e dança e recomenda atividade física pelo menos três vezes por semana.
- Equilíbrio: tai chi e exercícios como ficar em um pé só ajudam a evitar quedas, segundo o Manual MSD.
Quem já tem osteoporose, fratura na coluna ou problema nas articulações deve montar o treino com o médico ou um fisioterapeuta.
Como prevenir quedas?
Quedas e fraturas andam juntas: o PCDT fala em forte relação de causa entre elas. As medidas principais, segundo o protocolo e o Manual MSD, são:
- Revisar com o médico os remédios que aumentam o risco de queda, como alguns calmantes, antidepressivos e remédios para pressão.
- Corrigir problemas de visão e de audição.
- Deixar a casa mais segura: boa iluminação, sem tapetes soltos ou fios no caminho, barras de apoio no banheiro e corrimão nas escadas.
- Manter exercícios de força e equilíbrio.
- Contar ao profissional de saúde qualquer queda, mesmo sem machucado.
Quando a osteopenia ou a osteoporose precisam de remédio?
O remédio é indicado quando o risco de fratura é alto. Pelo PCDT, isso acontece com T-escore de -2,5 ou menos, com fratura por fragilidade anterior ou com osteopenia e risco alto no FRAX.
O FRAX é uma calculadora da chance de fratura importante ou de quadril nos próximos 10 anos, para pessoas de 40 a 90 anos. A versão validada para o Brasil fica no site da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo, a ABRASSO, e o resultado deve ser interpretado com o médico.
As classes de remédio do protocolo, sempre com orientação médica, são:
- Bisfosfonatos: reduzem a destruição do osso. Os comprimidos são a primeira escolha no SUS, junto com cálcio e vitamina D; a versão na veia fica para quem não tolera o comprimido.
- Modulador seletivo do receptor de estrogênio: opção para algumas mulheres após a menopausa, por exemplo com alto risco de câncer de mama e baixo risco de trombose.
- Terapia hormonal com estrogênio: alternativa para prevenir a osteoporose em mulheres com fogachos que prejudicam a qualidade de vida.
- Anticorpo monoclonal que estimula a formação de osso: reservado para osteoporose grave ou falha do tratamento, por até um ano.
Efeitos raros, como fratura atípica do fêmur e lesão no osso da mandíbula, entram na conta. A portaria do protocolo obriga a informar o paciente sobre os riscos.
Quando procurar atendimento?
Procure a UBS se você está na menopausa e tem fatores de risco. Suspeita de fratura é urgência. Os sinais seguem o Manual MSD e o PCDT:
| Situação | O que pode ser | Onde procurar |
|---|---|---|
| Depois de uma queda: dor na virilha, não conseguir ficar de pé ou mexer a perna, perna mais curta ou virada para fora | Fratura de quadril | Urgência: SAMU 192 ou UPA |
| Dor forte e repentina nas costas, após esforço leve ou sem motivo | Fratura na coluna | UPA ou pronto atendimento no mesmo dia |
| Fratura no punho, ombro, coluna ou quadril após queda da própria altura | Osteoporose | Depois de tratar a fratura, UBS para investigar a causa |
| Perda de altura maior que 4 cm ou dor nas costas que não passa | Fraturas na coluna | UBS |
| Qualquer queda, mesmo sem machucado | Causas tratáveis de queda | UBS |
Perguntas frequentes
Osteopenia sempre vira osteoporose?
Não necessariamente. A perda de massa óssea continua com a idade e acelera nos primeiros anos após a menopausa, segundo o Manual MSD, mas o ritmo varia. Cálcio, vitamina D, exercícios de impacto e de força e não fumar ajudam a preservar o osso. O médico decide quando repetir a densitometria.
Posso tomar cálcio e vitamina D por conta própria?
O melhor é não. O PCDT recomenda buscar o cálcio primeiro na alimentação e usar suplemento quando a dieta não alcança a necessidade diária. O protocolo também alerta para o excesso de suplemento de cálcio. Converse com o médico ou o nutricionista da UBS antes de começar.
A terapia hormonal da menopausa protege os ossos?
O estrogênio reduz o risco de fraturas, segundo o PCDT, que o aceita para prevenir a osteoporose em mulheres com fogachos que prejudicam a qualidade de vida. Mas ele tem riscos, como trombose, AVC e câncer de mama. A nota técnica do Ministério da Saúde de 2026 diz que a terapia hormonal não é recomendada só para prevenir doenças crônicas. A decisão é individual.
De quanto em quanto tempo repetir a densitometria?
Depende do caso. Para quem começou tratamento, o PCDT orienta repetir o exame a cada um ou dois anos, até a massa óssea ficar estável. Para quem tem osteopenia sem tratamento, o intervalo é definido pelo médico, de acordo com a idade e o risco de fratura.
Fontes
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 22, de 22/10/2025). Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 72/2026: transição menopausal, menopausa e pós-menopausa na Atenção Primária. Acesso em 24/09/2026.
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Osteoporose e a saúde feminina. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Osteoporose. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Reumatologia. Mês de Conscientização Mundial sobre a Osteoporose. Acesso em 24/09/2026.
- Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO). FRAX Brasil. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Osteoporose. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Menopausa. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Quedas de idosos. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Fraturas do quadril. Acesso em 24/09/2026.




















