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Deficiências nutricionais específicas em mulheres: sinais, causas e soluções

Deficiências nutricionais na mulher: quais são as principais

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.

Uma deficiência nutricional, ou carência nutricional, é a falta de uma vitamina ou de um mineral no corpo, por consumo baixo, má absorção ou aumento da necessidade. Na mulher, as mais comuns envolvem ferro, ácido fólico, vitamina B12, vitamina D, cálcio e iodo. A maioria é prevenida com alimentação variada. Na gravidez, o SUS oferece suplementos de graça.

Por que a mulher tem mais risco de carências nutricionais?

Principalmente por causa da menstruação e da gravidez. Segundo o Manual MSD Versão Saúde para a Família, a perda de sangue na menstruação pode causar falta de ferro, e o crescimento do bebê exige muito ferro na gestação. Gravidez e amamentação também aumentam a necessidade de ácido fólico.

Quais são as deficiências mais comuns e como reconhecer cada uma?

Os sinais abaixo são pouco específicos e podem ter outras causas. Só a avaliação profissional confirma a carência.

NutrienteQuem tem mais riscoSinais possíveisPrincipais fontes na alimentação
FerroFluxo menstrual intenso; gestantes; adolescentes que não comem carneCansaço, fraqueza, palidez, vontade de comer gelo ou terra, unhas finas e côncavasCarnes, aves, peixes, fígado, feijão e cereais fortificados
Ácido fólicoQuem planeja engravidar, gestantes e lactantes; consumo alto de álcoolCansaço, palidez, falta de ar, língua vermelha e doloridaVerduras verdes cruas, frutas cítricas, fígado, pães enriquecidos
Vitamina B12Veganas sem suplemento, mulheres mais velhas, cirurgia bariátrica, certos remédiosCansaço, palidez, formigamento nas mãos e nos pés, dificuldade para andarCarnes, fígado, ovos, leite e peixes
Vitamina DPouca exposição ao sol, idosas, gestantes e lactantes, osteoporose, uso de corticoideDor e fraqueza nos músculos e nos ossos; fratura em quedas levesSol na pele; peixes gordurosos, gema de ovo e alimentos enriquecidos
CálcioA maioria das adultas e adolescentes; gestantesSem sinal típico; com a falta de vitamina D, pode enfraquecer os ossosLeite e derivados, sardinha com a espinha, ovos e cereais fortificados
IodoGestantes e lactantes sem acesso a sal iodadoAumento da tireoide (bócio), pele seca, intolerância ao frioSal iodado, frutos do mar, ovos e leite

Ferro: por que é a carência mais conhecida?

Porque a anemia por falta de ferro é um problema nutricional de grande magnitude no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, ela atinge principalmente crianças, mulheres em idade fértil e gestantes, e uma pesquisa nacional de 2006 encontrou anemia em 29,4% das mulheres.

Segundo o Manual MSD, mulheres que não menstruam mais não devem tomar ferro sem receita, porque ele pode dificultar o diagnóstico de um sangramento no intestino. O guia sobre ferro na saúde da mulher explica exames, tratamento e excesso.

Ácido fólico: por que começar antes de engravidar?

Para reduzir o risco de defeitos na formação do cérebro e da medula espinhal do bebê, os defeitos do tubo neural. Segundo o Manual MSD, a falta de ácido fólico na gestante aumenta esse risco.

Segundo a BVS Atenção Primária em Saúde, iniciativa do Ministério da Saúde, o ácido fólico deve ser prescrito desde antes da gestação até o fim da gravidez. Ele faz parte do Programa Nacional de Suplementação de Ferro, que oferece ferro e ácido fólico às gestantes em todos os municípios. Quem planeja engravidar pode procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) antes de tentar.

Vitamina B12: quem tem mais risco de ter falta?

Quem não come alimentos de origem animal e quem absorve mal a vitamina. Segundo o Manual MSD, a pessoa vegana desenvolve a carência se não usar suplemento. Como as reservas do fígado duram de três a cinco anos, a falta pode surgir bem depois da mudança na dieta. O mesmo manual cita outras causas:

  • cirurgia bariátrica ou retirada de parte do estômago ou do intestino;
  • alguns remédios, como antiácidos e certos remédios para diabetes;
  • idade mais avançada, porque o estômago produz menos ácido;
  • gastrite autoimune, que causa a anemia perniciosa.

A falta de B12 também pode lesar os nervos, com formigamento nas mãos e nos pés e dificuldade para andar. Lesões antigas podem ficar permanentes, por isso esses sinais pedem avaliação sem demora.

Vitamina D: quem precisa se preocupar e quem precisa de exame?

A principal causa da falta de vitamina D é a pouca exposição ao sol, porque a pele produz a vitamina com a luz solar. Segundo o Manual MSD, alimentos naturais raramente fornecem o suficiente.

O exame não é para todo mundo. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a SBEM, a dosagem é indicada para grupos de risco: idosos, gestantes, lactantes, pessoas com pouca exposição ao sol, osteoporose, doenças crônicas ou uso de remédios que prejudicam os ossos, como o corticoide. Para a população sem esses fatores, a triagem indiscriminada não está indicada.

A falta importante de vitamina D reduz a absorção de cálcio e enfraquece os ossos. O guia sobre osteopenia e prevenção precoce mostra como cuidar deles.

Cálcio: como chegar ao recomendado e o que muda na gravidez?

A maioria das brasileiras consome menos cálcio do que precisa. Segundo uma nota técnica do Ministério da Saúde, a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017–2018 encontrou consumo insuficiente em 96,1% das mulheres adultas. A média foi de cerca de 400 mg por dia, para uma recomendação de 1.000 a 1.300 mg.

As principais fontes são leite e derivados, sardinha comida com a espinha, ovos e cereais fortificados, segundo o Manual MSD. Na gravidez, o Ministério da Saúde recomenda suplemento de cálcio para todas as gestantes, da 12ª semana até o parto, para ajudar a prevenir a pré-eclâmpsia, uma forma grave de pressão alta na gestação.

Iodo: o sal iodado resolve?

Para a maioria das pessoas, sim. Segundo o Ministério da Saúde, a adição de iodo a todo o sal para consumo humano é obrigatória no Brasil desde a década de 1950. Na gravidez, a falta de iodo aumenta o risco de aborto e de problemas no desenvolvimento do bebê, e por isso gestantes e lactantes são grupo prioritário.

Segundo o Manual MSD, a carência é rara onde o sal recebe iodo, e o sinal mais visível é o aumento da tireoide, o bócio.

Alimentação vem antes do suplemento?

Sim. Na nota técnica sobre cálcio, o Ministério da Saúde reforça as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira: dar preferência a alimentos in natura e minimamente processados e evitar os ultraprocessados. Um prato variado com feijão, arroz, verduras, frutas, ovos, leite ou carnes reúne boa parte das fontes da tabela. Segundo o Manual MSD, o ferro dos vegetais é mais bem absorvido junto com vitamina C, presente em frutas como laranja e acerola.

Tomar suplemento por conta própria faz mal?

Pode fazer. Segundo o Manual MSD, megadoses de minerais sem supervisão médica podem ser tóxicas, e as vitaminas A e D em excesso se acumulam no corpo. Outros riscos:

  • Vitamina D: níveis muito altos no sangue aumentam o risco de intoxicação e de excesso de cálcio, segundo a SBEM.
  • Ácido fólico: pode melhorar a anemia da falta de B12 sem proteger os nervos, o que esconde o problema, segundo o Manual MSD.
  • Ferro: em quem não menstrua, pode mascarar um sangramento no intestino.

O tipo, a dose e o tempo de uso de qualquer suplemento devem ser definidos por médico ou nutricionista.

Quando procurar atendimento?

Procure a UBS se tiver cansaço que não passa, palidez, menstruação muito intensa, formigamento nas mãos ou nos pés ou aumento no pescoço. Marque consulta também ao planejar uma gravidez, depois de cirurgia bariátrica e ao adotar dieta vegana. Na gravidez, o Ministério da Saúde recomenda começar o pré-natal até a 12ª semana.

Ligue para o SAMU 192 ou vá a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) diante de:

  • dor no peito de início súbito ou falta de ar intensa;
  • desmaio ou confusão de início súbito;
  • alteração súbita na fala ou perda de força em um lado do corpo;
  • sangramento muito intenso, sobretudo na gravidez.

Perguntas frequentes

Cansaço constante é sempre falta de vitamina?

Não. O cansaço aparece na falta de ferro, de ácido fólico e de vitamina B12, mas tem muitas outras causas, inclusive problemas de tireoide. Tomar vitamina por conta própria pode adiar o diagnóstico. O melhor caminho é contar os sintomas na UBS, que avalia alimentação, fluxo menstrual e remédios em uso e pede exames se necessário.

Preciso fazer exame de vitamina D todo ano?

Não necessariamente. Segundo a SBEM, o exame é indicado para grupos de risco, como idosas, gestantes, lactantes e pessoas com pouca exposição ao sol, osteoporose ou uso de corticoide. Para adultas saudáveis fora desses grupos, a sociedade não indica a triagem de rotina. Quem decide é o médico.

O SUS oferece ácido fólico e ferro de graça?

Sim, para gestantes. Segundo o Ministério da Saúde, o Programa Nacional de Suplementação de Ferro é universal: todos os municípios participam e oferecem ferro e ácido fólico às gestantes. Em nota técnica de 2024, o ministério passou a recomendar também cálcio para todas as gestantes a partir da 12ª semana.

Posso tomar o cálcio e o ferro da gravidez juntos?

Não é o recomendado. Segundo o Ministério da Saúde, o cálcio deve ser tomado com pelo menos 2 horas de intervalo do ferro, porque um atrapalha a absorção do outro. A nota técnica também sugere não tomar o cálcio em jejum nem com feijão ou folhas verde-escuras. Uma opção citada é tomá-lo à noite, com leite ou suco.

Fontes

  • Ministério da Saúde. Deficiência de Ferro. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Deficiência de Iodo. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 251/2024: cálcio na gestação. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Programa Nacional de Suplementação de Ferro (instrutivo). sisaps.saude.gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. SAMU 192. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • BVS Atenção Primária em Saúde. Como deve ser a prescrição de ácido fólico e sulfato ferroso durante a gestação? aps-repo.bvs.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Valores de referência da vitamina D (2017). endocrino.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Deficiência de ferro. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Deficiência de ácido fólico. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Deficiência de vitamina B12. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Deficiência de vitamina D. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Deficiência de iodo. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Considerações gerais sobre minerais. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Considerações gerais sobre vitaminas. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
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