facebook
“Inspire-se. Supere. Conquiste. Aqui nasce a sua melhor versão.”
Prolapso uterino: 7 sinais que não deve ignorar e como agir agora

Prolapso uterino (útero caído): sintomas, graus e tratamento

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.

O prolapso uterino, também chamado de histerocele ou “útero caído”, é a descida do útero para dentro da vagina, que pode chegar à entrada vaginal ou passar dela. Fica mais comum com a idade, segundo o Manual MSD Versão Saúde para a Família. Tem tratamento: acompanhamento, exercícios, pessário ou cirurgia.

O que é prolapso uterino?

Prolapso uterino é a perda de sustentação do útero. Ele se apoia no assoalho pélvico, um conjunto de músculos e ligamentos que funciona como uma rede na base da pelve. Quando essa rede cede, o colo do útero desce e pode aparecer na entrada da vagina. Em geral, a bexiga e o reto descem junto, segundo o Manual MSD para profissionais. Veja o guia sobre prolapso da bexiga.

É comum. Somando todos os tipos, o prolapso dos órgãos pélvicos afeta de 15% a 30% das mulheres com mais de 50 anos, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO.

Quais são os graus do prolapso uterino?

O grau mostra o quanto o útero desceu em relação à entrada da vagina. A classificação recomendada, por ser mais confiável, é a POP-Q, que vai do estágio 0 ao IV, segundo o Manual MSD para profissionais:

EstágioEm linguagem simples
0Sem prolapso
IFica a mais de 1 cm acima da entrada da vagina
IIChega a até 1 cm acima ou abaixo da entrada
IIIPassa mais de 1 cm da entrada, sem sair por inteiro
IVSaída completa: é a procidência, ou prolapso uterino total

O tratamento se baseia nos sintomas, não só no grau: prolapso que não incomoda não precisa ser tratado, segundo o mesmo manual.

Quais são os sintomas do prolapso uterino?

No começo, pode não haver sintomas. Quando piora, o primeiro sinal costuma ser um volume na entrada da vagina, segundo o Manual MSD. O manual também descreve:

  • peso ou pressão na pelve, como se algo estivesse caindo;
  • dor na parte baixa das costas ou no cóccix;
  • dor na relação sexual;
  • perda de urina ou dificuldade para esvaziar a bexiga;
  • prisão de ventre;
  • no prolapso total, dor ao caminhar, sangramento, corrimento e feridas.

Os sintomas pioram em pé ou ao fazer força e melhoram ao deitar. O volume pode sumir por um tempo, porque o útero às vezes volta sozinho para dentro.

Quais são as causas e os fatores de risco?

Em geral, vários fatores se somam. A gravidez e o parto normal enfraquecem a sustentação do útero, e o risco cresce a cada parto normal, segundo o Manual MSD. O manual, o protocolo da FEBRASGO e a Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais, a SOGIMIG, citam ainda:

  • parto com fórceps, expulsão prolongada ou bebê grande;
  • idade acima de 60 anos;
  • obesidade;
  • prisão de ventre, tosse crônica e levantar peso com frequência;
  • cirurgia pélvica anterior;
  • casos na família e doenças do colágeno.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito no exame ginecológico, em repouso e com a mulher fazendo força, como para evacuar, o que deixa o prolapso visível. Segundo o protocolo da FEBRASGO, a ultrassonografia pode ajudar, por exemplo, a medir a urina que sobra na bexiga. Perda de urina ou dificuldade para urinar pedem avaliação da bexiga.

Qual é o tratamento do prolapso uterino?

O tratamento depende do incômodo. O Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, recomenda começar sem cirurgia, porque a operação tem risco de complicações e de o prolapso voltar. Idade, vida sexual, outras doenças e desejo de ter filhos pesam na escolha.

OpçãoPara quem costuma ser consideradaO que saber
AcompanhamentoSem sintomasConsultas para ver se o prolapso avança
Fisioterapia pélvicaProlapsos iniciaisAlivia sintomas; não reverte prolapso acentuado
PessárioQuem tem sintomas, inclusive quem não pode operarExige limpeza e revisões
Cirurgia com retirada do úteroSintomas que atrapalham, sem plano de gravidezMenos recidiva
Cirurgia que preserva o úteroQuem quer manter o úteroMais recidiva
Fechamento da vaginaQuem não terá relação com penetraçãoRecidiva rara

Exercícios e fisioterapia pélvica

O treino do assoalho pélvico melhora os sintomas e pode reduzir o grau nos estágios iniciais, mas não faz regredir prolapsos acentuados, segundo o protocolo da FEBRASGO. Para o útero em especial, o Manual MSD para profissionais vê pouca chance de os exercícios resolverem os sintomas e prefere o pessário. A fisioterapeuta pélvica ensina a contrair os músculos certos.

Pessário vaginal

O pessário é uma peça de silicone colocada na vagina para segurar o útero. A FEBRASGO o considera primeira linha: é eficaz e barato. O modelo em anel permite relação sem ser retirado. Nos estudos reunidos pela entidade, de 37% a 80% das mulheres abandonaram o uso.

O tamanho precisa ser ajustado pelo médico, e o pessário precisa de limpeza regular, para evitar feridas e infecção. Corrimento com mau cheiro é a queixa mais comum. Na pós-menopausa, a FEBRASGO recomenda creme vaginal de estrogênio antes e durante o uso, com orientação médica (veja atrofia vaginal). Mau cuidado pode, raramente, causar fístula.

Cirurgia

A cirurgia entra quando os sintomas continuam ou quando a mulher não quer pessário. Pode ser feita pela vagina ou pela barriga, inclusive por laparoscopia. Segundo o protocolo da FEBRASGO, não há técnica ideal para todas:

  • Com retirada do útero: a histerectomia vem junto com o reforço da sustentação, e o fundo da vagina é preso a ligamentos da pelve.
  • Com preservação do útero: o útero é fixado a ligamentos ou ao osso sacro. A cirurgia é mais curta, mas o prolapso volta com mais frequência.
  • Fechamento da vagina (colpocleise): pode ser feito com anestesia local e raramente falha, mas impede a penetração.

Qualquer técnica pode falhar: de 6% a 30% das mulheres voltam a operar, segundo o protocolo da FEBRASGO. Depois da operação, o Manual MSD orienta não levantar mais de 4,5 kg por seis semanas.

Procidência: e quando o útero fica para fora com feridas?

Na procidência, o útero sai por completo da vagina. O colo exposto ao ar e à roupa pode sangrar, ter corrimento, feridas e infecção, segundo o Manual MSD. O quadro pede avaliação médica, não tratamento caseiro. O médico pode recolocar o útero no lugar e indicar pessário. Segundo o Manual MSD para profissionais, a cirurgia deve esperar as feridas cicatrizarem.

Prolapso uterino na gravidez: o que muda?

É raro: cerca de 1 caso a cada 10 a 15 mil partos, segundo um relato de caso na revista Femina, da FEBRASGO. Os autores citam riscos como parto prematuro, aborto, infecção urinária e sangramento por ferida no colo. Não há consenso sobre o tratamento: repouso relativo e pessário são opções. No caso relatado, a gestante usou pessário até perto do parto, e o prolapso não voltou depois. A conduta é sempre individual, no pré-natal.

Quando procurar atendimento?

Procure uma consulta se sentir peso ou um volume na vagina. Na maioria das vezes, não é emergência. Estes sinais pedem atendimento rápido:

SituaçãoO que fazer
Não consegue urinarUPA ou pronto-socorro logo: pode ser preciso sonda (Manual MSD)
Útero para fora que não volta e dóiUPA ou pronto-socorro no mesmo dia
Sangramento pela vaginaConsulta rápida; se for forte, UPA ou pronto-socorro
Grávida com algo descendo pela vaginaMaternidade ou urgência, logo
Peso ou perda de urina que atrapalhaConsulta na Unidade Básica de Saúde (UBS)

Em caso grave, sem como chegar ao serviço, ligue para o SAMU 192, gratuito e 24 horas, segundo o Ministério da Saúde. A UPA 24h também funciona todos os dias.

Dá para prevenir o prolapso uterino?

Nem sempre, mas dá para reduzir o risco. A SOGIMIG recomenda fortalecer o assoalho pélvico ao longo da vida, manter o peso saudável, tratar prisão de ventre e tosse crônica e evitar o fórceps no parto, quando possível.

Perguntas frequentes

Prolapso uterino tem cura?

Depende do grau e do tratamento. Nos casos iniciais, a fisioterapia pode reduzir o grau, segundo a FEBRASGO. O pessário alivia os sintomas, mas não cura, segundo o Manual MSD. A cirurgia costuma corrigir o prolapso, mas ele pode voltar, e de 6% a 30% das mulheres precisam de nova operação, segundo o protocolo da FEBRASGO.

Preciso retirar o útero para tratar o prolapso?

Não necessariamente. Exercícios e pessário tratam sem cirurgia. Na cirurgia, a retirada do útero é comum, mas há técnicas que o preservam. Segundo a FEBRASGO, preservar o útero deixa a operação mais curta, mas aumenta a chance de o prolapso voltar. Idade, vida sexual e desejo de ter filhos entram na decisão com o cirurgião.

Posso ter relação sexual com prolapso uterino?

As fontes consultadas não proíbem, mas o prolapso pode deixar a relação desconfortável, segundo o Manual MSD. Com pessário em anel, dá para ter relação sem retirá-lo, segundo a FEBRASGO; outros modelos precisam ser retirados. Depois da cirurgia, espere a liberação do cirurgião. O fechamento da vagina impede a penetração.

Quem tem prolapso uterino pode engravidar?

As fontes consultadas não tratam o prolapso como impedimento, mas a gravidez pede acompanhamento próximo, porque o prolapso na gestação pode levar a parto prematuro. Quem ainda quer ter filhos costuma adiar a cirurgia, segundo o Manual MSD. Planeje a gravidez com o ginecologista.

Fontes

  • FEBRASGO. Prolapso dos órgãos pélvicos (Protocolo nº 65; Femina, 2019). docs.bvsalud.org. Acesso em 24/09/2026.
  • FEBRASGO. Pessários vaginais e prolapso de órgãos pélvicos. febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Femina (FEBRASGO). Prolapso uterino na gestação: relato de caso (2022). docs.bvsalud.org. Acesso em 24/09/2026.
  • IFF/Fiocruz. Manejo conservador do prolapso genital. portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br. Acesso em 24/09/2026.
  • SOGIMIG (site da AMMG). Prolapso genital. ammg.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. SAMU 192. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. UPA 24h. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD (Saúde para a Família). Prolapso de órgãos pélvicos (POP). msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD (Saúde para a Família). Retenção urinária. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD (profissionais). Prolapso uterino e apical. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD (profissionais). Visão geral do prolapso do órgão pélvico. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
Facebook
Pinterest
X
Threads
Email
Print

Leia Outros Artigos