Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
O prolapso uterino, também chamado de histerocele ou “útero caído”, é a descida do útero para dentro da vagina, que pode chegar à entrada vaginal ou passar dela. Fica mais comum com a idade, segundo o Manual MSD Versão Saúde para a Família. Tem tratamento: acompanhamento, exercícios, pessário ou cirurgia.
O que é prolapso uterino?
Prolapso uterino é a perda de sustentação do útero. Ele se apoia no assoalho pélvico, um conjunto de músculos e ligamentos que funciona como uma rede na base da pelve. Quando essa rede cede, o colo do útero desce e pode aparecer na entrada da vagina. Em geral, a bexiga e o reto descem junto, segundo o Manual MSD para profissionais. Veja o guia sobre prolapso da bexiga.
É comum. Somando todos os tipos, o prolapso dos órgãos pélvicos afeta de 15% a 30% das mulheres com mais de 50 anos, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO.
Quais são os graus do prolapso uterino?
O grau mostra o quanto o útero desceu em relação à entrada da vagina. A classificação recomendada, por ser mais confiável, é a POP-Q, que vai do estágio 0 ao IV, segundo o Manual MSD para profissionais:
| Estágio | Em linguagem simples |
|---|---|
| 0 | Sem prolapso |
| I | Fica a mais de 1 cm acima da entrada da vagina |
| II | Chega a até 1 cm acima ou abaixo da entrada |
| III | Passa mais de 1 cm da entrada, sem sair por inteiro |
| IV | Saída completa: é a procidência, ou prolapso uterino total |
O tratamento se baseia nos sintomas, não só no grau: prolapso que não incomoda não precisa ser tratado, segundo o mesmo manual.
Quais são os sintomas do prolapso uterino?
No começo, pode não haver sintomas. Quando piora, o primeiro sinal costuma ser um volume na entrada da vagina, segundo o Manual MSD. O manual também descreve:
- peso ou pressão na pelve, como se algo estivesse caindo;
- dor na parte baixa das costas ou no cóccix;
- dor na relação sexual;
- perda de urina ou dificuldade para esvaziar a bexiga;
- prisão de ventre;
- no prolapso total, dor ao caminhar, sangramento, corrimento e feridas.
Os sintomas pioram em pé ou ao fazer força e melhoram ao deitar. O volume pode sumir por um tempo, porque o útero às vezes volta sozinho para dentro.
Quais são as causas e os fatores de risco?
Em geral, vários fatores se somam. A gravidez e o parto normal enfraquecem a sustentação do útero, e o risco cresce a cada parto normal, segundo o Manual MSD. O manual, o protocolo da FEBRASGO e a Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais, a SOGIMIG, citam ainda:
- parto com fórceps, expulsão prolongada ou bebê grande;
- idade acima de 60 anos;
- obesidade;
- prisão de ventre, tosse crônica e levantar peso com frequência;
- cirurgia pélvica anterior;
- casos na família e doenças do colágeno.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito no exame ginecológico, em repouso e com a mulher fazendo força, como para evacuar, o que deixa o prolapso visível. Segundo o protocolo da FEBRASGO, a ultrassonografia pode ajudar, por exemplo, a medir a urina que sobra na bexiga. Perda de urina ou dificuldade para urinar pedem avaliação da bexiga.
Qual é o tratamento do prolapso uterino?
O tratamento depende do incômodo. O Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, recomenda começar sem cirurgia, porque a operação tem risco de complicações e de o prolapso voltar. Idade, vida sexual, outras doenças e desejo de ter filhos pesam na escolha.
| Opção | Para quem costuma ser considerada | O que saber |
|---|---|---|
| Acompanhamento | Sem sintomas | Consultas para ver se o prolapso avança |
| Fisioterapia pélvica | Prolapsos iniciais | Alivia sintomas; não reverte prolapso acentuado |
| Pessário | Quem tem sintomas, inclusive quem não pode operar | Exige limpeza e revisões |
| Cirurgia com retirada do útero | Sintomas que atrapalham, sem plano de gravidez | Menos recidiva |
| Cirurgia que preserva o útero | Quem quer manter o útero | Mais recidiva |
| Fechamento da vagina | Quem não terá relação com penetração | Recidiva rara |
Exercícios e fisioterapia pélvica
O treino do assoalho pélvico melhora os sintomas e pode reduzir o grau nos estágios iniciais, mas não faz regredir prolapsos acentuados, segundo o protocolo da FEBRASGO. Para o útero em especial, o Manual MSD para profissionais vê pouca chance de os exercícios resolverem os sintomas e prefere o pessário. A fisioterapeuta pélvica ensina a contrair os músculos certos.
Pessário vaginal
O pessário é uma peça de silicone colocada na vagina para segurar o útero. A FEBRASGO o considera primeira linha: é eficaz e barato. O modelo em anel permite relação sem ser retirado. Nos estudos reunidos pela entidade, de 37% a 80% das mulheres abandonaram o uso.
O tamanho precisa ser ajustado pelo médico, e o pessário precisa de limpeza regular, para evitar feridas e infecção. Corrimento com mau cheiro é a queixa mais comum. Na pós-menopausa, a FEBRASGO recomenda creme vaginal de estrogênio antes e durante o uso, com orientação médica (veja atrofia vaginal). Mau cuidado pode, raramente, causar fístula.
Cirurgia
A cirurgia entra quando os sintomas continuam ou quando a mulher não quer pessário. Pode ser feita pela vagina ou pela barriga, inclusive por laparoscopia. Segundo o protocolo da FEBRASGO, não há técnica ideal para todas:
- Com retirada do útero: a histerectomia vem junto com o reforço da sustentação, e o fundo da vagina é preso a ligamentos da pelve.
- Com preservação do útero: o útero é fixado a ligamentos ou ao osso sacro. A cirurgia é mais curta, mas o prolapso volta com mais frequência.
- Fechamento da vagina (colpocleise): pode ser feito com anestesia local e raramente falha, mas impede a penetração.
Qualquer técnica pode falhar: de 6% a 30% das mulheres voltam a operar, segundo o protocolo da FEBRASGO. Depois da operação, o Manual MSD orienta não levantar mais de 4,5 kg por seis semanas.
Procidência: e quando o útero fica para fora com feridas?
Na procidência, o útero sai por completo da vagina. O colo exposto ao ar e à roupa pode sangrar, ter corrimento, feridas e infecção, segundo o Manual MSD. O quadro pede avaliação médica, não tratamento caseiro. O médico pode recolocar o útero no lugar e indicar pessário. Segundo o Manual MSD para profissionais, a cirurgia deve esperar as feridas cicatrizarem.
Prolapso uterino na gravidez: o que muda?
É raro: cerca de 1 caso a cada 10 a 15 mil partos, segundo um relato de caso na revista Femina, da FEBRASGO. Os autores citam riscos como parto prematuro, aborto, infecção urinária e sangramento por ferida no colo. Não há consenso sobre o tratamento: repouso relativo e pessário são opções. No caso relatado, a gestante usou pessário até perto do parto, e o prolapso não voltou depois. A conduta é sempre individual, no pré-natal.
Quando procurar atendimento?
Procure uma consulta se sentir peso ou um volume na vagina. Na maioria das vezes, não é emergência. Estes sinais pedem atendimento rápido:
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Não consegue urinar | UPA ou pronto-socorro logo: pode ser preciso sonda (Manual MSD) |
| Útero para fora que não volta e dói | UPA ou pronto-socorro no mesmo dia |
| Sangramento pela vagina | Consulta rápida; se for forte, UPA ou pronto-socorro |
| Grávida com algo descendo pela vagina | Maternidade ou urgência, logo |
| Peso ou perda de urina que atrapalha | Consulta na Unidade Básica de Saúde (UBS) |
Em caso grave, sem como chegar ao serviço, ligue para o SAMU 192, gratuito e 24 horas, segundo o Ministério da Saúde. A UPA 24h também funciona todos os dias.
Dá para prevenir o prolapso uterino?
Nem sempre, mas dá para reduzir o risco. A SOGIMIG recomenda fortalecer o assoalho pélvico ao longo da vida, manter o peso saudável, tratar prisão de ventre e tosse crônica e evitar o fórceps no parto, quando possível.
Perguntas frequentes
Prolapso uterino tem cura?
Depende do grau e do tratamento. Nos casos iniciais, a fisioterapia pode reduzir o grau, segundo a FEBRASGO. O pessário alivia os sintomas, mas não cura, segundo o Manual MSD. A cirurgia costuma corrigir o prolapso, mas ele pode voltar, e de 6% a 30% das mulheres precisam de nova operação, segundo o protocolo da FEBRASGO.
Preciso retirar o útero para tratar o prolapso?
Não necessariamente. Exercícios e pessário tratam sem cirurgia. Na cirurgia, a retirada do útero é comum, mas há técnicas que o preservam. Segundo a FEBRASGO, preservar o útero deixa a operação mais curta, mas aumenta a chance de o prolapso voltar. Idade, vida sexual e desejo de ter filhos entram na decisão com o cirurgião.
Posso ter relação sexual com prolapso uterino?
As fontes consultadas não proíbem, mas o prolapso pode deixar a relação desconfortável, segundo o Manual MSD. Com pessário em anel, dá para ter relação sem retirá-lo, segundo a FEBRASGO; outros modelos precisam ser retirados. Depois da cirurgia, espere a liberação do cirurgião. O fechamento da vagina impede a penetração.
Quem tem prolapso uterino pode engravidar?
As fontes consultadas não tratam o prolapso como impedimento, mas a gravidez pede acompanhamento próximo, porque o prolapso na gestação pode levar a parto prematuro. Quem ainda quer ter filhos costuma adiar a cirurgia, segundo o Manual MSD. Planeje a gravidez com o ginecologista.
Fontes
- FEBRASGO. Prolapso dos órgãos pélvicos (Protocolo nº 65; Femina, 2019). docs.bvsalud.org. Acesso em 24/09/2026.
- FEBRASGO. Pessários vaginais e prolapso de órgãos pélvicos. febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Femina (FEBRASGO). Prolapso uterino na gestação: relato de caso (2022). docs.bvsalud.org. Acesso em 24/09/2026.
- IFF/Fiocruz. Manejo conservador do prolapso genital. portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br. Acesso em 24/09/2026.
- SOGIMIG (site da AMMG). Prolapso genital. ammg.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. SAMU 192. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. UPA 24h. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD (Saúde para a Família). Prolapso de órgãos pélvicos (POP). msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD (Saúde para a Família). Retenção urinária. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD (profissionais). Prolapso uterino e apical. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD (profissionais). Visão geral do prolapso do órgão pélvico. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.




















