Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
Atrofia vaginal é o afinamento, o ressecamento e a inflamação das paredes da vagina causados pela queda do estrogênio, algo mais comum depois da menopausa, segundo o Manual MSD. Hoje os médicos usam um nome mais amplo, síndrome geniturinária da menopausa, porque a falta de estrogênio também afeta a vulva, a uretra e a bexiga. O quadro é frequente, tende a piorar sem tratamento e tem opções eficazes, com e sem hormônio, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO.
O que é atrofia vaginal?
Atrofia vaginal é a mudança que a vagina sofre quando recebe pouco estrogênio: os tecidos ficam mais finos, secos e menos elásticos. O estrogênio é o hormônio que mantém a lubrificação, a elasticidade e a espessura da vagina.
Sem ele, o pH vaginal sobe, a flora vaginal muda e a mucosa fica mais sensível a irritações e pequenos machucados, explica a FEBRASGO. A uretra e a bexiga também têm receptores de estrogênio. Por isso, podem surgir sintomas urinários. Outro nome para o problema é vaginite atrófica.
Atrofia vaginal e síndrome geniturinária da menopausa são a mesma coisa?
Na prática, sim. Síndrome geniturinária da menopausa é o nome atual do que antes se chamava atrofia vulvovaginal. O termo novo descreve melhor o quadro, que vai além da vagina, explica o Manual MSD.
A FEBRASGO define a síndrome como um conjunto de sinais e sintomas genitais, urinários e sexuais causados pela falta de estrogênio na vagina, nos lábios vaginais, na uretra e na bexiga. O nome foi proposto em 2014 por duas sociedades médicas internacionais. Na Nota Técnica Conjunta nº 72/2026, o Ministério da Saúde registra o quadro com o código N95.2 da CID-10, “vaginite atrófica pós-menopausa”.
A atrofia vaginal é comum?
Sim, é muito comum. Segundo a FEBRASGO, ela afeta de 36% a quase 90% das mulheres na perimenopausa e na pós-menopausa, e já aparece em 19% das mulheres entre 40 e 45 anos.
Mesmo assim, mais de 70% das mulheres com sintomas não contam a queixa ao médico, aponta a FEBRASGO. E os profissionais de saúde nem sempre perguntam sobre o assunto nem oferecem tratamento.
Quais são os sintomas da atrofia vaginal?
Os sintomas mais comuns são secura vaginal, dor na relação e irritação íntima. Em pesquisa citada pela FEBRASGO, as queixas mais relatadas foram ressecamento vaginal (55%), dor na relação (44%) e irritação genital (37%). O quadro completo pode incluir:
- Genitais: secura, coceira, ardência na vagina e na vulva, corrimento diferente do habitual e pequenos sangramentos.
- Sexuais: dor na penetração, menos lubrificação e sangramento depois da relação.
- Urinários: urgência para urinar, idas mais frequentes ao banheiro, inclusive à noite, ardência ao urinar e infecções urinárias de repetição.
Quem está há um tempo sem relações e pretende retomá-las pode tratar antes, para evitar dor, orienta a FEBRASGO.
Quais são as causas e os fatores de risco?
A causa principal é a queda natural do estrogênio na menopausa. Na Nota Técnica nº 72/2026, o Ministério da Saúde define menopausa como 12 meses seguidos sem menstruação. Isso ocorre em média entre 48 e 52 anos. O estrogênio também cai em outras situações, segundo o Manual MSD:
- pós-parto e amamentação;
- retirada cirúrgica dos ovários;
- quimioterapia e radioterapia contra o câncer, que podem levar à menopausa precoce.
Podem causar ou piorar a secura e a irritação: sabonetes perfumados, duchas vaginais, sprays de higiene íntima e perfumes, segundo o Manual MSD. O mesmo manual cita alguns antialérgicos, que podem deixar a vagina levemente seca por um tempo.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico: conversa sobre os sintomas e exame ginecológico, segundo a FEBRASGO. No exame, as paredes da vagina podem aparecer finas, pálidas ou avermelhadas.
O profissional pode medir o pH vaginal e analisar o corrimento para descartar infecções, como a candidíase, explica o Manual MSD. Acima dos 40 anos, o Ministério da Saúde não indica exames hormonais de rotina para confirmar a menopausa, salvo em situações específicas. Se o tratamento falhar, a FEBRASGO orienta investigar outras causas, como vulvodínia e disfunção do assoalho pélvico.
Qual é o tratamento para atrofia vaginal?
O tratamento depende da intensidade dos sintomas e da história de saúde. Para sintomas leves, a primeira escolha são lubrificantes e hidratantes vaginais; para sintomas moderados a intensos, o estrogênio vaginal em baixa dose é o mais eficaz, segundo a FEBRASGO. Tratamento com hormônio exige prescrição e acompanhamento médico. Hidratantes e lubrificantes não têm hormônio: aliviam o desconforto, mas não revertem o afinamento da vagina.
| Opção | Para quem costuma ser indicada | O que saber |
|---|---|---|
| Lubrificante à base de água ou silicone | Dor ou atrito na relação | Usado na hora. Alivia, mas não trata o afinamento. |
| Hidratante vaginal | Secura no dia a dia e sintomas leves | Uso regular, a cada 2 ou 3 dias. Não recupera a espessura. |
| Estrogênio vaginal em baixa dose | Sintomas moderados a intensos ou que não melhoram | Opção mais eficaz. Pouco absorvido. Exige receita. |
| Terapia hormonal sistêmica | Quem também tem fogachos e outros sintomas da menopausa | Avaliação individual de riscos. Para a secura, é menos eficaz que o estrogênio vaginal. |
| Fisioterapia pélvica e dilatadores | Quem não melhora, não pode usar hormônio ou tem estreitamento vaginal | Com orientação profissional. |
| Laser ou radiofrequência | Ainda em estudo | Evidência limitada. |
Estrogênio de uso vaginal
É aplicado dentro da vagina, em creme, comprimido vaginal ou anel, e só uma pequena parte chega ao sangue. Como a dose é muito menor que a da terapia hormonal tradicional, os riscos são considerados menores, segundo o Manual MSD.
A FEBRASGO recomenda mantê-lo enquanto os sintomas persistirem, com acompanhamento. Também pode melhorar a urgência e a frequência urinária e a incontinência; para infecções urinárias de repetição, a evidência é mais fraca. Sangramento durante o uso deve ser avaliado.
Segundo o Ministério da Saúde, um estrogênio de uso vaginal está disponível no SUS para a síndrome geniturinária. A oferta é organizada por estados e municípios, e a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde.
Terapia hormonal sistêmica
Costuma ser usada quando há também fogachos e outros sintomas da menopausa, explica o Manual MSD. O Ministério da Saúde a considera eficaz para sintomas geniturinários persistentes, especialmente antes dos 60 anos, sem contraindicações e após análise de riscos e benefícios.
Fisioterapia pélvica, dilatadores e laser
Segundo o posicionamento da FEBRASGO, quem não melhora com o tratamento vaginal, ou não pode usar hormônio, deve ser avaliada por fisioterapeuta pélvico. Dilatadores ajudam quando a entrada da vagina fica estreita. Laser e radiofrequência ainda estão em estudo, com pesquisas pequenas e, na maioria, sem grupo de comparação.
Quem já teve câncer de mama
Segundo a FEBRASGO, a primeira linha são lubrificantes e hidratantes. O estrogênio vaginal deve ser evitado e só entra em casos particulares, em decisão conjunta com o oncologista.
Quando procurar atendimento?
Procure a Unidade Básica de Saúde ou um ginecologista se a secura, a dor ou a ardência atrapalham a rotina ou não melhoram com hidratante e lubrificante. Alguns sinais pedem mais pressa, segundo o Manual MSD, a Sociedade Brasileira de Nefrologia e a FEBRASGO:
| Sinal | O que fazer |
|---|---|
| Secura, coceira ou dor na relação que não melhoram com hidratante e lubrificante | Agendar consulta na UBS ou com ginecologista |
| Corrimento diferente do habitual ou sangramento depois da relação | Consulta em breve |
| Qualquer sangramento depois da menopausa, mesmo pequeno | Marcar avaliação médica logo: é sempre um sinal de alerta |
| Infecção urinária de repetição (2 em 6 meses ou 3 em 12 meses) | Consulta para investigar a causa |
| Sintomas urinários com febre, calafrios ou dor nas costas, na altura dos rins | Atendimento no mesmo dia |
| Sintomas urinários com confusão ou sonolência intensa (em idosas, podem ser os primeiros sinais) | Emergência: ligue 192 (SAMU) |
Depois da menopausa, a causa mais comum de sangramento é o próprio afinamento da vagina ou do útero. Pólipos e o espessamento do endométrio (hiperplasia endometrial) também podem causá-lo. Mas o sangramento pode ser sinal de câncer, por isso deve sempre ser avaliado, orienta o Manual MSD.
Dá para prevenir a atrofia vaginal?
Não é possível impedir a queda natural do estrogênio, mas alguns cuidados reduzem a irritação. Tratar cedo também ajuda, porque os sintomas tendem a se agravar com o tempo, segundo a FEBRASGO.
- Lave a região com água ou sabonete suave e sem perfume, e evite duchas vaginais, que removem as bactérias protetoras da vagina, orienta o Manual MSD.
- Não fume: parar de fumar faz parte dos cuidados básicos na menopausa, segundo o Ministério da Saúde.
- Atividade sexual regular, com ou sem parceria, aumenta o fluxo de sangue na vagina e ajuda a manter os tecidos flexíveis, segundo o Manual MSD.
- Use preservativo: ele continua sendo a proteção contra infecções sexualmente transmissíveis, inclusive o HIV, lembra o Ministério da Saúde.
- Fale dos sintomas nas consultas, a partir dos 40 anos, como orienta o Ministério da Saúde à atenção primária.
Perguntas frequentes
Atrofia vaginal tem cura?
Não há cura definitiva, porque o quadro depende da falta de estrogênio. A FEBRASGO descreve a síndrome geniturinária como crônica, mas os sintomas podem ser controlados com tratamento adequado. Por isso, orienta manter o estrogênio vaginal em baixa dose enquanto os sintomas persistirem, com acompanhamento médico.
Dá para ter atrofia vaginal antes da menopausa?
Pode. Pós-parto, amamentação, retirada dos ovários, quimioterapia e radioterapia reduzem o estrogênio e podem causar o problema, segundo o Manual MSD. A FEBRASGO registra atrofia em 19% das mulheres entre 40 e 45 anos, antes da menopausa. Secura persistente merece avaliação em qualquer idade.
Atrofia vaginal causa infecção urinária?
Pode aumentar o risco. Com menos estrogênio, o revestimento da uretra fica mais fino, e os micro-organismos entram com mais facilidade, explica o Manual MSD. Na menopausa, o estrogênio vaginal pode reduzir novas infecções em quem tem episódios repetidos, segundo a FEBRASGO, mas a evidência é mais fraca que para a secura. Infecções que surgem depois do sexo também podem ter outras causas, explicadas no texto sobre cistite pós-coito.
Posso usar óleo de coco ou vaselina como lubrificante?
Não é o mais indicado. Lubrificantes à base de óleo, como a vaselina, podem danificar a camisinha de látex e aumentar o risco de rompimento, alerta o Ministério da Saúde. O Manual MSD acrescenta que os óleos costumam ressecar a vagina. Prefira lubrificantes à base de água ou de silicone, próprios para uso íntimo.
Atrofia vaginal é a mesma coisa que candidíase?
Não. As duas podem causar coceira, vermelhidão, ardência e desconforto, mas a atrofia vem da falta de estrogênio e a candidíase, de um fungo, explica o Manual MSD. Os tratamentos são diferentes. Por isso, a causa deve ser confirmada por um profissional antes do tratamento.
Fontes
- Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 72/2026-DGCI/DESF/DEPROS: transição menopausal, menopausa e pós-menopausa na Atenção Primária. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Usar preservativos externos, internos e gel lubrificante. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- FEBRASGO. FEBRASGO Position Statement nº 3: Síndrome geniturinária da menopausa (Femina, 2022). docs.bvsalud.org. Acesso em 24/09/2026.
- FEBRASGO. Infecção urinária de repetição: aspectos atuais. febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Nefrologia. Infecção urinária. sbn.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Menopausa. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Menopausa precoce. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Considerações gerais sobre a vaginite (infecção ou inflamação vaginal). msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Considerações gerais sobre a função e disfunção sexual em mulheres. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Transtorno da dor gênito-pélvica/penetração. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Sangramento vaginal. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.




















