Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
Amenorreia é a ausência de menstruação. Ela é normal antes da puberdade, na gravidez, na amamentação e depois da menopausa. Fora dessas fases, é um sinal que merece investigação: a primeira causa a descartar é a gravidez, e a maioria das outras causas tem tratamento.
O que é amenorreia?
Amenorreia é a falta da menstruação numa fase da vida em que ela deveria acontecer. Não é uma doença em si, mas um sintoma com várias origens possíveis, segundo o protocolo de amenorreia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO.
A menstruação depende de uma cadeia de comandos entre o cérebro (hipotálamo e hipófise), os ovários e o útero. Segundo o Manual MSD Versão Saúde para a Família, a tireoide e a prolactina, hormônio ligado à produção de leite, também interferem no ciclo. Uma falha em qualquer ponto pode interromper a menstruação.
Qual é a diferença entre amenorreia primária e secundária?
Amenorreia primária é quando a menina nunca menstruou. Amenorreia secundária é quando a menstruação já vinha e parou. A secundária é muito mais comum, segundo o Manual MSD.
Pelos critérios publicados pela FEBRASGO em 2025, a investigação é indicada nestas situações:
- Primária: nenhuma menstruação aos 13 anos sem crescimento das mamas nem outros sinais de puberdade; aos 15 anos, mesmo com a puberdade em andamento; ou três anos depois do início do crescimento das mamas, quando ele começou antes dos 10 anos.
- Secundária: três meses seguidos sem menstruar em quem tinha ciclos regulares, ou seis meses em quem tinha ciclos irregulares.
O protocolo anterior da FEBRASGO traz outros alertas. Menos de nove menstruações em um ano também justificam avaliação. A menina com mamas desenvolvidas, sem menstruação e com cólica todo mês deve ser avaliada antes dos 15 anos, porque algo pode estar bloqueando a saída do sangue. E sinais de condições genéticas, como a síndrome de Turner, pedem investigação em qualquer idade.
Por que a gravidez é a primeira causa a descartar?
Porque a gravidez é a causa mais comum de falta de menstruação na idade fértil. O Manual MSD explica que o teste de gravidez costuma ser o primeiro exame, às vezes até em adolescentes que ainda não menstruaram.
No SUS, o teste rápido de gravidez pode ser feito na Unidade Básica de Saúde (UBS), com acesso livre, segundo o protocolo de saúde das mulheres do Ministério da Saúde para a atenção básica. Se der negativo e a suspeita continuar, o teste pode ser repetido ou confirmado no sangue.
Quais são as causas mais comuns da amenorreia?
Fora da gravidez e da amamentação, as causas mais comuns de amenorreia secundária são a síndrome dos ovários policísticos, a amenorreia hipotalâmica funcional e a insuficiência ovariana prematura. Segundo a FEBRASGO, a amenorreia secundária sem causa fisiológica atinge cerca de 3% a 4% das mulheres.
A amenorreia primária é rara. As causas mais frequentes são condições genéticas, como a síndrome de Turner, e alterações de nascença que bloqueiam a saída do sangue, como o hímen sem abertura. Às vezes, a puberdade apenas começa mais tarde, sem doença nenhuma.
Pistas de cada causa, segundo o Manual MSD, a FEBRASGO e o protocolo do Ministério da Saúde:
| Causa | Pistas que podem aparecer |
|---|---|
| Amamentação | Fase esperada, que não exige tratamento. |
| Síndrome dos ovários policísticos | Ciclos irregulares, acne, excesso de pelos, queda de cabelo e, muitas vezes, ganho de peso. |
| Amenorreia hipotalâmica | Estresse intenso, perda de peso, dieta muito restritiva, exercício pesado ou transtorno alimentar. |
| Prolactina alta | Saída de leite pelas mamas sem amamentar, dor de cabeça, alteração da visão. Alguns antidepressivos, antipsicóticos e remédios para o estômago elevam a prolactina. |
| Tireoide | Cansaço, frio, intestino preso e pele seca (hipotireoidismo); calor, tremor e perda de peso (hipertireoidismo). |
| Anticoncepcionais hormonais | Uso atual ou recente, principalmente do injetável trimestral. |
| Insuficiência ovariana prematura | Menstruação que para antes dos 40 anos, com ondas de calor, suor noturno ou secura vaginal. |
| Menopausa | Mais de 40 anos e sintomas do climatério. |
| Alterações no útero | Curetagem, cirurgia ou infecção no útero no passado, que podem deixar aderências. |
A menopausa, pela definição do Ministério da Saúde, só é confirmada após 12 meses seguidos sem menstruar e costuma ocorrer entre os 48 e os 50 anos.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela conversa e pelo exame físico, que muitas vezes já apontam a causa. Segundo a FEBRASGO, a consulta deve perguntar sobre a última menstruação, a vida sexual, dietas, exercício, peso, estresse, remédios em uso, saída de leite pelas mamas, dor de cabeça, ondas de calor, acne, excesso de pelos e cirurgias no útero.
Para a maioria das mulheres com amenorreia secundária, a FEBRASGO indica quatro exames iniciais: teste de gravidez, FSH (hormônio que estimula os ovários), prolactina e TSH (hormônio que regula a tireoide). Conforme os resultados, podem ser pedidos:
- ultrassom pélvico, que mostra o útero e os ovários;
- dosagem de hormônios masculinos, quando há acne ou excesso de pelos;
- ressonância magnética da hipófise, quando a prolactina está alta ou há dor de cabeça com alteração da visão;
- cariótipo, o exame dos cromossomos, quando o FSH está alto antes dos 30 anos;
- histeroscopia ou outros exames do interior do útero, quando houve curetagem ou cirurgia.
Qual é o tratamento da amenorreia?
O tratamento é o da causa e leva em conta os planos da mulher, principalmente o desejo de engravidar, segundo o protocolo da FEBRASGO. Quando a causa é corrigida, a menstruação muitas vezes volta. Todos os remédios abaixo exigem indicação e acompanhamento médico:
- Tireoide: no hipotireoidismo, repor o hormônio da tireoide pode bastar para a menstruação voltar.
- Prolactina alta: remédios que reduzem a prolactina controlam a maioria dos casos, inclusive pequenos tumores benignos da hipófise.
- Síndrome dos ovários policísticos: atividade física e perda de peso quando há excesso. O Ministério da Saúde ressalta que o exercício traz benefício mesmo sem emagrecimento. Para regular o ciclo, o médico pode indicar progestagênio em ciclos ou anticoncepcional combinado.
- Amenorreia hipotalâmica: ajuste da alimentação, do peso e do treino, com apoio psicológico. Nos transtornos alimentares, o cuidado é feito por equipe multiprofissional.
- Insuficiência ovariana prematura: reposição de estrogênio, em geral até por volta dos 51 anos, segundo o Manual MSD. Quem tem útero recebe também progestagênio.
- Alterações no útero ou na vagina: aderências são desfeitas por histeroscopia, e bloqueios de nascença são corrigidos com cirurgia.
Quando há desejo de gravidez, muitas causas permitem estimular a ovulação com medicamentos. Na insuficiência ovariana prematura, a gravidez costuma depender de óvulos doados.
Quais são os riscos de ficar muito tempo sem menstruar?
O principal risco é a falta prolongada de estrogênio, que enfraquece os ossos. Segundo o Manual MSD, a amenorreia longa pode trazer problemas parecidos com os da menopausa: ondas de calor, secura vaginal, perda de massa óssea e mais risco de doenças do coração.
- Ossos: a perda de densidade óssea aumenta o risco de fraturas. Veja mais sobre osteopenia e prevenção precoce.
- Endométrio: quando a mulher não ovula, como na síndrome dos ovários policísticos, o revestimento do útero fica sem a proteção da progesterona. Por isso a FEBRASGO indica tratamentos hormonais que protegem contra o câncer de endométrio.
- Fertilidade: na maioria das mulheres com amenorreia, os ovários não liberam óvulos, o que dificulta a gravidez.
- Bem-estar emocional: a situação pode afetar a autoestima, e a FEBRASGO recomenda apoio psicológico quando necessário.
Quando procurar atendimento?
Procure a UBS ou um ginecologista quando a menstruação faltar pelos prazos acima. Não espere diante dos sinais de alerta do Manual MSD e do protocolo do Ministério da Saúde:
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Três meses sem menstruar, menos de nove menstruações por ano ou mudança súbita no padrão | Consulta na UBS ou com ginecologista, sem urgência. |
| Menina sem nenhum sinal de puberdade aos 13 anos ou sem menstruar aos 15 | Consulta com pediatra ou ginecologista nas próximas semanas. |
| Saída de leite sem amamentar, dor de cabeça com alteração da visão, perda do olfato ou mudança grande de peso | Consulta médica em breve. |
| Ondas de calor e suor noturno antes dos 40 anos | Consulta para avaliar insuficiência ovariana prematura. |
| Excesso de pelos, voz mais grossa e aumento dos músculos surgindo de forma rápida | Avaliação médica rápida, pois pode haver tumor produtor de hormônio. |
| Possível gravidez com dor forte e súbita no baixo ventre, sangramento, tontura ou desmaio | Urgência: ligue para o SAMU 192 ou vá a uma UPA 24h ou pronto-socorro. |
O último caso pode indicar gravidez fora do útero, que exige atendimento imediato porque pode causar sangramento grave, segundo o Manual MSD.
Perguntas frequentes
O anticoncepcional pode fazer a menstruação parar?
Pode, e em geral isso é reversível. O protocolo do Ministério da Saúde informa que o injetável trimestral faz a menstruação parar na maioria das mulheres após seis meses de uso. Depois de parar a pílula, a menstruação costuma voltar em dois meses, mas pode levar até seis. Depois do injetável, pode levar até um ano. Leia também sobre a saúde da mulher após o uso prolongado de anticoncepcionais.
Estresse pode fazer a menstruação parar?
Sim. Estresse intenso, perda de peso, dieta muito restritiva e exercício pesado podem desligar o comando do cérebro sobre os ovários. É a amenorreia hipotalâmica, descrita pelo Manual MSD. Mesmo assim, o diagnóstico só é feito depois de descartar outras causas.
Quem está sem menstruar pode engravidar?
Pode. Muitas mulheres com amenorreia não ovulam, mas isso pode mudar sem aviso. Na insuficiência ovariana prematura, os ovários às vezes voltam a funcionar por um tempo, e cerca de 5% a 10% das mulheres engravidam sem tratamento, segundo o Manual MSD. Por isso, a falta de menstruação não serve como método anticoncepcional.
Menstruação irregular na adolescência é normal?
Nos primeiros anos, é comum. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a SBEM, explica que a irregularidade pode ser aceita por até dois anos após a primeira menstruação, enquanto o sistema hormonal amadurece. Depois disso, ficar três meses sem menstruar ou ter intervalos menores que 25 ou maiores que 35 dias entre os ciclos justifica consulta.
Fontes
- FEBRASGO. Amenorreia secundária: algoritmo diagnóstico. Femina, 2025. femina.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- FEBRASGO. Amenorreia (Protocolo FEBRASGO de Ginecologia nº 38). Femina, 2020. bvsalud.org. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres (cópia na biblioteca do Cofen). cofen.gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Ausência de menstruação. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD. Menopausa precoce. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD. Gravidez ectópica. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- SBEM. Ausência ou irregularidade de menstruação. endocrino.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. SAMU 192. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. UPA 24h. gov.br. Acesso em 24/09/2026.




















