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Doenças sexualmente transmissíveis (DSTs): sinais, testes e prevenção essencial

ISTs na mulher: sinais, teste no SUS, tratamento e prevenção

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.

Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são infecções causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos, passadas principalmente pelo sexo oral, vaginal ou anal sem preservativo. Muitas não dão sinais na mulher, por isso o teste é a forma segura de saber. Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico e o tratamento são gratuitos no SUS, e várias delas têm cura.

Por que o nome mudou de DST para IST?

Segundo o Ministério da Saúde, o termo “infecção sexualmente transmissível” substituiu “doença sexualmente transmissível” para deixar claro que é possível ter e transmitir uma infecção sem nenhum sintoma. Por isso, não espere sinais para fazer o teste. Qualquer pessoa que tenha relação sem preservativo pode ter uma IST. É uma questão de saúde, sem motivo para vergonha.

Quais são as principais ISTs e quais têm cura?

As ISTs causadas por bactérias e protozoários têm cura com antibiótico. As causadas por vírus, como herpes e HIV, podem ser controladas, mas ainda não curadas, segundo o Manual MSD. A hepatite C é a exceção. Todo tratamento exige orientação médica.

ISTSinais mais comuns na mulherTem cura?Tratamento (por classe)
SífilisFerida indolor; depois, manchas no corpoSimAntibiótico injetável (penicilina)
Gonorreia e clamídiaEm geral, nenhum; corrimento, dor ao urinar ou no pé da barrigaSimAntibiótico
TricomoníaseCorrimento amarelado, esverdeado ou acinzentado, com cheiro forteSimAntibiótico
HPVEm geral, nenhum; verrugas; alteração no preventivoO vírus não; as lesões têm tratamentoRemoção das lesões; a vacina previne
Herpes genitalBolhas dolorosas que viram feridas e voltamNãoAntiviral, que controla as crises
HIVSinais leves no início; depois, anos sem sintomasNãoAntirretrovirais, que controlam o vírus
Hepatite BEm geral, nenhumNão, mas é controlável; a vacina previneAntiviral, quando indicado
Hepatite CEm geral, nenhumSim, na maioria dos casosAntiviral

Sífilis: por que ela ainda preocupa no Brasil?

A sífilis é uma IST causada por uma bactéria, tem cura e segue muito frequente. Em 2024, o Brasil registrou 256.830 casos de sífilis adquirida, 89.724 em gestantes e 24.443 de sífilis congênita, a que passa para o bebê, segundo o Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, do Ministério da Saúde.

O primeiro sinal é uma ferida, geralmente única, que não dói, não coça e some sozinha. Ela surge entre 10 e 90 dias após o contágio, na vulva, na vagina, no colo do útero, no ânus ou na boca. Depois, surgem manchas no corpo, que também somem, mas a infecção continua. Segundo o Ministério da Saúde, o teste rápido é gratuito e fica pronto em até 30 minutos. O tratamento é um antibiótico injetável do grupo das penicilinas. Quem já teve sífilis pode se infectar de novo.

Sífilis na gravidez e sífilis congênita

Na gestação, a sífilis pode causar aborto, parto prematuro, morte do bebê, surdez e cegueira. O teste é indicado no primeiro trimestre, no terceiro trimestre e no parto, segundo a página de sífilis do portal de IST do Ministério da Saúde. Com um teste rápido reagente, a gestante já começa o tratamento, que deve ter início até 30 dias antes do parto. Esse antibiótico é o único que previne a passagem para o bebê.

Gonorreia e clamídia: por que passam despercebidas?

Gonorreia e clamídia são ISTs bacterianas que, na maioria das mulheres, não dão sintomas. Segundo o protocolo clínico de ISTs do Ministério da Saúde, a inflamação do colo do útero que elas causam não dá sintomas em 70% a 80% dos casos. Quando há sinais, surgem corrimento, dor ao urinar ou no pé da barriga e sangramento na relação.

Sem tratamento, elas podem causar doença inflamatória pélvica, infertilidade e gravidez nas trompas, segundo a página de gonorreia e clamídia. O diagnóstico usa um exame de biologia molecular, com urina ou material colhido com cotonete. O tratamento é com antibiótico, e as parcerias devem ser tratadas mesmo sem sintomas.

Tricomoníase: o que é e como se trata?

Tricomoníase é uma IST causada por um protozoário, o Trichomonas vaginalis. O sinal típico é um corrimento amarelado, esverdeado ou acinzentado, com cheiro que lembra peixe, às vezes com coceira e dor na relação. Segundo o Ministério da Saúde, ela pode não dar sintomas, facilita outras ISTs e, na gravidez, pode levar ao rompimento precoce da bolsa. O tratamento é com antibiótico, para a mulher e para as parcerias.

Vaginose bacteriana e candidíase, causas comuns de corrimento, não são ISTs. Entenda o equilíbrio da microbiota vaginal.

HPV e herpes genital: o que muda por serem vírus?

O HPV é a IST mais comum no mundo, segundo o Ministério da Saúde. Alguns tipos causam verrugas, e outros podem levar ao câncer do colo do útero. O tratamento remove as lesões, mas não elimina o vírus. A vacina é gratuita no SUS para grupos definidos, como meninas e meninos de 9 a 14 anos. Saiba mais sobre a infecção persistente por HPV.

O herpes genital causa pequenas bolhas dolorosas que viram feridas e podem voltar. Só 13% a 37% das infecções dão sintomas, segundo a página de úlceras genitais do Ministério da Saúde. Na gestação, feridas ativas indicam cesariana. Leia mais sobre o herpes genital.

HIV e hepatites B e C: como se proteger e se tratar?

O HIV ataca as defesas do corpo e, sem tratamento, causa a aids. Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento com antirretrovirais é gratuito no SUS e, na gestação, reduz a transmissão para o bebê a menos de 1%. Quem mantém a carga viral indetectável tem risco zero de transmitir o HIV pelo sexo, segundo a página de prevenção combinada.

  • PrEP (profilaxia pré-exposição): medicamento tomado antes da exposição por quem tem maior chance de contato com o HIV.
  • PEP (profilaxia pós-exposição): antirretrovirais por 28 dias, iniciados o quanto antes e em até 72 horas após relação sem preservativo, camisinha rompida ou violência sexual. É gratuita no SUS, segundo a página da PEP.

A hepatite B ataca o fígado, muitas vezes em silêncio. A vacina é gratuita nas UBS para qualquer idade, em três doses, segundo a página de hepatite B. O tratamento controla a doença, sem curar. A hepatite C não tem vacina, mas os antivirais curam mais de 95% dos casos, segundo a página de hepatite C.

Doença inflamatória pélvica: quando uma IST vira urgência?

A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma infecção que sobe da vagina para o útero, as trompas e os ovários. Acontece principalmente quando gonorreia e clamídia não são tratadas, mas pode surgir após inserção de DIU ou curetagem. Os sinais são dor no pé da barriga ou na relação, febre, vômitos, corrimento e sangramento. Diante deles, a orientação é procurar atendimento imediatamente, segundo a página de DIP do Ministério da Saúde.

O antibiótico deve começar o quanto antes. A internação é indicada, por exemplo, na gravidez, com abscesso (acúmulo de pus) ou sem melhora em 72 horas. Segundo o protocolo clínico de ISTs, sequelas como infertilidade, gravidez nas trompas e dor pélvica crônica ocorrem em 9% a 20% dos casos e ficam mais prováveis a cada episódio.

Onde fazer o teste de IST de graça no SUS?

Os testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C são gratuitos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), com resultado em até 30 minutos, segundo a página de diagnóstico de ISTs. O SUS também oferece o autoteste de HIV.

O protocolo clínico de ISTs recomenda que pessoas de até 30 anos com vida sexual ativa testem HIV, sífilis, clamídia e gonorreia uma vez por ano. Também vale testar depois de relação sem preservativo, se a parceria recebeu diagnóstico de IST e no pré-natal.

Como funciona a prevenção combinada?

Prevenção combinada é somar formas de proteção, conforme a necessidade de cada pessoa. Segundo a página de prevenção do Ministério da Saúde, o preservativo em todas as relações é o método mais eficaz contra as ISTs. As medidas principais são:

  • Preservativo externo (no pênis) e interno (na vagina): gratuitos nas UBS, sem limite e sem cadastro. Não use dois juntos: o atrito pode romper.
  • Vacinas contra hepatite B e HPV.
  • Testagem regular, tratamento das ISTs e PrEP ou PEP contra o HIV.

Por que a parceria também precisa ser tratada?

Tratar a parceria, mesmo sem sintomas, interrompe a transmissão e evita que a mulher se infecte de novo. Na sífilis, isso vale para as parcerias dos últimos três meses, segundo a página de sífilis do Ministério da Saúde. O Manual MSD orienta evitar relações até todos concluírem o tratamento. Avisar a parceria é um cuidado, não uma acusação.

Quando procurar atendimento?

Procure atendimento ao notar qualquer sinal de IST, não importa quando foi a última relação.

SituaçãoO que fazer
Corrimento diferente, ardência ao urinar ou coceiraConsulta na UBS nos próximos dias
Ferida, bolha ou verruga na região genital, anal ou na bocaConsulta na UBS, mesmo que a ferida suma
Relação sem preservativo, camisinha rompida ou violência sexualServiço de saúde imediatamente: a PEP começa em até 72 horas
Dor no pé da barriga com febre ou vômitosUrgência no mesmo dia (UPA ou pronto-socorro)
Dor abdominal forte e súbita, desmaio ou tontura intensaSAMU 192

Perguntas frequentes

Dá para pegar IST no sexo oral?

Sim. As ISTs são transmitidas pelo contato sexual oral, vaginal ou anal sem preservativo com uma pessoa infectada. Sífilis, gonorreia, clamídia, herpes e HPV podem atingir a boca e a garganta. O preservativo reduz esse risco em todas as práticas.

Quem já teve sífilis fica imune?

Não. A sífilis tem cura, mas não deixa imunidade: a pessoa pode se infectar de novo a cada contato com a bactéria. O teste rápido costuma continuar positivo depois da cura, porque detecta anticorpos antigos. Por isso, conte à equipe se já teve sífilis.

Preciso esperar sintomas para fazer o teste?

Não. Muitas ISTs não dão sinais e mesmo assim são transmitidas. Segundo o Ministério da Saúde, o teste de HIV feito após uma relação sem preservativo deve ser repetido 30 dias depois, por causa da janela imunológica, o tempo que o exame leva para detectar a infecção.

A IST na gravidez passa para o bebê?

Algumas podem passar na gestação, no parto ou na amamentação, como sífilis, HIV, hepatite B, herpes, gonorreia e clamídia. Por isso, o pré-natal inclui testes de HIV, sífilis e hepatites B e C. Com diagnóstico e tratamento no tempo certo, o risco para o bebê cai muito.

Fontes

  • Ministério da Saúde. Infecções Sexualmente Transmissíveis. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. IST: prevenção. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. IST: diagnóstico. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. PCDT para Atenção Integral às Pessoas com IST (2022). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Sífilis (Saúde de A a Z). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Sífilis (portal de IST). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Gonorreia e clamídia. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Tricomoníase. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Úlceras genitais. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Doença inflamatória pélvica (DIP). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. HPV. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. HIV e aids. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Prevenção combinada. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. PEP (profilaxia pós-exposição). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Hepatite B. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Hepatite C. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Considerações gerais sobre infecções sexualmente transmissíveis. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
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