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Herpes genital: sinais, tratamento eficaz e como reduzir crises agora

Herpes genital: transmissão, sintomas, tratamento e gravidez

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.

Herpes genital é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pelo vírus herpes simples, dos tipos 1 e 2. Ele provoca bolhas e feridas dolorosas na região genital, que podem voltar de tempos em tempos. Não tem cura, mas tem controle: segundo o Manual MSD, o antiviral alivia os sintomas e ajuda as crises a passarem mais cedo.

O que é herpes genital?

Herpes genital é a infecção da região genital e anal pelo vírus herpes simples. Segundo o protocolo de IST do Ministério da Saúde, o tipo 2 predomina nas lesões genitais e o tipo 1, nas da boca, mas os dois podem aparecer em qualquer parte do corpo.

Depois da primeira infecção, o vírus sobe pelos nervos e fica adormecido em gânglios perto da coluna. De tempos em tempos, ele se reativa e causa nova crise, em geral no mesmo lugar.

Como o herpes genital é transmitido?

O herpes genital passa pelo contato sexual, vaginal, anal ou oral, com a pele ou a mucosa de quem tem o vírus. O contato com bolhas e feridas é a via mais comum, mas não a única. Segundo o Manual MSD, mesmo sem bolhas e sem sintomas, o vírus pode estar nos genitais e passar para a parceria.

O Ministério da Saúde estima que só 13% a 37% das infecções causam sintomas. E a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a Febrasgo, afirma no protocolo sobre herpes na gravidez que as lesões sem sintomas respondem pela maioria das transmissões.

Quais são os sintomas do primeiro episódio?

O primeiro episódio costuma ser a crise mais forte. Segundo o Ministério da Saúde, ele surge em média seis dias após o contágio: manchas vermelhas viram bolhas muito doloridas, que se rompem e formam feridas rasas. Também são comuns:

  • febre, mal-estar e dor no corpo;
  • ardor ao urinar e, às vezes, dificuldade para urinar;
  • ínguas doloridas na virilha;
  • corrimento, quando o vírus atinge o colo do útero.

Nas mulheres, o quadro pode lembrar uma infecção urinária. A primeira crise dura de duas a três semanas. Muitas pessoas infectadas, porém, nunca têm sintomas.

Por que as crises voltam e o que pode desencadeá-las?

As crises voltam porque o vírus fica guardado nos nervos. Segundo o Ministério da Saúde, 90% das pessoas com infecção genital pelo tipo 2 e 60% das infectadas pelo tipo 1 têm nova crise no primeiro ano. Com o tempo, as crises tendem a ficar mais fracas e mais raras.

O protocolo cita como gatilhos outras infecções, sol, pequenos traumas na região genital, menstruação, estresse físico ou emocional, uso prolongado de antibiótico e queda da imunidade. Antes das bolhas, muitas pessoas sentem sinais de aviso, como coceira leve, queimação ou fisgadas nas pernas e na virilha.

CaracterísticaPrimeiro episódioCrises seguintes
IntensidadeMais forte, com mais feridasMais leve, no mesmo lugar
Febre e mal-estarComunsRaros
Sinais de avisoPodem ocorrerHoras a dois ou três dias antes das bolhas
DuraçãoDuas a três semanasSete a dez dias

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico costuma ser clínico, feito no exame das lesões e na conversa sobre os sintomas. Na dúvida, o profissional colhe material da ferida. O Manual MSD aponta o teste de PCR, que detecta o material genético do vírus, como mais sensível que a cultura. Exames de sangue para anticorpos ajudam em casos específicos, mas não servem de triagem para toda a população, segundo um texto da Febrasgo sobre herpes simples.

Feridas genitais também podem ser sífilis ou outras IST. Por isso, o protocolo do Ministério da Saúde orienta descartar sífilis e oferecer testes de HIV, sífilis e hepatites B e C.

Qual é o tratamento?

O tratamento é feito com antiviral por via oral, sempre com orientação médica. O remédio, a dose e o tempo de uso são definidos pelo profissional de saúde. No SUS, o diagnóstico e o tratamento das IST são gratuitos, informa a página de IST do Ministério da Saúde.

  • Nas crises: o antiviral reduz a intensidade e a duração quando começa cedo. O Ministério da Saúde recomenda iniciá-lo de preferência ainda nos sinais de aviso.
  • Tratamento supressivo: antiviral diário por um período longo, indicado pelo Ministério da Saúde a partir de seis crises por ano, com avaliação periódica dos rins e do fígado. Segundo a Febrasgo, ele reduz as crises em 70% a 80% e diminui a transmissão para a parceria.
  • Cuidados locais: manter as feridas limpas, com água e sabão ou compressas de soro fisiológico, e usar analgésico se necessário.

Herpes genital não tem cura. O Manual MSD explica que os antivirais não eliminam o vírus dos nervos. O Ministério da Saúde lembra que não há associação entre herpes genital e câncer.

Herpes genital na gravidez: quais são os riscos para o bebê?

O vírus pode passar para o bebê, sobretudo no parto, e o herpes do recém-nascido pode ser grave. Por isso, o protocolo da Febrasgo sobre herpes na gravidez recomenda contar à equipe do pré-natal se você ou sua parceria já tiveram herpes genital.

O risco depende de quando a mulher se infectou. Segundo a Febrasgo, se a primeira infecção ocorre no último trimestre, 30% a 50% dos bebês são infectados. No primeiro trimestre, o risco fica abaixo de 1%. Com crises recorrentes, 1% a 1,7% dos recém-nascidos são afetados. Em 70% das transmissões, a gestante não tinha sinais nem história de herpes.

Os cuidados recomendados pela Febrasgo incluem:

  • tratar as crises com antiviral seguro na gestação, com orientação médica;
  • antiviral supressivo a partir da 36ª semana para quem teve herpes antes ou durante a gravidez;
  • cesárea se houver feridas ou sinais de aviso bem definidos na hora do parto;
  • se só a parceria tem herpes, evitar penetração e sexo oral recebido no terceiro trimestre;
  • avisar o pediatra quando houver risco para o bebê.

A amamentação é permitida, a menos que haja lesões na mama.

Como prevenir a transmissão?

Segundo o Ministério da Saúde, o preservativo em todas as relações, orais, anais e vaginais, é o método mais eficaz contra as IST. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) oferecem preservativos sem limite e sem cadastro. No herpes, a proteção é parcial, porque o preservativo não cobre toda a pele genital, explica o Manual MSD. Outras medidas ajudam:

  • evitar relações durante as crises e nos sinais de aviso;
  • não beijar nem fazer sexo oral com ferida de herpes na boca;
  • não compartilhar objetos íntimos, como orienta a Sociedade Brasileira de Dermatologia;
  • lavar as mãos depois de tocar nas lesões;
  • contar o diagnóstico à parceria, que também pode buscar avaliação.

Qual é a relação entre herpes genital e HIV?

Feridas genitais aumentam o risco de pegar e de transmitir o HIV, segundo o protocolo do Ministério da Saúde. O texto da Febrasgo estima que o herpes genital torna o risco de adquirir o HIV duas a três vezes maior. Em quem vive com HIV, as crises tendem a ser mais doloridas e longas.

Por isso, quem tem herpes genital deve fazer o teste de HIV. O SUS oferece testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C, com resultado em até 30 minutos, segundo a página de diagnóstico de IST. Procure a UBS mais próxima.

Como lidar com o impacto emocional e o estigma?

Medo, vergonha e culpa são reações comuns ao diagnóstico. O protocolo do Ministério da Saúde orienta os profissionais a conversar sobre o medo de rejeição e as dúvidas sobre ter filhos. Alguns fatos ajudam:

  • uma primeira crise não prova infecção recente: a Febrasgo relata que até 15% dos primeiros episódios em gestantes são recorrências de infecção antiga;
  • herpes genital não causa câncer, e a gravidez tem cuidados definidos no pré-natal.

Se a ansiedade ou a tristeza atrapalharem a vida sexual ou o dia a dia, fale com a equipe da sua unidade de saúde.

Quando procurar atendimento?

Procure a UBS logo que notar bolhas ou feridas na região genital, mesmo leves: o antiviral funciona melhor quando começa cedo. O Ministério da Saúde indica a Atenção Primária para o diagnóstico e o tratamento das IST. Algumas situações pedem mais pressa:

SituaçãoO que fazer
Feridas que não saram em duas semanas ou crises frequentesVoltar à UBS para reavaliação
Gestante com feridas, sinais de aviso ou parceria com herpesAvisar a equipe do pré-natal
Não conseguir urinar; febre com dor de cabeça forte e nuca rígida; olho vermelho e doloridoProcurar uma UPA 24h ou pronto-socorro
Recém-nascido com bolhas, moleza, temperatura alterada ou convulsãoLigar para o SAMU 192

Veja também o guia de infecções sexualmente transmissíveis. Dor vulvar que dura meses sem feridas pode ser vulvodínia, que tem outra causa.

Perguntas frequentes

Quem tem herpes labial pode transmitir herpes genital?

Sim. O tipo 1 do vírus, comum no herpes labial, também causa herpes genital, e o Manual MSD registra um número crescente desses casos. A Febrasgo aponta o sexo oral como via de transmissão. Por isso, evite sexo oral e beijo quando houver ferida na boca.

Pomada resolve o herpes genital?

Não. O tratamento indicado pelo Ministério da Saúde é o antiviral por via oral, com orientação médica. No protocolo sobre herpes na gravidez, a Febrasgo afirma que antivirais de uso local não mudam a evolução da infecção e aumentam o risco de resistência do vírus.

O herpes genital pode ficar anos sem aparecer?

Sim. O vírus pode ficar latente nos nervos por muito tempo sem causar sintomas, explica o Manual MSD. Por isso, uma primeira crise pode ser a reativação de uma infecção antiga. Mesmo sem sintomas, o vírus pode estar na pele e ser transmitido.

Existe exame para saber se tenho herpes sem ter feridas?

Existem exames de sangue que detectam anticorpos contra os tipos 1 e 2 do vírus. Eles ajudam em situações específicas, como a gestante com história sugestiva. A Febrasgo não recomenda o exame como triagem para toda a população nem para todas as gestantes.

Fontes

  • Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST, 2022. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Infecções Sexualmente Transmissíveis. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. IST: prevenção. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. IST: diagnóstico. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. UPA 24h. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. SAMU 192. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Febrasgo. Infecção pelo vírus do herpes simples na gravidez. Femina, 2026;54(2):122-6. femina.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Febrasgo. Herpes simples, 2018. febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Sociedade Brasileira de Dermatologia. Herpes. sbd.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Herpes genital. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
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