Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
Infecção persistente por HPV é quando um tipo de HPV de alto risco continua no colo do útero por muito tempo, em vez de ser eliminado pelo organismo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o INCA, ela responde por 99% dos casos de câncer do colo do útero. Mesmo assim, o câncer é um desfecho raro, e as lesões causadas pelo vírus podem ser encontradas e tratadas antes.
O que é HPV e quando a infecção é considerada persistente?
O HPV (papilomavírus humano) é um vírus que infecta a pele e as mucosas. É a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo, com mais de 200 tipos, segundo o Ministério da Saúde. Na maioria das pessoas, não causa sintomas.
Segundo o INCA, a maior parte das infecções é passageira: o organismo as elimina entre seis meses e dois anos. A infecção é chamada de persistente quando o mesmo vírus de alto risco continua sendo detectado depois desse período. As diretrizes brasileiras de rastreamento de 2025 usam o marco de 24 meses para os tipos de alto risco diferentes do 16 e do 18.
A persistência importa porque pode levar a lesões precursoras. São alterações nas células que antecedem o câncer e que, segundo o INCA, costumam evoluir devagar. Isso dá tempo para os exames as encontrarem.
Quais tipos de HPV são de alto e de baixo risco?
Os tipos de baixo risco causam, em geral, verrugas genitais. Os de alto risco podem causar lesões precursoras e câncer. Segundo a Nota Técnica nº 32/2026 do Ministério da Saúde, os tipos 16 e 18 respondem por cerca de 71% dos casos de câncer do colo do útero, e os tipos 6 e 11, por cerca de 90% das verrugas genitais.
| Característica | Baixo risco | Alto risco (oncogênicos) |
|---|---|---|
| Exemplos | Tipos 6 e 11 | Tipos 16 e 18, entre outros |
| O que podem causar | Verrugas genitais e anais (condilomas, a “crista de galo”) | Lesões precursoras e câncer do colo do útero, vulva, vagina, ânus, pênis, boca e garganta |
| Costuma dar sinais? | Sim: verrugas visíveis, às vezes com coceira | Não: as lesões costumam ser silenciosas |
| Como é encontrado | Exame clínico | Teste de DNA-HPV, Papanicolau, colposcopia e biópsia |
Ter verrugas não significa ter um tipo de alto risco. Segundo o Ministério da Saúde, elas costumam ser causadas por tipos não cancerígenos. Mas o INCA lembra que é possível ter mais de um tipo ao mesmo tempo.
O que favorece a persistência do HPV?
A imunidade tem papel central no controle do vírus. Segundo as diretrizes de 2025, mulheres com imunidade baixa têm taxas maiores de infecção persistente, de lesões precursoras e de volta das lesões.
- Imunidade baixa: viver com HIV/aids, ter feito transplante, usar medicamentos que reduzem a imunidade ou estar em tratamento de câncer.
- Tabagismo: é fator de risco para o câncer do colo do útero, segundo o INCA, que o cita ao explicar o que parece influenciar a persistência da infecção.
- Idade: o INCA observa que, antes dos 30 anos, a maioria das infecções regride sozinha; depois, a persistência é mais frequente.
- O próprio vírus: o tipo, a quantidade de vírus e a infecção por mais de um tipo parecem influenciar o resultado.
Parar de fumar e manter em dia o tratamento do HIV não garantem a eliminação do vírus, mas reduzem fatores de risco conhecidos.
Como o teste de DNA-HPV mostra se a infecção persiste?
O teste de DNA-HPV detecta o material genético dos tipos de alto risco numa amostra do colo do útero. Desde a Portaria Conjunta nº 13/2025, ele é o exame principal de rastreamento no Brasil, dos 25 aos 64 anos. Segundo o INCA, ele é mais sensível que o Papanicolau para encontrar lesões precursoras.
Segundo o Ministério da Saúde, a implantação no SUS é gradual, com meta de chegar a todo o país até dezembro de 2026. Onde o teste ainda não chegou, o INCA orienta seguir com o Papanicolau a cada três anos, após dois exames anuais normais.
Um resultado positivo não significa câncer nem lesão. Ele indica risco e define o próximo passo, conforme as diretrizes de 2025:
| Resultado | Próximo passo |
|---|---|
| Negativo | Novo teste em cinco anos. Após os 60 anos, com teste negativo, o rastreamento pode terminar. |
| HPV 16 e/ou 18 | Colposcopia. |
| Outros tipos de alto risco | Papanicolau na mesma amostra (citologia reflexa). Se alterado, colposcopia. Se normal, novo teste em 12 meses. |
| Outros tipos ainda presentes após 24 meses | Colposcopia, mesmo com Papanicolau normal. É a situação típica de infecção persistente. |
| Com HIV ou imunidade baixa | Qualquer tipo positivo leva à colposcopia. Se negativo, novo teste em três anos, desde o início da vida sexual. |
Colposcopia, biópsia, graus de lesão e tratamento estão explicados no guia sobre displasia cervical.
Existe remédio que elimine o HPV?
Não. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO, não existe cura específica para a infecção pelo HPV. Na maioria das vezes, o próprio sistema imunológico controla a infecção. O que se trata são as lesões.
- Verrugas genitais: são destruídas com medicamentos aplicados no local, cauterização, crioterapia (congelamento) ou cirurgia, conforme avaliação profissional. Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento não elimina o vírus, e as verrugas podem voltar.
- Lesões de alto grau no colo do útero: na maioria dos casos, a área alterada é retirada, de acordo com a Nota Técnica nº 32/2026.
Não use cremes para verrugas por conta própria, e desconfie de produtos que prometem “eliminar o HPV”.
Quem pode tomar a vacina contra o HPV pelo SUS?
A vacina é a forma mais eficaz de prevenir a infecção, segundo o Ministério da Saúde. A do SUS protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 e é gratuita para estes grupos:
| Grupo | Esquema |
|---|---|
| Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos | Dose única |
| Pessoas com imunidade baixa: vivendo com HIV/aids, transplantadas ou em tratamento de câncer | Três doses (0, 2 e 6 meses) |
| Pessoas de 15 a 45 anos que usam PrEP (prevenção do HIV) | Três doses |
| Vítimas de violência sexual | Duas doses (9 a 14 anos) ou três (15 a 45 anos) |
| Mulheres tratadas de lesão de alto grau no colo do útero (NIC 2, NIC 3 ou adenocarcinoma in situ), em qualquer idade | Três doses (0, 2 e 6 meses), com prescrição médica |
O último grupo foi incluído pela Nota Técnica nº 32/2026. A vacina deve ser aplicada no mesmo ano do procedimento, em até 12 meses depois dele. O objetivo é evitar outros tipos do vírus e reduzir o risco de a lesão voltar; a nota admite que os estudos randomizados ainda divergem sobre esse último ponto.
A vacina não trata infecções nem lesões que já existem, e quem é vacinada continua fazendo o rastreamento, segundo o Ministério da Saúde.
Como o HPV é transmitido e o que muda para a parceria?
O HPV passa por contato direto com a pele ou a mucosa infectada, principalmente no sexo. Segundo o Ministério da Saúde, isso inclui contato oral-genital, genital-genital e manual-genital, mesmo sem penetração.
O preservativo reduz o risco, mas não o elimina, porque o vírus pode estar em áreas que ele não cobre, como a vulva e a região pubiana. O preservativo interno (feminino) cobre parte da vulva e protege mais se usado desde o início da relação.
As parcerias sexuais devem ser orientadas e examinadas, e o Ministério recomenda consulta para o casal. Muitas pessoas têm o vírus sem sinais. Como ele pode ficar latente por anos, um resultado positivo não indica quando nem com quem a infecção começou.
Mitos e verdades sobre o HPV persistente
- “HPV positivo é câncer.” Mito. Segundo as diretrizes de 2025, o teste mostra risco, não lesão.
- “HPV persistente sempre vira câncer.” Mito. Segundo a FEBRASGO, quando as lesões precursoras são tratadas adequadamente, o risco de câncer é praticamente nulo.
- “Camisinha protege 100%.” Mito. Segundo o Ministério da Saúde, ela reduz o risco, mas não cobre todas as áreas.
- “Quem é vacinada não precisa de preventivo.” Mito. A vacina não cobre todos os tipos, e o rastreamento continua.
Quando procurar atendimento?
A unidade básica de saúde (UBS) é a porta de entrada para o rastreamento e para resultados alterados. Alguns sinais pedem consulta antes do próximo exame. A tabela segue as orientações do INCA, da FEBRASGO e da Nota Técnica nº 32/2026.
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Teste de HPV positivo ou Papanicolau alterado | Fazer o próximo exame indicado no prazo. |
| Verrugas na região genital ou anal | Consulta na UBS. Não tratar por conta própria. |
| Sangramento após a relação ou fora da menstruação, ou corrimento com cheiro forte que não passa | Consulta médica, mesmo com o preventivo em dia. |
| Qualquer sangramento vaginal depois da menopausa | Consulta médica para investigar. |
| Tratou lesão de alto grau no colo do útero nos últimos 12 meses | Pedir ao médico a prescrição da vacina. |
| Sangramento vaginal intenso, com tontura ou desmaio | Urgência: UPA ou SAMU (192). |
Perguntas frequentes
HPV persistente quer dizer que vou ter câncer?
Não. A persistência aumenta o risco, mas o câncer é um desfecho raro, mesmo com a infecção, segundo o INCA. Antes dele surgem lesões precursoras, que o rastreamento encontra e que podem ser tratadas. O mais importante é não abandonar os exames indicados depois de um resultado positivo.
Quanto tempo o HPV leva para sumir?
Na maioria das vezes, entre seis meses e dois anos, segundo o INCA. Antes dos 30 anos, a regressão espontânea é mais comum. Por isso, de acordo com as diretrizes de 2025, o rastreamento só começa aos 25 anos, e um teste positivo feito antes dessa idade não deve ser levado em conta.
O HPV pode voltar depois de sumir do exame?
Pode. O vírus pode ficar latente por meses ou anos, e uma queda da imunidade pode fazê-lo voltar a se multiplicar, segundo o Ministério da Saúde. Uma nova infecção, pelo mesmo tipo ou por outro, também é possível. Por isso, o rastreamento segue o intervalo indicado mesmo depois de um resultado negativo.
Posso tomar a vacina se já tenho HPV?
Depende do seu caso. A vacina não trata a infecção atual, mas pode proteger contra os outros tipos que ela cobre. Pelo SUS, adultas são vacinadas em grupos específicos, como imunidade baixa ou tratamento de lesão de alto grau. Segundo a FEBRASGO, a vacina é aprovada no Brasil até os 45 anos, e adultas também podem se beneficiar. Converse com seu médico.
Fontes
- Ministério da Saúde. HPV (Saúde de A a Z). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. HPV (portal de HIV/aids e IST). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 32/2026: vacina HPV para mulheres tratadas de lesão de alto grau. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero: Parte I (2025). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- INCA. Fatores de risco. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- INCA. Detecção precoce. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- INCA. Conceito e magnitude. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
- FEBRASGO. Mitos e verdades sobre o câncer de colo do útero e o HPV. febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- FEBRASGO. Brasil entra na nova era do rastreio do câncer de colo uterino. febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.




















