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Miomas uterinos: entenda sintomas, tratamentos e quando buscar ajuda

Miomas uterinos: sintomas, tratamento e quando buscar ajuda

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.

Miomas uterinos são tumores benignos que nascem do músculo do útero. São muito comuns: atingem ao menos metade das mulheres na fase reprodutiva e não dão sintomas em cerca de metade dos casos, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO. Quando causam sintomas, há tratamento, escolhido conforme o tipo de mioma e o desejo de engravidar.

O que são miomas uterinos?

Mioma uterino é um tumor benigno formado a partir das células musculares da parede do útero. Também é chamado de leiomioma ou fibroma. Segundo o relatório para a sociedade da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec, ele não se espalha e não vira câncer.

O Manual MSD Versão Saúde para a Família descreve miomas microscópicos e outros do tamanho de uma bola de basquete. O estrogênio estimula o crescimento: por isso, o mioma pode crescer na gravidez e tende a encolher após a menopausa.

Mioma é comum?

Sim. Citando a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, o relatório da Conitec estima miomas em cerca de 60% das mulheres em idade reprodutiva. No Brasil, foram mais de 850 mil internações por leiomioma entre 2013 e 2023, a maioria em mulheres de 40 a 49 anos. Sintomas fortes aparecem em 15% a 30% das mulheres com miomas, segundo o Manual MSD.

Quais são os tipos de mioma e por que a localização importa?

O lugar onde o mioma cresce explica boa parte dos sintomas e muda o tratamento. A tabela resume a descrição da Conitec e do Manual MSD.

TipoOnde ficaO que costuma causar
SubmucosoAbaixo da camada interna, crescendo para a cavidadeSangramento mais intenso e mais chance de atrapalhar a gravidez
IntramuralDentro da parede do úteroFluxo intenso, porque dificulta a contração do útero; se for grande, deforma a cavidade
SubserosoNa superfície externa; às vezes preso por uma haste (pediculado)Pressão na bexiga ou no intestino; o mioma com haste pode torcer e causar dor forte
CervicalNo colo do úteroVaria conforme o tamanho

Um mioma dentro da cavidade pode ser retirado pela vagina, por histeroscopia. Já o DIU hormonal não é indicado quando o mioma deforma a cavidade do útero, segundo o relatório da Conitec.

Quais são os sintomas de mioma?

A maioria dos miomas não causa sintomas e é achada por acaso num exame. Quando há sintomas, eles dependem do número, do tamanho e do local dos miomas, explica o protocolo do Ministério da Saúde para o leiomioma de útero. Os mais comuns são:

  • menstruação intensa ou mais longa que o normal (veja o guia sobre fluxo menstrual intenso);
  • sangramento entre as menstruações;
  • anemia por falta de ferro, causada pela perda de sangue (entenda o metabolismo do ferro na mulher);
  • dor, pressão ou sensação de peso no pé da barriga;
  • vontade frequente de urinar ou prisão de ventre, quando o mioma pressiona a bexiga ou o intestino;
  • cólicas e dor na relação sexual;
  • aumento do volume da barriga;
  • dificuldade para engravidar ou abortos repetidos.

Dor forte e repentina é rara: surge quando o mioma perde irrigação ou quando um mioma com haste torce.

Quais são os fatores de risco?

As causas dos miomas não são totalmente conhecidas. O relatório da Conitec lista como fatores de risco:

  • obesidade, diabetes e pressão alta;
  • casos de mioma na família;
  • idade da primeira menstruação e da primeira gestação;
  • nunca ter tido filhos.

Os miomas são mais comuns em mulheres negras, que também têm mais sintomas e miomas maiores e mais numerosos. Como a causa não é totalmente conhecida, não há forma comprovada de prevenir o mioma.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa na consulta e no exame ginecológico. Um exame de imagem confirma o mioma e mostra onde ele está.

  • Ultrassom transvaginal: é o exame de referência. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, ele encontra de 95% a 100% dos miomas.
  • Histerossonografia: ultrassom com líquido no útero, se houver suspeita de mioma submucoso.
  • Ressonância magnética: ajuda em úteros grandes ou com muitos miomas e a diferenciar o mioma de outras doenças.
  • Histeroscopia e biópsia do endométrio: olham a cavidade por dentro e, quando necessário, retiram amostra para descartar câncer.

Qual é o tratamento para mioma?

O tratamento alivia sangramento, dor e pressão. Mioma sem sintoma, em geral, só precisa de acompanhamento, com reavaliação a cada 12 meses, segundo o Manual MSD. Com sintomas, a escolha considera o tipo de mioma, a idade e os planos de gravidez.

Remédios

Os remédios controlam os sintomas, mas não eliminam o mioma. Todos exigem orientação médica.

  • Não hormonais: anti-inflamatórios, para dor e fluxo, e antifibrinolíticos, que ajudam a manter o coágulo.
  • Hormonais: anticoncepcional combinado ou progestagênio isolado. Controlam o sangramento, mas não encolhem o mioma.
  • DIU hormonal: libera progestagênio dentro do útero. Controlou o sangramento melhor que a pílula combinada, segundo a Conitec.
  • Análogos do GnRH: encolhem o mioma ao imitar a menopausa. O uso é curto, porque enfraquece os ossos, e o mioma pode voltar a crescer.

Em dezembro de 2025, a Conitec recomendou incluir no SUS o DIU hormonal e um antifibrinolítico para mulheres em idade reprodutiva com mioma e sangramento intenso. A revista Femina, da FEBRASGO, viu na decisão um passo para tratamentos menos invasivos.

Retirada só dos miomas (miomectomia)

A miomectomia retira os miomas e preserva o útero. É a opção para quem deseja engravidar ou não quer perder o útero, segundo o protocolo do Ministério da Saúde. Pode ser feita por histeroscopia, pela vagina, sem cortes na barriga; por laparoscopia, com pequenos cortes; ou por cirurgia aberta.

Embolização e outros procedimentos

Na embolização, um cateter leva pequenas partículas até as artérias que nutrem o mioma, que encolhe sem sangue. Há ainda técnicas que destroem o mioma com calor ou ultrassom focado. Depois desses procedimentos, a mulher não deve engravidar, porque a segurança da gravidez ainda não está clara, segundo o Manual MSD.

Histerectomia

A histerectomia é a retirada do útero. É a única solução permanente, mas encerra a possibilidade de gravidez. A FEBRASGO lembra que a cirurgia não prejudica a vida sexual e defende discutir alternativas sempre que possível. Leia sobre a saúde da mulher após a histerectomia.

OpçãoPara quem costuma ser indicadaO que saber
Anti-inflamatório ou antifibrinolíticoSangramento e dor; quem não pode usar hormônioAlivia sintomas, não encolhe o mioma
Anticoncepcional, progestagênio ou DIU hormonalSangramento intensoNão encolhe o mioma; o DIU não serve se a cavidade estiver deformada
Análogos do GnRHPreparo para cirurgia ou alívio temporárioUso curto; o mioma pode voltar a crescer
MiomectomiaQuem quer engravidar ou preservar o úteroNovos miomas podem aparecer
Embolização e técnicas que destroem o miomaQuem não quer ou não pode operar e não planeja engravidarGravidez depois não é recomendada
HisterectomiaQuem não quer mais filhos e tem sintomas importantesSolução definitiva; não permite gravidez

Mioma atrapalha a gravidez?

Nem sempre. O mioma não afeta a ovulação, e os estudos divergem sobre o efeito na fertilidade, segundo o protocolo do Ministério da Saúde. Quem tem dificuldade para engravidar deve investigar também outras causas.

Os miomas dentro da cavidade são os que mais atrapalham a implantação do embrião. Na gravidez, o Manual MSD cita risco de aborto espontâneo, parto prematuro, bebê em posição anormal e sangramento excessivo depois do parto. A equipe do pré-natal precisa saber do mioma.

Mioma pode virar câncer?

Não. O mioma é benigno e não se transforma em câncer, segundo a Conitec. Mas alguns tumores malignos do útero, como o sarcoma, parecem miomas nos exames e causam sintomas parecidos. Eles são raros e aparecem em menos de 1% das mulheres com massas no útero semelhantes a miomas, segundo o Manual MSD. Mioma que cresce rápido ou sangramento depois da menopausa pedem avaliação médica.

Quando procurar atendimento?

Marque consulta na Unidade Básica de Saúde ou com a ginecologista se tiver fluxo intenso ou longo, sangramento fora da menstruação, cansaço, dor ou peso na barriga ou dificuldade para engravidar. Sangramento depois da menopausa deve ser avaliado em até uma semana, segundo o Manual MSD.

É urgência: procure uma UPA 24h ou um pronto-socorro, ou ligue para o SAMU 192, se houver:

  • sangramento com tontura, fraqueza, desmaio, pele fria e suada, falta de ar ou coração acelerado;
  • absorvente encharcado mais de uma vez por hora, por mais de 2 horas seguidas;
  • saída de coágulos grandes ou de algo parecido com tecido;
  • dor forte e repentina no pé da barriga, principalmente com febre;
  • sangramento ou dor forte durante a gravidez.

Perguntas frequentes

Mioma some sozinho?

Antes da menopausa, o mioma costuma permanecer e pode crescer, porque depende dos hormônios femininos. Depois da menopausa, com a queda do estrogênio, ele tende a encolher, segundo o Manual MSD. O protocolo do Ministério da Saúde acrescenta que, com a menopausa, em geral o tratamento deixa de ser necessário.

Todo mioma precisa de cirurgia?

Não. Mioma sem sintomas só precisa de acompanhamento. A cirurgia entra quando o sangramento ou a dor não melhoram com remédios, quando o mioma cresce rápido ou quando parece atrapalhar a gravidez, segundo o Manual MSD. A decisão considera o tipo de mioma e os planos de ter filhos.

O mioma volta depois da cirurgia?

Depende da cirurgia. Depois da miomectomia, que preserva o útero, novos miomas podem surgir: cerca de 50% das mulheres têm novos miomas em cinco anos, segundo o protocolo do Ministério da Saúde. Depois da histerectomia, o mioma não volta, porque o útero foi retirado.

O SUS trata mioma?

Sim. O cuidado começa na Unidade Básica de Saúde, que identifica o caso e encaminha para a ginecologia quando preciso. O SUS oferece remédios e cirurgias, como a miomectomia e a histerectomia. A Conitec também recomendou incluir o DIU hormonal e um antifibrinolítico para mioma com sangramento intenso.

Fontes

  • Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Miomas: a importância de se discutir alternativas à histerectomia (01/08/2020). febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Femina, revista da FEBRASGO. Conitec aprova incorporação ao SUS de tratamentos para leiomiomas uterinos (07/01/2026). femina.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Leiomioma de Útero (2017). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde, Conitec. Relatório para a Sociedade nº 583: tratamentos para leiomioma de útero (2025). gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. SAMU 192. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. UPA 24h. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Miomas uterinos (revisão de julho de 2025). msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Sangramento vaginal (revisão de outubro de 2024). msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
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