Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
Baixa libido é a redução do desejo sexual: menos vontade de ter relações e menos pensamentos ou fantasias sexuais. Ela é comum e oscila ao longo da vida. Segundo o Manual MSD, só é considerada um transtorno quando persiste e causa angústia à própria mulher. Há tratamento, e ele depende da causa.
O que é baixa libido?
Libido é outro nome para desejo sexual. Ele envolve corpo, emoções e relacionamento, que se influenciam. No consultório, a queixa é chamada de desejo sexual hipoativo.
Muitas vezes, o desejo só aparece depois que a excitação começa, num contexto favorável. Esse desejo “responsivo” é normal, segundo o protocolo da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, da UFC, hospital da rede Ebserh.
O desejo reduzido é frequente. Num estudo com mulheres brasileiras de meia-idade, citado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), ele apareceu em cerca de 60% delas. Já o transtorno, com sofrimento, é menos comum: no estudo americano PRESIDE, atingiu 8,9% das mulheres de 18 a 44 anos e 12,3% das de 45 a 64 anos, segundo o protocolo da maternidade da UFC.
Quando a baixa libido é considerada um problema?
A baixa libido vira problema de saúde quando dura pelo menos seis meses e causa angústia significativa, como frustração, culpa ou tristeza.
Algumas situações não configuram doença:
- quedas passageiras de interesse, comuns ao longo da vida;
- ter menos desejo que a parceria, o que sozinho não basta para o diagnóstico;
- perder o desejo num relacionamento abusivo: nesse caso, o problema é a violência.
Se a mudança não incomoda você, não precisa de tratamento. Se incomoda, vale procurar ajuda, mesmo antes dos seis meses.
Quais são os sinais de baixa libido?
O principal sinal é a falta ou a diminuição do interesse por sexo. O Manual MSD lista outros sinais usados no diagnóstico:
- não tomar a iniciativa nem responder à iniciativa da parceria;
- sentir pouca excitação ou prazer durante a relação;
- ter menos fantasias ou pensamentos eróticos;
- sentir menos sensações no corpo durante o sexo;
- não reagir a estímulos que antes despertavam desejo.
Para falar em transtorno, pelo menos três desses itens precisam estar presentes.
Quais são as causas da baixa libido?
As causas costumam se somar, e às vezes a causa exata não é descoberta. Em nota conjunta de 2025, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Febrasgo e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) citam como causas frequentes a falta de estrogênio, as alterações genitais da menopausa, a depressão, os medicamentos, a obesidade e o relacionamento.
Mudanças hormonais e fases da vida
- Pós-parto: a queda brusca dos hormônios nas primeiras semanas pode reduzir o interesse sexual e deixar a vagina mais seca.
- Amamentação: também está entre os fatores que afetam a função sexual.
- Menopausa: a falta de estrogênio pode causar secura vaginal e dor. Ondas de calor, insônia e alterações de humor também pesam.
- Anticoncepcional hormonal: algumas mulheres notam menos desejo depois de começar o método.
- Outras alterações: hipotireoidismo e excesso de prolactina.
Esses fatores aparecem no Manual MSD e no protocolo da Febrasgo sobre disfunções sexuais.
Fatores emocionais e do relacionamento
Estresse, ansiedade, depressão, baixa autoestima e cansaço reduzem o desejo. Uma história de abuso sexual também pode afetar a libido. No relacionamento, pesam conflitos, traição, rotina, preliminares insuficientes e dificuldade de conversar sobre sexo. Segundo a Febrasgo, quando a relação não vai bem, as medidas para melhorar o desejo quase sempre falham.
Medicamentos
Algumas classes de remédios podem reduzir o desejo, segundo a Febrasgo, o Manual MSD e o protocolo da maternidade da UFC:
- alguns antidepressivos, sobretudo os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS);
- antipsicóticos e benzodiazepínicos (calmantes);
- alguns remédios para pressão alta, como os betabloqueadores;
- opioides e alguns anticonvulsivantes;
- anticoncepcionais hormonais;
- alguns tratamentos hormonais contra o câncer de mama.
Não interrompa nenhum remédio por conta própria. Converse com quem prescreveu.
Doenças e dor na relação
Diabetes, pressão alta, doenças da tireoide, esclerose múltipla e incontinência urinária estão ligadas à queda do desejo, assim como o excesso de álcool. Quando o sexo dói, é natural perder a vontade. A dor pode vir da secura da menopausa, de vulvodínia (dor crônica na vulva), infecções ou endometriose. Segundo o Manual MSD, tratar a dor pode resolver a falta de interesse. Saiba mais sobre atrofia vaginal e vaginismo.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito principalmente na conversa com o ginecologista, que pergunta sobre saúde, remédios, relacionamento e fase da vida. O exame ginecológico costuma ser normal, mas pode mostrar causas de dor, como atrofia vaginal ou vaginismo.
Em geral, exames de sangue não são necessários, segundo o protocolo da maternidade da UFC. Eles podem ser pedidos caso a caso, como em jovens com menstruação irregular. Dosar testosterona para investigar “falta de hormônio” não tem indicação, afirma a nota conjunta das sociedades médicas.
Vale levar a queixa por iniciativa própria: muitos profissionais não perguntam sobre o tema.
Qual é o tratamento da baixa libido?
O tratamento depende da causa e, de preferência, envolve uma equipe: ginecologista, terapeuta sexual, psicoterapeuta e fisioterapeuta, segundo o Manual MSD. Para a Febrasgo, o primeiro passo é a educação sexual: entender como funcionam a resposta sexual e o desejo.
| Situação | Abordagens possíveis (sempre com orientação profissional) |
|---|---|
| Estresse, ansiedade ou depressão | Psicoterapia e tratamento da depressão, quando houver |
| Problemas no relacionamento | Terapia de casal ou terapia sexual |
| Efeito de remédio ou anticoncepcional | Avaliação médica para trocar de medicamento ou de método |
| Menopausa com sintomas | Terapia hormonal, quando indicada; estrogênio vaginal em baixa dose, lubrificantes e hidratantes para a secura |
| Pós-parto e amamentação | Avaliação do humor e lubrificante nas relações |
| Dor na relação | Tratamento da causa da dor e fisioterapia pélvica |
| Hipotireoidismo, diabetes ou outra doença | Controle da doença de base |
A tabela resume orientações do protocolo da maternidade da UFC, da Febrasgo e do Manual MSD.
Terapias e medidas no dia a dia
A terapia sexual, individual ou de casal, trabalha comunicação, intimidade e monotonia, com exercícios orientados. A Febrasgo aponta a terapia sexual, a terapia cognitivo-comportamental e as técnicas de atenção plena (mindfulness) como as abordagens psicológicas mais promissoras.
No dia a dia, ajuda identificar o que estimula você e contar isso à parceria, segundo o Manual MSD. O protocolo da maternidade da UFC inclui parar de fumar, evitar o abuso de álcool, fazer atividade física, dormir bem e controlar o estresse. Se há dor, a fisioterapia do assoalho pélvico pode entrar no tratamento.
E a testosterona?
A testosterona tem uma única indicação reconhecida em mulheres: o transtorno do desejo sexual hipoativo após a menopausa, depois de excluídas outras causas. Não há no Brasil formulação aprovada pela Anvisa para mulheres, e implantes manipulados não são recomendados. O uso sem indicação pode causar acne, aumento de pelos, engrossamento irreversível da voz e problemas cardiovasculares, alerta a nota conjunta da SBEM, da Febrasgo e da SBC.
Suplementos e outros mitos sobre a libido
Nenhuma das fontes médicas consultadas recomenda suplementos para tratar a baixa libido. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), suplementos são destinados a pessoas saudáveis e não podem prometer cura ou tratamento. Essa promessa pode esconder produto clandestino ou falsificado.
- “Se é natural, não faz mal.” A Anvisa alerta que “100% natural e sem riscos” é um apelo comum em propaganda enganosa. Até fitoterápicos podem fazer mal quando usados de forma indevida.
- “Baixa libido é falta de testosterona.” Segundo as sociedades médicas, a “deficiência de testosterona” não é causa reconhecida de baixa libido na mulher.
- “Dá para resolver em poucas semanas.” Não existe prazo garantido. O tempo depende da causa e do tratamento.
Quando procurar atendimento?
Procure o ginecologista ou a Unidade Básica de Saúde (UBS) sempre que a falta de desejo incomodar você. Duas situações são urgência.
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| A falta de desejo preocupa ou incomoda você | Marcar consulta com ginecologista ou na UBS |
| A mudança começou após um remédio ou anticoncepcional | Falar com quem prescreveu, sem interromper o uso por conta própria |
| O desejo não voltou depois do parto | Marcar consulta; o humor também precisa ser avaliado |
| Dor durante a relação sexual | Marcar consulta com ginecologista para investigar a causa |
| Urgência: tristeza profunda, desesperança ou pensamentos de morte | Buscar ajuda no mesmo dia: CVV pelo 188 (ligação gratuita), UPA 24h, SAMU 192 ou pronto-socorro, conforme o Ministério da Saúde |
| Urgência: violência, ameaça ou sexo forçado | Ligar para o Ligue 180 (gratuito, 24 horas); em emergência, Polícia Militar pelo 190 |
Perguntas frequentes
Anticoncepcional diminui a libido?
Pode diminuir em algumas mulheres. O protocolo da Febrasgo cita um estudo em que o desejo espontâneo, a excitação e o prazer foram menores em usuárias de anticoncepcional hormonal. Nesses casos, o método pode ser trocado, inclusive por um não hormonal, como o DIU de cobre. Não interrompa o anticoncepcional sem outra proteção.
É normal ter menos desejo depois do parto?
Sim, é comum. A queda dos hormônios após o parto, a amamentação, o cansaço e a secura vaginal podem reduzir o interesse sexual. O protocolo da maternidade da UFC recomenda avaliar o humor nessa fase e considerar lubrificante. Procure atendimento se o desejo não voltar ou se tristeza e ansiedade persistirem. Veja também o texto sobre ansiedade pós-parto.
Preciso fazer exame de hormônios?
Nem sempre. Em geral, exames laboratoriais não são necessários. O médico pode pedi-los se houver menstruação irregular ou suspeita de outra doença. Já a dosagem de testosterona para procurar “deficiência” não é recomendada. A nota conjunta da SBEM, da Febrasgo e da SBC explica que não há valores de referência validados para isso em mulheres.
Antidepressivo tira a libido? Posso parar o remédio?
Alguns antidepressivos, sobretudo os da classe ISRS, podem reduzir o desejo, segundo o Manual MSD. Mas a própria depressão também diminui a libido. Por isso, não pare por conta própria. Quem prescreveu pode avaliar a troca por um medicamento com menos efeito sexual ou associar outro tratamento.
Fontes
- Ebserh, Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (UFC). Protocolo Desejo sexual hipoativo (2024). Acesso em 24/09/2026.
- Febrasgo. Tratamento das disfunções sexuais no consultório do ginecologista (Femina, 2019). Acesso em 24/09/2026.
- SBEM, Febrasgo e SBC. Nota conjunta sobre o uso de testosterona na mulher (2025). Acesso em 24/09/2026.
- Febrasgo. Disfunções sexuais no climatério têm tratamento (2017). Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Transtorno de desejo/interesse sexual. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD. Considerações gerais sobre a função e disfunção sexual em mulheres. Acesso em 24/09/2026.
- Anvisa. Viu alguém indicando medicamento ou suplemento alimentar? Cuidado, pode não ser seguro (2026). Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Suicídio (prevenção). Acesso em 24/09/2026.
- Ministério das Mulheres. Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher. Acesso em 24/09/2026.




















