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Hiperplasia endometrial: sinais, riscos e tratamentos que você precisa conhecer

Hiperplasia endometrial: tipos, risco de câncer e tratamento

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.

Hiperplasia endometrial é o espessamento do endométrio, a camada que reveste o útero por dentro, causado por excesso de estrogênio sem a ação equilibradora da progesterona. É um diagnóstico frequente e tem tratamento. O que define o cuidado é a presença de atipia nas células: sem atipia, o risco de câncer é baixo; com atipia, o risco é alto, segundo o protocolo da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO.

O que é hiperplasia endometrial?

A hiperplasia endometrial é um crescimento exagerado das glândulas do endométrio. Ela não é câncer, mas pode vir antes dele, por isso precisa de acompanhamento. Segundo a FEBRASGO, a hiperplasia é cerca de três vezes mais frequente que o câncer de endométrio.

Todo mês, o estrogênio faz o endométrio crescer. A progesterona, produzida depois da ovulação, equilibra esse efeito. Quando falta progesterona por muito tempo, o tecido continua crescendo, explica o Manual MSD Versão Saúde para a Família.

Quais são os tipos e qual é o risco de câncer em cada um?

Desde 2014, a Organização Mundial da Saúde divide a hiperplasia endometrial em dois tipos: sem atipia e com atipia. A classificação antiga tinha quatro tipos (simples ou complexa, com ou sem atipia) e ainda aparece em alguns laudos, segundo a FEBRASGO.

TipoOutros nomes no laudoRisco de câncerConduta mais comum
Sem atipiaHiperplasia benigna; simples ou complexa sem atipiaBaixo: a chance de evoluir para câncer é menor que 5%, segundo a FEBRASGO.Acompanhamento com biópsias e, em geral, progestagênio.
Com atipiaHiperplasia atípica; complexa com atipia; neoplasia intraepitelial endometrial (NIE)Alto: cerca de 29% evoluem para câncer, e até 43% já têm câncer no útero retirado na cirurgia, segundo a FEBRASGO.Retirada do útero (histerectomia) na maioria dos casos.

A biópsia retira só uma pequena amostra do endométrio. Por isso, a FEBRASGO orienta considerar que toda hiperplasia com atipia tem alto potencial de já estar acompanhada de um câncer inicial.

Quais são os sintomas?

O principal sintoma é o sangramento uterino anormal. Algumas mulheres não têm sintomas, e a suspeita surge num ultrassom feito por outro motivo. Os sinais que merecem avaliação, segundo a FEBRASGO e o Manual MSD, são:

  • menstruação mais intensa ou mais longa que o habitual (hipermenorreia);
  • sangramento entre as menstruações;
  • ciclos irregulares, com falhas na menstruação, que sugerem falta de ovulação;
  • qualquer sangramento após a menopausa, mesmo pequeno, uma única vez ou só uma secreção rosada ou marrom.

Qualquer sangramento depois da menopausa deve ser investigado. A menopausa é confirmada após 12 meses sem menstruar. O Manual MSD afirma que esse sangramento é sempre considerado anormal. Na maior parte das vezes, a causa não é câncer, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A causa mais comum é o afinamento do revestimento da vagina ou do útero, como na atrofia vaginal.

Quais são as causas e os fatores de risco?

A causa é o excesso de estrogênio sem progesterona, e o principal fator de risco é o excesso de peso: o tecido gorduroso produz estrogênio, na forma de estrona, explica a FEBRASGO. Segundo o protocolo da entidade, o risco é 2,3 vezes maior com sobrepeso, 3,7 vezes com obesidade e 13 vezes com obesidade grave.

Outros fatores citados pela FEBRASGO, pelo INCA e pelo Manual MSD:

  • Falta de ovulação: comum na síndrome dos ovários policísticos (SOP) e nos anos que antecedem a menopausa. Sem ovulação, o corpo produz pouca progesterona.
  • Estrogênio sem progestagênio: terapia hormonal da menopausa só com estrogênio em quem tem útero, inclusive fitoterápicos com ação de estrogênio.
  • Tamoxifeno: remédio usado no tratamento do câncer de mama. Ele bloqueia o estrogênio na mama, mas age como estrogênio no útero.
  • Idade: a hiperplasia e o câncer de endométrio costumam afetar mais mulheres após a menopausa.
  • Diabetes, pressão alta e resistência à insulina.
  • Primeira menstruação precoce, menopausa tardia e nunca ter engravidado.
  • Síndrome de Lynch: condição hereditária rara que aumenta o risco de câncer de endométrio.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com o ultrassom transvaginal, mas só é confirmado pela biópsia do endométrio. Para a FEBRASGO, o padrão-ouro é a biópsia feita a tempo, por qualquer método. A entidade alerta que esperar mais de seis semanas pelo diagnóstico piora o prognóstico quando há câncer.

  • Ultrassom transvaginal: mede a espessura do endométrio. Após a menopausa, com sangramento, 4 mm ou mais devem ser investigados com biópsia, segundo a FEBRASGO. Abaixo disso, com endométrio regular, a biópsia é indicada se o sangramento voltar.
  • Biópsia no consultório: uma cânula fina passa pelo colo do útero e aspira uma pequena amostra.
  • Histeroscopia: uma câmera fina mostra o interior do útero e permite colher amostras de áreas suspeitas.
  • Curetagem: raspagem do endométrio, usada quando o colo do útero não permite a biópsia simples.

O INCA não recomenda exames de rastreamento em mulheres sem sintomas. O importante é investigar o sangramento anormal.

Qual é o tratamento?

O tratamento depende do tipo, da idade, do desejo de engravidar e de outras doenças, e é sempre decidido com o médico. Nada de hormônio por conta própria.

Hiperplasia sem atipia

Muitas vezes ela regride sozinha. Sem tratamento, desaparece em 7 a 8 de cada 10 mulheres; com progestagênio, em 9 de cada 10, segundo o Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido (em inglês). A mesma entidade descreve estas opções:

  • Progestagênio oral: comprimidos da família da progesterona, em geral por seis meses.
  • DIU hormonal: libera progestagênio dentro do útero. Tem mais chance de fazer a hiperplasia desaparecer, pode ter menos efeitos colaterais e dura até cinco anos.
  • Perda de peso: quando há excesso de peso, aumenta a chance de a hiperplasia desaparecer.
  • Acompanhamento: nova biópsia seis meses após o diagnóstico e outra seis meses depois. Com índice de massa corporal (IMC) acima de 35 ou tratamento por comprimidos, a chance de voltar é maior, e as biópsias costumam ser anuais.

Se ela persistir ou voltar, a retirada do útero pode ser discutida.

Hiperplasia com atipia (NIE)

Para quem não deseja mais engravidar e pode operar, o tratamento padrão é a histerectomia, de preferência por cirurgia minimamente invasiva, como a laparoscopia, segundo a FEBRASGO. A retirada das trompas e dos ovários na mesma cirurgia é avaliada caso a caso.

Quem deseja engravidar, não pode operar ou recusa a cirurgia pode fazer tratamento hormonal, com DIU hormonal ou progestagênio. A resposta gira em torno de 78%, e a resposta completa, em torno de 53%, segundo a FEBRASGO. Esse caminho exige acompanhamento rigoroso, com biópsias repetidas, pelo menos no primeiro ano.

Quem usa terapia hormonal da menopausa ou tamoxifeno não deve suspender por conta própria. A decisão é do médico que acompanha o tratamento.

Quando procurar atendimento?

Procure atendimento sempre que o sangramento sair do seu padrão. Sangramento muito intenso ou com sinais de choque é urgência. Os sinais de alerta abaixo seguem o Manual MSD.

SituaçãoO que fazer
Sangramento com desmaio, tontura forte, fraqueza, pele fria e suada, falta de ar ou pulso aceleradoUrgência: ligue 192 (SAMU) ou vá a uma UPA ou pronto-socorro.
Sangramento que encharca mais de um absorvente por hora por mais de 2 horas, ou com coágulos grandes, segundo o Manual MSDProcure atendimento no mesmo dia, em uma UPA ou pronto-socorro.
Qualquer sangramento ou secreção rosada ou marrom após a menopausaMarque consulta na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou com ginecologista nos próximos dias. Não espere acontecer de novo.
Sangramento entre as menstruações, menstruação mais longa ou mais intensa, ciclos muito irregularesMarque consulta na UBS ou com ginecologista.
Sangramento durante terapia hormonal ou uso de tamoxifenoAvise o médico que acompanha o tratamento.

Dá para prevenir?

Nem sempre, mas dá para reduzir o risco com medidas que diminuem o excesso de estrogênio:

  • Peso saudável e atividade física: o INCA cita os dois como proteção. A FEBRASGO afirma que mudanças no estilo de vida reduzem de forma importante o risco de hiperplasia.
  • Tratar a SOP e a falta de ovulação: segundo o Manual MSD, anticoncepcional combinado ou progestagênio isolado, inclusive no DIU hormonal, reduz o risco de câncer de endométrio. A escolha é feita com orientação médica.
  • Progestagênio junto do estrogênio na terapia hormonal: quem tem útero e usa estrogênio para sintomas da menopausa precisa associar um progestagênio. A exceção é o estrogênio vaginal em dose baixa, segundo o Manual MSD.
  • Anticoncepcional oral: o uso por cinco anos reduz em 50% a 70% o risco de câncer de endométrio, segundo a FEBRASGO.

Perguntas frequentes

Hiperplasia endometrial é câncer?

Não. É um crescimento exagerado do endométrio. A hiperplasia sem atipia tem risco baixo de virar câncer. A hiperplasia com atipia é uma lesão precursora e, em parte dos casos, já existe um câncer inicial junto, que a biópsia não alcançou. Por isso, o tipo informado no laudo muda o tratamento.

A hiperplasia sem atipia pode sumir sozinha?

Sim. Na maioria das mulheres ela regride com o tempo, mesmo sem tratamento. Ainda assim, o médico costuma indicar progestagênio, que aumenta a chance de regressão e ajuda a controlar o sangramento. As biópsias de controle confirmam se ela sumiu, por isso o acompanhamento é importante mesmo sem sintomas.

Endométrio espesso no ultrassom é sinal de hiperplasia?

Nem sempre. O ultrassom levanta a suspeita, mas só a biópsia confirma. Em mulheres sem sintomas, a FEBRASGO considera que um endométrio abaixo de 10 mm não precisa necessariamente de biópsia. Após a menopausa, com sangramento, a biópsia é indicada a partir de 4 mm.

Quem tem hiperplasia endometrial pode engravidar?

Pode ser possível, mas a gravidez precisa ser planejada com o médico. Na hiperplasia com atipia, quem deseja engravidar pode adiar a cirurgia e fazer tratamento hormonal, com biópsias frequentes. O Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido (em inglês) orienta esperar uma biópsia confirmar que a hiperplasia sumiu.

Fontes

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