Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
Hipermelanose, também chamada de hiperpigmentação, é o escurecimento de áreas da pele pelo excesso de melanina, o pigmento que dá cor à pele. Na maioria das vezes não é perigosa, mas algumas manchas escuras precisam ser examinadas para descartar câncer de pele. Tem tratamento com dermatologista, sempre apoiado na proteção solar diária.
O que é hipermelanose?
Hipermelanose é o escurecimento da pele por aumento da produção de melanina, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). As manchas vão do castanho-claro ao preto e variam em tamanho e forma.
A melanina é produzida por células chamadas melanócitos. Sol, inflamação e mudanças hormonais podem fazer essas células produzirem pigmento a mais em alguns pontos, explica o Manual MSD.
Quais são os tipos mais comuns de manchas escuras?
Os mais comuns são melasma, hiperpigmentação pós-inflamatória, melanoses solares e sardas. Cada tipo tem causa e tratamento próprios, por isso o diagnóstico vem antes de qualquer creme.
Melasma
Melasma é uma condição que causa manchas acastanhadas, de contorno irregular, em geral nas maçãs do rosto, na testa, no nariz e no buço. Segundo a SBD, ele afeta mais as mulheres e está ligado à gravidez, ao anticoncepcional hormonal e, principalmente, ao sol. A luz visível e a predisposição genética também influenciam. Na gravidez, é conhecido como “mancha da gravidez”. O Manual MSD informa que ele é mais comum e mais duradouro em peles mais escuras.
Hiperpigmentação pós-inflamatória
É a mancha que fica depois de uma inflamação ou lesão, como espinhas, cortes, queimaduras e irritações. Peles mais escuras têm mais risco e devem proteger do sol a área em cicatrização. Se as manchas vêm das espinhas, veja também o guia sobre acne hormonal.
Melanoses solares (lentigos)
São as “manchas senis”: planas, castanhas a marrons, em áreas muito expostas ao sol, como rosto, dorso das mãos, colo e ombros. A SBD explica que elas são benignas e não viram câncer, mas recomenda avaliação do dermatologista para diferenciá-las de lesões suspeitas.
Sardas (efélides)
Sardas são pontinhos de pigmento que surgem com o sol, principalmente em pele clara. A tendência a tê-las é hereditária.
| Tipo | Como costuma ser | Onde aparece | O que mais influencia |
|---|---|---|---|
| Melasma | Manchas acastanhadas, irregulares, dos dois lados | Maçãs do rosto, testa, nariz, buço; às vezes braços e colo | Sol, luz visível, gravidez, anticoncepcional hormonal, genética |
| Pós-inflamatória | Mancha no lugar de uma lesão | Onde houve espinha, corte, queimadura ou irritação | Inflamação somada ao sol; mais comum em pele escura |
| Melanose solar (lentigo) | Manchas planas e ovais, castanhas | Rosto, dorso das mãos, colo e ombros | Sol acumulado ao longo da vida |
| Sardas (efélides) | Pontinhos pequenos | Áreas expostas ao sol | Herança genética e sol; pele clara |
Quais são as causas e os fatores de risco?
A principal causa é o sol, que estimula a produção de melanina. A SBD cita também traumas, hormônios, medicamentos, cosméticos, genética e tumores, como o melanoma.
- Hormônios: gravidez, anticoncepcional e terapia hormonal estão ligados ao melasma, segundo a nota técnica da SBD. Leia também o guia sobre o uso prolongado de anticoncepcionais.
- Inflamação e irritação: acne, queimaduras e produtos que agridem a pele podem deixar manchas. Veja o guia sobre dermatite de contato.
- Medicamentos: alguns antibióticos, anticonvulsivantes e antimaláricos escurecem a pele ou a deixam mais sensível ao sol, segundo o Manual MSD. Não suspenda remédio por conta própria.
- Tireoide: doenças autoimunes da tireoide aumentam o risco de melasma.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito pelo dermatologista, em geral pelo exame da pele. Segundo a SBD, podem ser usados dermatoscopia, biópsia e dosagens hormonais. A consulta também separa manchas benignas de lesões suspeitas.
Mancha ou pinta suspeita? A regra ABCDE
A regra ABCDE ajuda a reconhecer sinais de melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Ela é divulgada pelo Ministério da Saúde:
- A, assimetria: uma metade é diferente da outra.
- B, bordas irregulares: contorno mal definido.
- C, cor variável: várias cores na mesma lesão (preta, castanha, branca, avermelhada ou azul).
- D, diâmetro: maior que 6 milímetros.
- E, evolução: mudança de tamanho, forma ou cor.
Na maior parte das vezes, essas alterações não são câncer, mas precisam ser investigadas por um médico, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O instituto estima 9.360 novos casos de melanoma por ano no Brasil entre 2026 e 2028, sendo 4.430 em mulheres.
Qual é o tratamento da hipermelanose?
O tratamento depende do tipo de mancha e deve ser indicado pelo dermatologista. Em todos os casos, a base é a proteção solar: sem ela, as manchas voltam.
Fotoproteção
A SBD chama a proteção solar de “ponto de partida” do tratamento do melasma. A entidade recomenda filtro com FPS alto, proteção contra raios UVA e UVB e reforço contra a luz visível. O Manual MSD cita FPS 50 ou mais e protetor com cor que contenha óxido de zinco ou dióxido de titânio, que bloqueiam a luz visível. Segundo o manual, poucas horas de sol podem desfazer meses de tratamento.
Clareadores e procedimentos
- Cremes clareadores (despigmentantes): reduzem a produção de melanina. Devem ser prescritos e acompanhados por dermatologista, segundo a nota técnica da SBD. O médico pode combinar classes, como clareador, retinoide e corticoide. Os resultados começam a aparecer em cerca de dois meses.
- Procedimentos: peelings químicos, microagulhamento e laser ajudam em casos específicos. A SBD alerta que devem ser feitos por dermatologista treinado, para evitar complicações.
- Melanoses solares: costumam ser tratadas com congelamento (crioterapia) ou laser. Nelas, os clareadores não são eficazes, segundo o Manual MSD.
Na gravidez, vários clareadores, os retinoides e o remédio oral usado no melasma não são seguros, informa o Manual MSD. A escolha cabe ao dermatologista, junto com a equipe do pré-natal.
Riscos de usar clareador sem orientação
Clareador por conta própria pode piorar a pele. A SBD alerta que tratamento inadequado pode causar piora importante do melasma. Segundo o Manual MSD, a hidroquinona só deve ser usada com orientação médica, porque o uso prolongado pode causar hiperpigmentação permanente. O uso prolongado de corticoide na pele pode causar estrias, segundo a SBD. Em maio de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) mandou apreender um clareador facial vendido sem registro sanitário.
Mitos e receitas caseiras: o que evitar
Receitas caseiras não tratam hipermelanose e podem irritar a pele. Irritação é inflamação, e inflamação pode deixar manchas novas.
- Limão na pele: o suco com sol pode causar fitofotodermatite, uma queimadura com vermelhidão e até bolhas, de 24 a 48 horas depois, segundo a SBD. Dermatologistas ouvidas pela SBD a chamam de “mancha do limão“.
- Bicarbonato: a Academia Americana de Dermatologia (em inglês) alerta que ingredientes abrasivos como ele podem irritar ou machucar a pele.
- “Protetor só em dia de sol”: falso. A SBD recomenda uso diário, mesmo em dias nublados.
- “Clareou, está curado”: falso para o melasma. A recidiva é comum, segundo a SBD.
Quando procurar atendimento?
Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um dermatologista quando a mancha for nova, crescer, mudar ou não melhorar sozinha. Veja os sinais que pedem mais pressa:
| Sinal | O que fazer |
|---|---|
| Pinta ou mancha com sinal do ABCDE, que coça, sangra ou descama, ou ferida que não cicatriza | Marque consulta logo na UBS ou com dermatologista |
| Pele escura e grossa no pescoço, nas axilas ou nas dobras | Consulta na UBS: pode ser acantose nigricans, ligada a diabetes ou à síndrome dos ovários policísticos, segundo o Manual MSD |
| Manchas no rosto na gravidez | Comente no pré-natal antes de usar qualquer produto |
| Bolhas, dor forte ou vermelhidão intensa depois de limão, produto ou procedimento | Atendimento no mesmo dia (UBS ou UPA) |
| Inchaço no rosto ou nos lábios com falta de ar depois de usar um produto | Urgência: ligue 192 (SAMU) ou vá a um pronto-socorro |
Dá para prevenir?
Em boa parte dos casos, sim. O filtro solar pode prevenir algumas formas de hiperpigmentação, segundo a SBD.
- Use protetor com FPS 30 ou mais todo dia e reaplique a cada duas horas, como orienta a SBD.
- Evite o sol das 10h às 16h e use chapéu de aba larga e óculos com proteção UV, como recomenda o INCA.
- Com melasma, prefira protetor com cor.
- Não faça bronzeamento artificial, que aumenta o risco de melanoma.
- Trate acne e outras inflamações da pele com orientação médica.
- Evite receitas caseiras e produtos que ardem.
Perguntas frequentes
Hipermelanose tem cura?
Depende do tipo. Melanoses solares podem ser removidas com congelamento ou laser, segundo o Manual MSD. O melasma “não tem cura, mas tem melhora”, segundo dermatologistas ouvidas pela SBD, e a recidiva é comum. Por isso, o tratamento busca clarear, estabilizar e impedir que o pigmento volte.
A mancha da gravidez some depois do parto?
Muitas vezes diminui. Segundo o Manual MSD, com proteção solar, o melasma costuma diminuir depois da gravidez ou depois que a mulher para o anticoncepcional oral. Em algumas mulheres, a mancha persiste e precisa de tratamento. Na gestação, converse com o pré-natal antes de usar qualquer creme.
O protetor solar precisa ter cor?
Para quem tem melasma, ajuda. O Manual MSD explica que a maioria dos filtros químicos protege da luz ultravioleta, mas não da luz visível, que também escurece o melasma. O protetor com cor, com óxido de zinco ou dióxido de titânio, bloqueia essa luz. Para as demais pessoas, basta FPS 30 ou mais todos os dias.
Posso usar creme clareador sem receita?
Não é recomendado. A SBD orienta que o clareador seja prescrito e acompanhado por dermatologista. Usados por muito tempo sem controle, a hidroquinona pode causar mancha permanente e o corticoide pode causar estrias. Na dúvida, leve o produto à consulta antes de usar.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Hiperpigmentação. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Melasma. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Nota Técnica sobre Melasma: Abordagem Terapêutica Embasada em Evidências (26/04/2024). Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Cuidados com a pele no verão. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Cores e tipos de manchas na pele apontam para diferentes problemas. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Fitofotodermatite. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Estrias. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Câncer de pele: diagnóstico precoce. Acesso em 24/09/2026.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de pele melanoma: versão para população. Acesso em 24/09/2026.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Anvisa determina apreensão de hidratante facial sem registro sanitário (04/05/2026). Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Melasma. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Hiperpigmentação. Acesso em 24/09/2026.
- Academia Americana de Dermatologia. Adult acne treatment dermatologists recommend (em inglês). Acesso em 24/09/2026.




















