Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.
A psoríase é uma doença inflamatória crônica que causa placas vermelhas com escamas na pele e pode atingir unhas e articulações. Não é contagiosa. Não tem cura, mas tem tratamento, e hoje é possível viver com a pele sem lesões ou quase sem lesões, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
O que é psoríase?
Psoríase é uma inflamação causada pelo próprio sistema de defesa do corpo. A pele passa a se renovar rápido demais, e isso forma placas que descamam. A doença é cíclica: os sinais somem e voltam de tempos em tempos.
Ela atinge cerca de 2% da população mundial. No Brasil, um estudo por telefone com 8.947 pessoas encontrou 1,31% com psoríase, segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde. Costuma começar entre os 20 e os 40 anos e atinge homens e mulheres em proporção parecida. Entre 30% e 40% das pessoas com psoríase têm pai, mãe, irmão ou filho com a doença, segundo a SBD.
Quais são os tipos de psoríase?
O tipo mais comum é a psoríase em placas, presente em 75% a 90% dos casos, segundo o PCDT. A SBD descreve estes tipos:
- Em placas: placas vermelhas e secas, com escamas brancas ou prateadas, sobretudo em joelhos, cotovelos, couro cabeludo e lombar. Na pele escura, podem ter tom roxo-azulado, segundo o Manual MSD.
- Do couro cabeludo: escamas grossas que lembram caspa.
- Nas unhas: unhas grossas, amareladas, com furinhos ou descoladas.
- Gutata: pequenas lesões em forma de gota, muitas vezes após infecção de garganta. Mais comum em crianças e jovens.
- Invertida: manchas vermelhas, com pouca escama, nas dobras, como axilas, virilhas e embaixo dos seios.
- Pustulosa: bolinhas de pus sobre a pele muito vermelha, nas mãos e nos pés ou espalhadas pelo corpo.
- Eritrodérmica: a mais rara. Deixa quase toda a pele vermelha, com coceira ou ardor intensos.
O que desencadeia ou piora as crises?
As crises costumam ter gatilhos. O PCDT, a SBD e o Manual MSD citam:
- estresse, agudo ou prolongado;
- infecções, como a de garganta por bactéria e a pelo HIV;
- frio e pele ressecada (no verão, muita gente melhora);
- álcool, cigarro e excesso de peso;
- machucados na pele e queimadura de sol;
- alguns remédios, como certos medicamentos para pressão e coração (betabloqueadores e inibidores da ECA), antimaláricos, lítio e anti-inflamatórios. A retirada brusca de corticoide em comprimido ou injeção pode desencadear a forma eritrodérmica.
Não pare nenhum remédio por conta própria. Se desconfiar de um medicamento, fale com o médico que o receitou.
A psoríase atinge só a pele?
Não. A manifestação mais conhecida fora da pele é a artrite psoriásica, uma inflamação das articulações. Ela atinge até 30% das pessoas com psoríase, segundo a SBD e a Sociedade Brasileira de Reumatologia. Em 75% dos casos, surge depois das lesões de pele, e em cerca de 15%, antes, segundo o PCDT da artrite psoriásica, de 2026. Fique atenta a:
- dor, inchaço e rigidez nas articulações, piores ao começar a se mexer;
- um dedo inteiro inchado, como uma salsicha;
- dor no calcanhar, na sola do pé ou na coluna.
Sem tratamento, a artrite pode deixar deformidades permanentes, alerta a SBD.
O PCDT da psoríase também lista doenças mais frequentes em quem tem psoríase: obesidade, diabetes, pressão alta, doença inflamatória do intestino e depressão. As pessoas com psoríase morrem mais por causas cardiovasculares e têm risco maior de ansiedade, depressão e pensamentos suicidas. Cuidar do coração e da saúde emocional faz parte do tratamento.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico: o médico examina pele, unhas e couro cabeludo. A biópsia de pele fica para casos atípicos ou com dúvida, segundo o PCDT. Ela ajuda a diferenciar a psoríase de eczemas, como a dermatite de contato, de micoses, do lúpus de pele e da sífilis.
O médico também mede a gravidade. Pelo PCDT, a psoríase é moderada a grave quando atinge mais de 10% da superfície do corpo, quando a nota de gravidade das placas (PASI) passa de 10 ou quando um questionário sobre o impacto da pele na vida (DLQI) passa de 10. Unhas muito comprometidas e lesões nas palmas e plantas que não melhoram com pomadas também entram nesse grupo.
Qual é o tratamento da psoríase?
O tratamento busca controlar a doença e manter longos períodos sem lesões. Cerca de 80% dos casos são leves a moderados e melhoram com tratamento na pele; de 20% a 30% são graves e costumam precisar de tratamento sistêmico, segundo o PCDT. Todas as opções exigem prescrição e acompanhamento médico.
| Situação | Tratamento (por classe) | O que o SUS oferece pelo PCDT |
|---|---|---|
| Leve ou moderada | Hidratante e corticoide tópico; depois, manutenção com hidratante, ácido salicílico ou alcatrão; se não bastar, análogo da vitamina D | Corticoides em creme e em solução capilar, análogo da vitamina D, pomadas de ácido salicílico e de alcatrão |
| Grave, ou leve e moderada sem melhora | Fototerapia com luz ultravioleta, 2 a 3 vezes por semana, em serviço de saúde | Fototerapia UVB de banda estreita e PUVA (remédio que sensibiliza a pele mais luz UVA) |
| Moderada a grave | Medicamentos sistêmicos, por via oral ou injeção | Um retinoide oral e dois imunossupressores |
| Grave, sem resposta ou com contraindicação aos sistêmicos | Imunobiológicos injetáveis, que bloqueiam substâncias da inflamação | Primeiro um anti-TNF; depois, anti-interleucina 17, 12/23 ou 23 |
Pelo PCDT, a psoríase leve pode ser acompanhada na Unidade Básica de Saúde (UBS). Quem precisa de fototerapia ou de remédio sistêmico deve ser acompanhado, de preferência, em serviço especializado com dermatologista. Antes de um imunobiológico, é preciso investigar tuberculose, e vacinas com vírus ou bactérias vivos ficam contraindicadas durante o uso. Nunca interrompa o tratamento sem falar com o médico: isso pode piorar a psoríase, alerta a SBD.
Psoríase na gravidez: o que muda?
Muitas mulheres melhoram na gestação, mas a doença costuma piorar depois do parto. Em um estudo citado pela diretriz da SBD com a Associação Médica Brasileira, 55% das grávidas melhoraram, 21% ficaram iguais e 23% pioraram. No pós-parto, 65% pioraram.
O ideal é planejar a gravidez com o dermatologista. A diretriz e o PCDT orientam:
- Preferidos na gestação: hidratantes e corticoides tópicos de potência baixa a moderada, sem cobrir grandes áreas. A fototerapia UVB de banda estreita é considerada segura, e o médico pode indicar ácido fólico junto.
- Evitados: o retinoide oral, alguns imunossupressores e o PUVA. Depois do retinoide oral, a gravidez deve ser evitada por 2 a 3 anos.
- Imunobiológicos: exigem anticoncepção eficaz durante o uso e por um período depois. Se houver gravidez, o médico avalia se suspende.
Se engravidar durante o tratamento, não pare nada por conta própria: fale logo com o médico. No pós-parto, observe a pele e também o humor (veja o texto sobre ansiedade pós-parto).
Quais cuidados diários ajudam?
- Hidrate a pele todos os dias. Quase todas as pessoas com psoríase sentem alívio com hidratantes, segundo o Manual MSD.
- Evite coçar e se machucar: pequenas lesões podem disparar novas placas.
- Tome sol só com orientação médica e evite queimaduras.
- Pare de fumar e reduza o álcool.
- Cuide do peso e mexa-se. Perder peso reduz a gravidade da psoríase em quem tem sobrepeso ou obesidade, segundo o PCDT.
- Cuide da saúde emocional. A SBD indica acompanhamento psicológico em alguns casos.
- Acompanhe pressão, glicose e colesterol.
Mitos e verdades sobre psoríase
- “Psoríase pega.” Mito. Não é contagiosa, e o contato com quem tem psoríase não precisa ser evitado, segundo a SBD.
- “É só um problema de pele.” Mito. Pode atingir articulações e se associa a doenças do coração, do metabolismo e do humor.
- “Bronzeamento artificial substitui a fototerapia.” Mito. A SBD alerta que câmaras de bronzeamento não são fototerapia e podem trazer mais riscos do que benefícios.
- “Existe dieta que cura.” Mito. O PCDT diz que não há dieta comprovada. O que ajuda é perder peso quando há excesso.
- “Melhorou, posso parar o remédio.” Mito. Parar sem orientação pode piorar a doença.
Quando procurar atendimento?
Procure atendimento sempre que surgirem placas com escamas, alterações nas unhas ou dor nas articulações. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais fácil o tratamento, segundo a SBD. Duas formas são urgência: a pustulosa generalizada, que pode levar à morte sem tratamento adequado, e a eritrodérmica, que muitas vezes exige internação. Nesses casos, vá a uma UPA 24h ou pronto-socorro, ou ligue para o SAMU 192.
| Sinal | O que fazer |
|---|---|
| Placas com escamas, coceira ou unhas alteradas | Consulta na UBS ou com dermatologista |
| Dor, inchaço ou rigidez nas articulações | Consulta; o médico pode encaminhar ao reumatologista |
| Febre ou sinais de infecção em quem usa imunobiológico ou imunossupressor | Atendimento no mesmo dia, informando o remédio em uso |
| Pele vermelha em quase todo o corpo, com febre ou calafrios | Urgência: UPA 24h, pronto-socorro ou SAMU 192 |
| Bolhas de pus espalhadas pelo corpo, com febre, calafrios ou cansaço | Urgência: UPA 24h, pronto-socorro ou SAMU 192 |
| Tristeza persistente ou pensamentos de morte | CVV no 188 (gratuito, 24 horas), UBS ou CAPS; em risco imediato, SAMU 192, conforme o Ministério da Saúde |
Perguntas frequentes
Psoríase tem cura?
Não. A psoríase é crônica e costuma exigir acompanhamento por toda a vida. Mas tem controle: o objetivo do tratamento é manter longos períodos sem lesões. Com as opções atuais, a SBD afirma que é possível viver com a pele sem lesões ou quase sem lesões, qualquer que seja a gravidade, desde que o tratamento seja seguido.
Tomar sol ajuda a psoríase?
Pode ajudar, com cuidado. Muitas pessoas melhoram no verão, e a luz ultravioleta é usada como tratamento, em sessões controladas. Por outro lado, queimadura de sol é gatilho de crise. Por isso, a SBD recomenda exposição solar orientada pelo dermatologista. Câmara de bronzeamento não substitui a fototerapia.
Psoríase no couro cabeludo é caspa?
Não, mas as duas se parecem. Na psoríase, surgem áreas vermelhas com escamas grossas, brancas ou prateadas, que soltam flocos nos cabelos e nos ombros. Se a descamação não melhora com os cuidados habituais, ou se há placas em outras partes do corpo, procure avaliação médica.
Posso amamentar tendo psoríase?
Sim. A psoríase não é contagiosa. O que muda é o tratamento. A diretriz da SBD com a Associação Médica Brasileira considera seguros, na amamentação, os corticoides tópicos e a fototerapia UVB. O retinoide oral e alguns imunossupressores são contraindicados. Confirme cada remédio com o médico.
Qual médico trata psoríase?
O dermatologista é o especialista. Na rede pública, a psoríase leve pode ser acompanhada na UBS, e os casos que precisam de fototerapia ou de remédio sistêmico vão para o serviço especializado. Se houver dor nas articulações, o reumatologista entra no cuidado.
Fontes
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Psoríase (Portaria Conjunta nº 18/2021). gov.br/saude. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Artrite Psoriásica (Portaria Conjunta nº 37/2026). gov.br/saude. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia. Psoríase. sbd.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia e Associação Médica Brasileira. Psoríase em placa moderada a grave: tratamento na gestante e lactante (2018). amb.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Sociedade Brasileira de Reumatologia. Artrite psoriásica. reumatologia.org.br. Acesso em 24/09/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família. Psoríase. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. UPA 24h. gov.br/saude. Acesso em 24/09/2026.
- Ministério da Saúde. Suicídio (prevenção). gov.br/saude. Acesso em 24/09/2026.




















