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Fístula vaginal: identificar, tratar e prevenir complicações

Fístula vaginal: tipos, sintomas, causas e tratamento

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.

Fístula vaginal é uma abertura anormal entre a parede da vagina e um órgão vizinho, como bexiga, uretra, ureter, reto ou intestino. Por essa passagem, urina, gases ou fezes saem pela vagina sem controle. É uma complicação pouco frequente e tratável: com cirurgiões experientes, a correção da fístula entre bexiga e vagina dá certo em 90% dos casos na primeira tentativa, segundo texto publicado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO.

Quais são os tipos de fístula vaginal?

A fístula vaginal recebe o nome do órgão que ela liga à vagina. As urinárias são as mais comuns: a vesicovaginal responde por 75% das fístulas que envolvem o trato urinário, segundo o protocolo de fístulas urogenitais da FEBRASGO. A tabela resume os tipos descritos pela FEBRASGO, pelo Manual MSD e pela Cleveland Clinic (em inglês).

TipoO que ligaSinal principalCausas mais citadas
VesicovaginalBexiga e vaginaPerda de urina pela vaginaHisterectomia e outras cirurgias pélvicas, parto obstruído, radioterapia
UretrovaginalUretra e vaginaPerda de urina pela vaginaParto prolongado, uso inadequado de fórceps, cirurgias vaginais, radioterapia
UreterovaginalUreter (canal entre rim e bexiga) e vaginaPerda de urina pela vagina; maior risco de infecção grave e dano ao rimLesão do ureter em cirurgia pélvica
RetovaginalReto e vaginaSaída de gases, muco ou fezes pela vaginaLesão no parto, doença de Crohn, cirurgia, câncer, radioterapia
Enterovaginal ou colovaginalIntestino delgado ou grosso e vaginaSaída de fezes ou secreção com mau cheiro pela vaginaDoença inflamatória intestinal, diverticulite, câncer, radioterapia, cirurgias

Os médicos também dividem as fístulas em simples e complexas. Pelo protocolo da FEBRASGO, simples é a fístula única, menor que 2 cm, em tecido sem radioterapia. Complexa é a maior, a que voltou após cirurgia, a que envolve o ureter ou a ligada a doença inflamatória crônica ou radioterapia. Isso pesa na escolha do tratamento.

O que é fístula enterovaginal?

Fístula enterovaginal é uma comunicação entre a vagina e o intestino delgado. Quando a ligação é com o intestino grosso, o nome é fístula colovaginal, segundo a Cleveland Clinic (em inglês).

O sinal típico é a saída de fezes ou de secreção com mau cheiro pela vagina, segundo o Manual MSD. Entre as causas estão a doença de Crohn e outras doenças inflamatórias intestinais, a diverticulite, cânceres da pelve, a radioterapia e cirurgias abdominais ou pélvicas, inclusive a histerectomia. A investigação usa exames de imagem e do intestino, como a colonoscopia. O tratamento em geral é cirúrgico, e a cicatrização é mais difícil quando há câncer ou doença de Crohn.

O que é fístula obstétrica?

Fístula obstétrica é uma abertura entre o canal de parto e a bexiga ou o reto causada por trabalho de parto prolongado e obstruído, sem atendimento obstétrico a tempo. Segundo as Nações Unidas no Brasil, surgem de 50 mil a 100 mil casos por ano no mundo, a maioria entre mulheres pobres. Mais de 2 milhões de mulheres vivem com a fístula sem tratamento, sobretudo na Ásia e na África subsaariana, segundo estimativa do Fundo de População das Nações Unidas citada pela FEBRASGO.

Texto publicado pela FEBRASGO aponta que as fístulas vesicovaginais de origem obstétrica diminuíram muito com a melhora da assistência ao parto. Nos países desenvolvidos, as fístulas vêm mais de cirurgias ginecológicas, trauma ou radioterapia, segundo o protocolo de 2025.

Quais são os sintomas?

O sintoma principal é a saída de urina, gases ou fezes pela vagina. A intensidade depende da causa, do local e do tamanho da fístula, explica a FEBRASGO. Os sinais mais citados são:

  • Perda de urina pela vagina. Nas fístulas pequenas, ela pode aparecer só com a bexiga cheia ou ao deitar.
  • Saída de gases, muco ou fezes pela vagina.
  • Corrimento com mau cheiro e irritação na vulva.
  • Dor na relação sexual.
  • Infecções urinárias ou vaginais que voltam com frequência.
  • Sangramento pelo reto ou pela vagina.

Nem toda fístula dói. Depois de uma cirurgia pélvica, a perda de líquido costuma começar entre 7 e 10 dias após o procedimento, segundo a FEBRASGO.

Quais são as causas e os fatores de risco?

A fístula nasce de um dano ao tecido: trauma, infecção, inflamação ou falta de irrigação de sangue, que faz o tecido morrer e abrir uma passagem, segundo o protocolo da FEBRASGO. As causas mais citadas são:

  • Cirurgias pélvicas, como cesárea e histerectomia. Em países desenvolvidos, cerca de 0,1% das histerectomias resultam em fístula urogenital, segundo o mesmo protocolo.
  • Parto prolongado ou obstruído, lacerações no parto e episiotomia.
  • Radioterapia na pelve e câncer do colo do útero ou colorretal.
  • Doença de Crohn, outras doenças inflamatórias intestinais e diverticulite.
  • Endometriose e infecção, também citadas como fatores de risco pela FEBRASGO.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com a conversa sobre sintomas, partos e cirurgias, seguida do exame ginecológico com espéculo. De acordo com a FEBRASGO, muitas vezes a perda de urina já aparece nesse exame.

Se a fístula não é vista, pode ser feito o teste do azul de metileno. Um soro com corante azul é colocado na bexiga por uma sonda. Líquido azul na vagina indica fístula entre bexiga e vagina. Líquido claro sugere fístula no ureter.

A cistoscopia (câmera fina que examina a bexiga por dentro) mostra o tamanho e a posição da fístula. Para a FEBRASGO, tomografia e ressonância ajudam em alguns casos, mas não são obrigatórias na maioria deles. Nas fístulas intestinais, o médico examina o reto e pode pedir exames como a colonoscopia, segundo o Manual MSD.

Qual é o tratamento?

A maioria das fístulas vaginais precisa de cirurgia. Algumas pequenas e recentes fecham sem operação, e a escolha depende do tipo, do tamanho e da causa.

OpçãoPara quemO que dizem as fontes
Sonda na bexiga por algumas semanasFístula vesicovaginal menor que 1 cm, diagnosticada até 3 semanas após a lesãoFEBRASGO: cerca de 15% a 20% das pequenas fecham só com a drenagem
Remédios para a doença de baseFístula ligada à doença de CrohnManual MSD: os remédios para Crohn podem ajudar a fechar a fístula
Cirurgia pela vaginaPrimeira escolha sempre que possívelFEBRASGO: menos dor, internação mais curta e recuperação mais rápida
Cirurgia pelo abdome (aberta, por vídeo ou robótica)Fístulas grandes, altas ou que envolvem o ureterFEBRASGO: via preferida nesses casos
Estomia temporária (bolsa de colostomia)Fístulas retovaginais grandesCleveland Clinic: desvia as fezes enquanto a região cicatriza

Medicamentos entram como apoio, sempre com orientação médica: antibiótico quando há infecção, remédios para a doença inflamatória intestinal e, em alguns casos, estrogênio vaginal para melhorar o tecido da vagina, citado em texto publicado pela FEBRASGO.

Não existe prazo único para operar. A FEBRASGO sugere corrigir assim que os tecidos permitirem. Fístulas causadas por radiação ou parto obstruído pedem mais tempo de recuperação antes da cirurgia.

As chances são boas. Na fístula vesicovaginal, cirurgiões experientes têm sucesso de 90% na primeira cirurgia, segundo a FEBRASGO. Essa primeira cirurgia é a de maior chance de cura. Lesões maiores que 3 cm, radioterapia na pelve e cirurgia vaginal anterior aumentam o risco de falha. Fístulas ligadas a câncer ou à doença de Crohn cicatrizam com mais dificuldade e podem voltar.

Como é a recuperação?

Depois da correção de uma fístula vesicovaginal, a sonda fica na bexiga de 10 a 21 dias, e o protocolo da FEBRASGO recomenda pelo menos 14. Após radioterapia, o prazo é maior. Outras orientações, da Cleveland Clinic (em inglês) e da FEBRASGO:

  • Não ter relação sexual, não usar absorvente interno e não colocar nada na vagina até a liberação médica.
  • Tomar o antibiótico, se ele for receitado.
  • Comer fibras e beber água para evitar prisão de ventre.
  • Observar a urina que sai pela sonda e comparecer aos retornos.

Quando procurar atendimento?

Procure um médico sempre que notar urina, gases ou fezes saindo pela vagina, mesmo sem dor. Alguns sinais pedem pressa. A tabela resume orientações da FEBRASGO, do Ministério da Saúde e da Cleveland Clinic (em inglês).

SituaçãoO que fazer
Perda de urina, gases ou fezes pela vagina; corrimento com mau cheiro persistenteMarcar consulta com ginecologista (no SUS, pela Unidade Básica de Saúde)
Esses sinais com dor abdominal, febre, náusea ou diarreiaProcurar atendimento no mesmo dia
Febre, dor na barriga ou sangue na urina nos dias após cirurgia pélvica ou cesáreaProcurar pronto atendimento, como a UPA, ou o serviço onde foi operada
Sonda que para de drenar depois da correção da fístulaAvisar a equipe imediatamente: coágulos podem entupir a sonda e forçar a sutura

Dá para prevenir?

Nem sempre. Na maioria dos casos, a mulher não consegue evitar a fístula sozinha, mas alguns cuidados reduzem o risco: fazer pré-natal, manter doenças como a de Crohn sob controle, tratar infecções pélvicas logo e buscar equipe experiente para cirurgias pélvicas, segundo a Cleveland Clinic. Texto publicado pela FEBRASGO também defende cirurgiões mais capacitados e melhor assistência ao parto.

Já a fístula obstétrica é evitável na maior parte dos casos, segundo as Nações Unidas: com acesso ao planejamento familiar, parto assistido por profissional qualificado e atendimento obstétrico de emergência, além de combater o casamento infantil e a gravidez precoce.

Perguntas frequentes

Fístula vaginal tem cura?

Na maioria dos casos, sim. Na fístula vesicovaginal, cirurgiões experientes têm sucesso de 90% na primeira cirurgia, de acordo com a FEBRASGO. Na fístula obstétrica, até 95% podem ser fechadas com cirurgia, segundo as Nações Unidas. As ligadas a câncer ou doença de Crohn são mais difíceis e podem voltar depois do tratamento.

A fístula pode fechar sozinha?

Às vezes. Segundo a FEBRASGO, cerca de 15% a 20% das fístulas vesicovaginais pequenas fecham só com sonda na bexiga, principalmente quando medem menos de 1 cm e são tratadas cedo. Na doença de Crohn, os remédios para a doença podem ajudar a fechar a fístula, segundo o Manual MSD. Quem decide se vale esperar é o médico.

Perder urina pela vagina é sempre fístula?

Não. A incontinência urinária também causa perda de urina e pode ser confundida com fístula. Outros problemas do assoalho pélvico, como o prolapso da bexiga, também afetam o controle da urina. Como explica a FEBRASGO, o exame ginecológico e o teste com azul de metileno mostram de onde vem o líquido. Por isso, o diagnóstico é feito pelo médico.

Qual médico procurar?

O ginecologista é um bom ponto de partida. Conforme o tipo, o tratamento pode envolver urologista, uroginecologista ou coloproctologista. Segundo o Ministério da Saúde, a Atenção Primária, nas Unidades Básicas de Saúde, é a porta de entrada preferencial do SUS e faz o encaminhamento aos especialistas.

Fontes

  • Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Fístulas urogenitais (Protocolo Febrasgo de Ginecologia nº 46). Femina. 2025;53(6):848-52. docs.bvsalud.org. Acesso em 24/09/2026.
  • FEBRASGO. Fístula vesicovaginal (2018). febrasgo.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. Articulação das Redes de Atenção à Saúde e Atenção Primária à Saúde. gov.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Nações Unidas no Brasil. É preciso acabar com estigmas ligados às pessoas afetadas pela fístula obstétrica, diz chefe do UNFPA (2019). brasil.un.org. Acesso em 24/09/2026.
  • Nações Unidas em Moçambique. Cinco coisas que você precisa saber sobre a fístula obstétrica (2022). mozambique.un.org. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Prurido vaginal ou secreção vaginal. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Fístula anorretal. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Cleveland Clinic. Vaginal fistula. my.clevelandclinic.org (em inglês). Acesso em 24/09/2026.
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