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Rosácea: Como controlar crises, reduzir vermelhidão e recuperar sua pele hoje

Rosácea: o que é, sintomas, gatilhos e tratamento

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Atualizado em 24/09/2026. Texto informativo, escrito com base nas fontes listadas ao final.

A rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele do rosto. Ela causa vermelhidão que vai e volta ou que não passa, vasinhos aparentes e, em algumas pessoas, bolinhas parecidas com espinhas. Não tem cura, mas tem tratamento e controle, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Também não é contagiosa.

O que é rosácea?

Rosácea é uma doença vascular e inflamatória crônica, com fases de melhora e de piora. Ela atinge principalmente o centro do rosto: bochechas, nariz, testa e queixo. A pele fica sensível e se irrita com facilidade.

A causa exata é desconhecida. O consenso da SBD sobre o tratamento da rosácea, de 2020, aponta predisposição genética, alterações na defesa da pele e desregulação dos vasos e dos nervos, somadas a fatores que disparam as crises. A doença não é causada por falta de higiene e não passa de uma pessoa para outra, segundo o serviço de saúde do Reino Unido (em inglês).

A rosácea é comum? Quem tem mais risco?

Sim. Segundo a SBD, ela aparece em 1,5% a 10% das populações estudadas, principalmente em adultos de 30 a 50 anos. É mais comum em mulheres, mas nos homens tende a ser mais grave. Cerca de 30% das pessoas com rosácea têm outros casos na família.

A doença predomina na pele muito clara, mas atinge outras etnias. Na pele morena ou negra, a vermelhidão aparece menos, e a rosácea muitas vezes passa despercebida, segundo o Manual MSD.

Quais são os sintomas da rosácea?

O sinal mais típico é a vermelhidão no centro do rosto, que piora em ondas e com o tempo tende a ficar permanente. A SBD e o Manual MSD descrevem:

  • ondas de vermelhidão e calor que surgem de repente (o flushing);
  • vermelhidão persistente nas bochechas, no nariz, na testa e no queixo;
  • vasinhos finos e visíveis (telangiectasias);
  • bolinhas vermelhas e bolinhas com pus, parecidas com acne, mas sem cravos;
  • ardor, queimação ou pinicação, principalmente ao usar produtos na pele;
  • inchaço no rosto;
  • pele mais grossa, sobretudo no nariz, que pode ficar maior e irregular (rinofima);
  • olhos irritados, secos ou com sensação de areia, e pálpebras inflamadas.

Quais são os tipos de rosácea?

A rosácea costuma ser dividida em quatro tipos. O consenso da SBD explica que eles podem se misturar e mudar com o tempo.

TipoPrincipais sinaisO que o dermatologista pode indicar
Eritemato-telangiectásicaVermelhidão persistente, ondas de calor e vasinhosCuidados com a pele, gel ou creme para a vermelhidão, laser ou luz intensa pulsada
PapulopustulosaVermelhidão com bolinhas e pústulasRemédios tópicos e, em alguns casos, antibiótico oral
FimatosaPele grossa e irregular, principalmente no narizNo início, remédio oral para frear a evolução; depois, cirurgia ou laser
OcularOlhos secos, ardendo ou vermelhosHigiene das pálpebras, lágrima artificial e oftalmologista

O que desencadeia as crises de rosácea?

As crises costumam ser disparadas por calor, sol, álcool, certos alimentos e emoções. Esses fatores não causam a doença, mas pioram os sintomas. A SBD e o Manual MSD citam:

  • sol, calor, ambientes quentes e banhos quentes;
  • frio intenso e vento;
  • bebidas alcoólicas e bebidas quentes;
  • comida apimentada ou muito condimentada;
  • estresse e exercício físico muito intenso;
  • alguns cosméticos e produtos de pele;
  • alguns remédios, como vasodilatadores e corticoides aplicados na pele. Não pare nenhum remédio por conta própria.

Numa pesquisa com 1.066 pacientes, feita por uma associação dos Estados Unidos e citada no consenso da SBD, os gatilhos mais lembrados foram sol (81%), estresse emocional (79%), clima quente (75%) e álcool (52%).

Os gatilhos mudam de pessoa para pessoa. Por isso, a SBD recomenda anotar num diário o que aconteceu antes de cada crise.

Como diferenciar rosácea de acne e de outras vermelhidões?

Quem faz essa diferença com segurança é o dermatologista. Segundo a SBD, a acne é outra doença, e o nome “acne rosácea” é incorreto. Algumas pistas:

CondiçãoPistas que costumam diferenciar
AcneTem cravos, e a idade de início costuma ser outra, segundo o Manual MSD. Veja o guia sobre acne hormonal.
LúpusManchas em “asa de borboleta” nas maçãs do rosto e no nariz, sensibilidade ao sol, cansaço e febre, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Dermatite seborreicaDescamação e vermelhidão nas sobrancelhas, nos cantos do nariz e no couro cabeludo, segundo a SBD. Pode aparecer junto com a rosácea.
Dermatite de contatoArdor ou coceira onde a pele tocou um perfume, creme ou esmalte, segundo a SBD. Veja o guia sobre dermatite de contato.
Reação a corticoideVermelhidão, vasinhos e bolinhas depois de usar pomada de corticoide no rosto.

Como é feito o diagnóstico da rosácea?

O diagnóstico é clínico. O dermatologista examina a pele e os olhos e pergunta sobre sintomas, crises e gatilhos. Não existe exame de sangue que confirme a rosácea, segundo a SBD.

Em casos duvidosos, o médico pode pedir uma biópsia (retirada de um pedacinho de pele para análise) para descartar outras doenças, como lúpus e dermatite seborreica. Na rede pública, a primeira consulta costuma ser na Unidade Básica de Saúde (UBS).

Qual é o tratamento da rosácea?

O tratamento controla os sintomas e reduz as crises, mas não cura a doença. O dermatologista monta o plano conforme os sinais de cada pessoa.

Cuidados diários com a pele

O cuidado diário faz parte de qualquer tratamento. O consenso da SBD recomenda:

  • lavar o rosto com delicadeza, uma a duas vezes por dia, com produto sem sabão ou para pele sensível;
  • usar hidratante que não seja gorduroso;
  • passar protetor solar de amplo espectro todos os dias, com fator de proteção acima de 30;
  • evitar produtos com álcool, mentol, cânfora, fragrâncias fortes, ácidos e esfoliantes.

Remédios, sempre com receita

Os remédios são indicados pelo dermatologista. A SBD e o Manual MSD citam estas classes:

  • tópicos (na pele): antimicrobianos, antiparasitários e outros anti-inflamatórios, para bolinhas e pústulas;
  • géis ou cremes vasoconstritores: contraem os vasos e reduzem a vermelhidão;
  • antibióticos orais da família das tetraciclinas, muitas vezes em dose baixa, pela ação anti-inflamatória;
  • retinoide oral (derivado da vitamina A), em casos persistentes. Ele pode causar malformações no bebê e exige controle rigoroso do risco de gravidez, segundo o consenso da SBD.

Laser e luz intensa pulsada

Laser e luz intensa pulsada tratam bem os vasinhos, segundo a SBD. O consenso da SBD também os indica para a vermelhidão, com no mínimo três sessões. No nariz espessado, as opções incluem cirurgia, laser e radiofrequência. Sempre com indicação e execução por dermatologista.

Por que não usar corticoide no rosto por conta própria?

Porque pode piorar a rosácea. Segundo o Manual MSD, os corticoides aplicados na pele tendem a agravar o quadro. O consenso da SBD lista a rosácea causada por corticoide entre as doenças a descartar. Se você usa ou já usou pomada de corticoide no rosto, conte isso na consulta.

E quando a rosácea atinge os olhos?

A rosácea ocular aparece em cerca de metade dos casos, segundo a SBD. Causa irritação, ressecamento e pálpebras inflamadas. O consenso da SBD recomenda higiene das pálpebras, lágrima artificial e óculos de sol. Se a córnea inflamar, é preciso avaliação do oftalmologista.

Quando procurar atendimento?

Procure um dermatologista se a vermelhidão no rosto vai e volta, não passa ou vem com vasinhos e bolinhas. Olho com dor ou alteração da visão é urgência: o Manual MSD orienta procurar um médico imediatamente.

SituaçãoO que fazer
Vermelhidão que vai e volta ou não passa, vasinhos, bolinhas sem cravosConsulta com dermatologista (no SUS, comece pela UBS)
Piora rápida, com muitas bolinhas, pústulas ou nódulosVoltar logo ao dermatologista
Olho dolorido, visão embaçada, sensibilidade forte à luz ou sensação de areiaAtendimento no mesmo dia: UPA 24h ou pronto-socorro, de preferência com oftalmologista
Manchas no rosto com febre, cansaço ou dor nas juntasProcurar médico em breve para investigar outras doenças, como lúpus

Esses sinais podem indicar inflamação da córnea, que pode ser grave sem tratamento rápido, segundo o serviço de saúde do Reino Unido.

Dá para prevenir as crises de rosácea?

Não há como evitar que a doença apareça, mas dá para reduzir as crises. Segundo o Manual MSD, o primeiro passo é evitar os gatilhos, com protetor solar diário e acompanhamento regular.

Perguntas frequentes

Rosácea é contagiosa?

Não. A rosácea não passa de uma pessoa para outra e não é causada por falta de higiene. É uma doença inflamatória crônica, ligada a predisposição genética, à defesa da pele e aos vasos do rosto. A pele com rosácea é sensível, e a limpeza deve ser suave.

Rosácea tem cura?

Não tem cura, mas tem controle. A SBD afirma que há tratamento e muitos avanços recentes. O consenso da sociedade fala em chances de melhora total e de longos períodos sem sintomas. Para manter o resultado, o dermatologista costuma indicar tratamento de manutenção, cuidados diários e controle dos gatilhos.

Posso usar maquiagem se tenho rosácea?

Pode. A SBD recomenda a maquiagem corretiva, e o consenso da sociedade diz que disfarçar a vermelhidão melhora a qualidade de vida e reduz o estresse com a aparência. Prefira produtos sem fragrância forte e sem álcool, mentol ou cânfora. Se um produto arder, pare de usar e comente com o dermatologista.

Pele morena ou negra pode ter rosácea?

Pode. A rosácea é mais comum na pele clara, mas também atinge outras etnias. Na pele mais escura, a vermelhidão aparece menos, e a doença muitas vezes passa despercebida. Vale prestar atenção a outros sinais, como ardor, pele sensível, bolinhas sem cravos ou olhos irritados, e levar essas queixas ao dermatologista.

O que comer e beber com rosácea?

Não existe dieta que cure a rosácea. O que ajuda é identificar os próprios gatilhos. Os mais citados pela SBD e pelo Manual MSD são álcool, bebidas quentes e comida apimentada ou muito condimentada. Um diário das crises mostra o que pesa no seu caso e evita cortes desnecessários.

Fontes

  • Sociedade Brasileira de Dermatologia. Rosácea. sbd.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Oliveira CMM, Almeida LMC, Bonamigo RR, Lima CWG, Bagatin E. Consenso sobre tratamento da rosácea – Sociedade Brasileira de Dermatologia. Anais Brasileiros de Dermatologia, 2020;95(S1):53-69. anaisdedermatologia.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Sociedade Brasileira de Dermatologia. Dermatite seborreica. sbd.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Sociedade Brasileira de Dermatologia. Dermatite de contato. sbd.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Sociedade Brasileira de Reumatologia. Lúpus eritematoso sistêmico (LES). reumatologia.org.br. Acesso em 24/09/2026.
  • Ministério da Saúde. UPA 24h. gov.br/saude. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Rosácea. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • Manual MSD Versão Saúde para a Família. Vermelhidão ocular. msdmanuals.com. Acesso em 24/09/2026.
  • NHS, serviço de saúde do Reino Unido. Rosacea. nhs.uk (em inglês). Acesso em 24/09/2026.
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